Quem acompanhou meus primeiros pitacos sobre The Relic First Guardian lá no lançamento do PlayStation 5 sabe muito bem que o jogo chegou cercado de expectativas, mas também de muitos tropeços técnicos. A proposta da desenvolvedora trazia ideias interessantes na época, misturando uma atmosfera sombria com uma narrativa cheia de mistérios e itens únicos. Só que, na época, a experiência no console da Sony ficou marcada por quedas constantes de desempenho e alguns engasgos que atrapalhavam bastante o ritmo da jogatina. Agora, tive a oportunidade de colocar as mãos na versão que está saindo para o Xbox e decidi conferir de perto se o estúdio realmente fez o dever de casa.
O desempenho no Xbox e a melhora nos quadros por segundo
O ponto mais crítico da minha análise anterior no PlayStation 5 girava em torno da instabilidade gráfica e das quedas de FPS que aconteciam a todo momento, principalmente durante a exploração e os combates mais movimentados. Posso dizer que, nesta versão do Xbox, a situação mudou para melhor nesse aspecto específico. A otimização geral trouxe uma fluidez muito mais consistente e aquelas quedas bruscas que tanto incomodavam praticamente sumiram do mapa. O jogo roda de forma bem mais estável, permitindo que a gente aproveite as lutas contra os chefões e a movimentação pelos cenários sem aquela sensação constante de engasgo.

A atmosfera e os polimentos visuais na nova versão
Visualmente falando, o game recebeu um polimento bacana que elimina grande parte do serrilhado que poluía a imagem anteriormente. O menu, que antes parecia meio descaracterizado e deixava o personagem com um visual esquisito, agora apresenta melhorias nítidas na apresentação dos equipamentos e na identidade visual geral. No entanto, nem tudo são flores. A atmosfera sombria que tenta emular uma pegada clássica ainda sofre com um certo aspecto esfumaçado e falta de nitidez em momentos importantes. Parece que o jogo ainda precisa de um refinamento mais profundo para alcançar um visual realmente redondo nos consoles da Microsoft.
Antes

Depois


A exploração e a estrutura dos cenários
Quando olhamos para a exploração, fica claro que o design de cenários não ajuda tanto a prender a atenção do jogador. O jogo aposta em um formato semi aberto que carece de brilho, sem trazer elementos marcantes ou surpresas que realmente instiguem o jogador a vasculhar cada canto do mapa. A progressão acaba parecendo um pouco burocrática porque os cenários não convidam a uma descoberta genuína, o que tira um pouco do fator surpresa que esperamos ver em títulos desse estilo.

Combatendo no Xbox: mecânicas e limitações
No departamento de combate, é importante alinhar as expectativas para não exagerar nas qualidades. O sistema não reinventa a roda e passa longe da profundidade ou da qualidade refinada de um legítimo souls like, sendo apenas um combate legal de pancadaria direta, sem interações complexas além de descer o braço nos oponentes. Cada arma que você pega pelo caminho traz atributos que podem ser melhorados diretamente no ferreiro, além de árvores onde podemos desbloquear habilidades específicas para cada equipamento. O problema é que o sistema derrapa na variedade visual e dinâmica, já que várias armas acabam repetindo exatamente as mesmas animações de ataque, passando uma sensação de preguiça no desenvolvimento.


Veredito: vale a pena jogar no Xbox?
The Relic First Guardian é um título que poderia ser promissor, mas que ainda carrega o peso de precisar de muitos ajustes e patches de correção. A melhora drástica na estabilidade de FPS no Xbox é um ponto positivo importante que mostra o esforço da equipe em entregar uma performance mais limpa, mas as falhas técnicas herdadas do lançamento original e as limitações de gameplay mostram que a jornada ainda está longe de ser ideal. Se você curte o estilo e quer conferir o jogo com uma fluidez muito superior à vista inicialmente, a versão do Xbox traz avanços bem-vindos na parte técnica, embora continue pecando em vários aspectos fundamentais.
Agradecimento especial à Perp Games pelo envio da chave para esta análise.
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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.