O visual está incrível, mas o preço da evolução são engasgos e bugs irritantes. Testei a nova versão de The Witcher 3 Remastered no PlayStation 5 Pro e conto tudo o que está rolando.
A promessa cumprida nos gráficos e na imersão
Voltar para o Continente sempre é uma experiência marcante, mas ver o clássico da CD Projekt Red rodando com os recursos de nova geração em um setup potente traz uma sensação totalmente renovada. A iluminação global retrabalhada, o ray tracing e a fluidez dos 4K entregam um espetáculo visual impressionante, especialmente ao cavalgar pelos campos balançando ao vento em Velen ou ao observar a densidade da vegetação e o reflexo da água sob a luz do entardecer.
Além do salto gráfico óbvio, a atualização trouxe várias melhorias de qualidade de vida muito bem-vindas que a comunidade pedia há anos. Ajustes na movimentação, a facilidade de lançar sinais de bruxo sem precisar abrir o menu circular e até opções de acessibilidade e customização de inventário dão um fôlego inédito à jornada de Geralt. Para quem já passou centenas de horas explorando o mundo nas gerações passadas, a sensação inicial é de estar diante da versão definitiva do título.

Quando a otimização falha: travamentos e congelamentos
Apesar de todo o capricho técnico na parte visual, nem tudo são flores após o update. Durante minhas sessões jogando no modo desempenho e no modo qualidade com ray tracing no PS5 Pro, esbarrei em problemas recorrentes que quebram o ritmo da jogabilidade. O mais frustrante acontece justamente nos momentos de salvamento automático (autosave), o jogo dá uma travada seca e engasga por alguns segundos, o que pode ser fatal em momentos de tensão ou exploração rápida.
Outro ponto que tem incomodado bastante é a transição no modo foto. Ficar estático por um tempo para enquadrar uma cena bonita e, logo em seguida, sair da ferramenta gera engasgadas perceptíveis na tela. Não bastasse isso, o áudio também apresenta certas instabilidades, com vozes de personagens soando estranhamente baixas mesmo após mexer nas configurações de som e balanceamento de canais. São pequenos detalhes que, somados, mancham uma experiência que deveria ser impecável.

Configurações que somem e o peso das novidades
Outro problema técnico que merece destaque é o comportamento de certas configurações de acessibilidade e jogabilidade. Ativar opções como ignorar o peso dos itens para carregar mais carga ou ajustes específicos de facilidade é ótimo enquanto a sessão está ativa. Contudo, ao fechar o jogo e reiniciá-lo mais tarde, muitas dessas preferências simplesmente não se mantêm salvas, exigindo um novo setup a cada inicialização.
A comunidade também tem apontado uma certa saturação diferenciada na paleta de cores em alguns cenários, dando um aspecto levemente acinzentado que destoa do tom vibrante que o jogo costumava ter em determinados horários do ciclo de dia e noite.

Expectativa para os próximos passos da CD Projekt Red
The Witcher 3 Remastered continua sendo uma obra-prima absoluta dos RPGs de mundo aberto, e o esforço em trazer melhorias visuais e mecânicas é inegável. No entanto, a chegada dessas novidades veio acompanhada de instabilidades técnicas que afetam várias plataformas, exigindo atenção urgente dos desenvolvedores. Fica a expectativa para que a CD Projekt Red lance um patch corretivo o quanto antes para estabilizar o desempenho e garantir que a experiência dos bruxos por aí seja tão fluida quanto o visual promete.



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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.