RuneScape: Dragonwilds é uma tentativa bem interessante de pegar o universo de RuneScape e colocar ele dentro de uma fórmula de sobrevivência. Você chega em Ashenfall praticamente sem nada, começa a catar madeira, pedra, comida e minério e, aos poucos, vai transformando aquele sujeito perdido no meio do mato em alguém capaz de enfrentar dragões.

A história gira em torno do despertar dessas criaturas e dos mistérios espalhados pelo continente. Existe uma campanha, missões e bastante coisa para descobrir, mas não acho que a história seja exatamente o motivo principal para continuar jogando. Ela serve mais como uma desculpa para explorar o mapa, liberar novas áreas e entender o que aconteceu com Ashenfall.
E isso não é necessariamente ruim. Dragonwilds parece saber que sua maior força está na liberdade que dá ao jogador. Você tem uma tarefa para fazer, mas no caminho provavelmente vai encontrar outra coisa, começar a coletar recursos, entrar em uma caverna e esquecer completamente o que estava fazendo. É praticamente o funcionamento padrão de qualquer jogo de sobrevivência, só que aqui isso combina muito bem com a essência de RuneScape.
Gameplay
O gameplay é, sem dúvida, a parte mais importante de Dragonwilds. A base é conhecida: explorar, coletar, construir, fabricar equipamentos, melhorar habilidades e tentar não morrer. Só que o jogo consegue colocar bastante personalidade nessa fórmula.
No começo, tudo é muito simples. Você precisa catar praticamente qualquer coisa que encontrar pela frente. Madeira vira ferramenta, pedra vira construção, minério vira equipamento e comida vira aquela preocupação que você ignora até perceber que seu personagem está quase morrendo de fome.

O diferencial começa a aparecer na progressão. Dragonwilds possui 13 habilidades que podem chegar ao nível 99, seguindo uma característica bastante conhecida de RuneScape. Então, em vez de simplesmente aumentar um número genérico de nível, o personagem vai ficando melhor conforme você realmente utiliza determinadas atividades.
Isso cria uma progressão bem gostosa. Você começa praticamente como um sobrevivente improvisado e, algumas horas depois, já está criando equipamentos melhores, utilizando magia e entrando em lugares que anteriormente pareciam uma péssima ideia. E geralmente eram mesmo.

A coleta de recursos também não fica limitada ao tradicional “bater na árvore até cair madeira”. A magia entra bastante nessa brincadeira. Existem habilidades que permitem fazer coisas que seriam completamente absurdas em um jogo de sobrevivência normal, como invocar ferramentas mágicas para coletar recursos. Em determinado momento você percebe que está usando magia para fazer tarefas que antes exigiam ferramentas normais e pensa: “bom, agora sim estou evoluindo”.
A construção segue uma lógica parecida. Sua base começa humilde e pode crescer bastante conforme novas possibilidades são liberadas. Você constrói estruturas para facilitar a sobrevivência, organiza seus recursos e vai deixando o lugar com mais cara de casa. Não é exatamente o tipo de jogo em que você começa dizendo “vou construir só uma casinha”. Quando percebe, já está planejando uma cidade porque aparentemente você não tinha mais nada para fazer.
Ashenfall é um mundo que recompensa bastante o jogador que gosta de sair andando sem saber exatamente para onde está indo. Existem cavernas, regiões diferentes, inimigos, recursos, missões e segredos espalhados pelo mapa. Muitas vezes você sai para buscar uma coisa específica e acaba encontrando três outras que parecem mais interessantes.

O combate também funciona dentro dessa progressão. Você encontra criaturas cada vez mais perigosas e precisa melhorar equipamentos e habilidades para encarar regiões mais complicadas. Espadas, armas, magia e diferentes equipamentos fazem parte da evolução, e os dragões obviamente são o grande problema da vizinhança.
O sistema de magia é provavelmente uma das coisas que mais ajudam Dragonwilds a não parecer apenas “mais um survival”. Algumas magias servem para combate, enquanto outras ajudam na exploração e na coleta. Isso deixa a progressão mais interessante porque suas habilidades não servem apenas para matar inimigos.
E tem o modo cooperativo para até quatro jogadores. Aqui o jogo fica ainda mais divertido, principalmente porque cada pessoa pode acabar assumindo uma função diferente. Um vai atrás de recursos, outro constrói, outro quer explorar e sempre existe aquele cidadão que simplesmente sai correndo para o lugar mais perigoso do mapa e depois aparece pedindo ajuda.

O problema é que Dragonwilds ainda depende bastante daquela estrutura clássica dos jogos de sobrevivência. Você coleta, fabrica, melhora, coleta de novo, fabrica algo melhor e repete. Para quem gosta desse ciclo, é quase terapêutico. Para quem não gosta, pode parecer trabalho não remunerado.
Também existe uma quantidade considerável de grind em determinados momentos. Não chega a destruir a experiência, mas é algo que você precisa aceitar antes de entrar na aventura. Dragonwilds quer que você passe bastante tempo naquele mundo, e isso significa fazer algumas tarefas mais de uma vez.
Por outro lado, existe uma satisfação real em perceber a evolução. Aquela região que parecia impossível algumas horas antes começa a ficar acessível. A criatura que te matava facilmente passa a ser apenas um inimigo no caminho. Sua base começa a ficar bonita. Suas habilidades sobem. E, quando percebe, você já está completamente envolvido naquele ciclo.
É justamente aí que Dragonwilds funciona melhor: quando você para de pensar em “o que preciso fazer agora?” e simplesmente começa a viver naquele mundo.
Direção de arte geral
Dragonwilds tem uma direção de arte que combina bem com a proposta. O visual tem bastante fantasia, cores fortes e criaturas que conseguem ser ameaçadoras sem transformar o jogo em uma experiência sombria o tempo inteiro. Ashenfall também consegue passar aquela sensação de um lugar que vale a pena explorar. Existem áreas mais bonitas, outras mais perigosas e regiões que mudam bastante a sensação durante a exploração.

Outro detalhe legal é a ligação com RuneScape. A trilha sonora aproveita músicas clássicas da franquia em versões reorquestradas, além de novas composições. Para quem conhece RuneScape há bastante tempo, isso ajuda a criar aquela sensação de familiaridade mesmo estando diante de uma experiência diferente.

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