WARDOGS sabe exatamente o que quer ser, doa a quem doer. Aqui não existe campanha cinematográfica, personagem com nome complicado ou uma história que você precisa acompanhar para entender alguma coisa. O objetivo é colocar até 100 jogadores em um campo de batalha gigantesco e deixar a guerra acontecer.

A partida coloca três equipes para disputar uma área que muda de lugar durante o confronto. Parece simples, mas a coisa rapidamente sai do controle quando entram tanques, helicópteros, construções, destruição de prédios e jogadores tentando fazer cada coisa de um jeito diferente. É um jogo em que você começa pensando “vou jogar com calma” e cinco minutos depois está correndo no meio de uma explosão sem saber de onde veio o tiro.
Gameplay
O gameplay é, disparado, a parte mais interessante de WARDOGS, e nem teria como não ser. A estrutura lembra outros shooters de guerra em larga escala (por exemplo, Arma), mas o jogo tenta colocar algumas ideias próprias para fazer o jogador pensar um pouco além de simplesmente procurar inimigos para matar.
A partida começa com dinheiro no bolso e você precisa decidir como vai gastar essa grana. Armas, equipamentos, veículos e outras opções entram nessa conta. Só que o dinheiro não serve apenas para montar seu personagem antes de sair atirando. Suas ações durante a partida também podem render dinheiro, inclusive coisas que não envolvem matar ninguém.
Isso é uma ideia que gostei bastante porque muda um pouco aquela mentalidade de FPS em que o jogador de suporte parece estar apenas “existindo”. Em WARDOGS, reviver alguém, transportar companheiros, ajudar no objetivo e outras ações podem ser recompensadas. Então, se você é aquele jogador que não consegue acertar nem uma porta a dois metros de distância, calma, talvez ainda exista esperança para você.

A Zona de Controle é o centro da partida. As três equipes precisam disputar o mesmo espaço e a localização vai mudando. Isso faz com que o mapa inteiro tenha importância e evita que a batalha fique presa durante toda a partida no mesmo lugar.
E como são três equipes, existe uma diferença enorme em relação ao tradicional confronto entre dois lados. Você pode estar avançando contra um grupo e, de repente, descobrir que outro time resolveu aparecer pelas costas. É nesse momento que toda aquela confiança desaparece e você começa a procurar uma parede, uma pedra ou qualquer coisa que tenha aparência de cobertura.
Os veículos ajudam bastante nessa escala. Tanques conseguem dominar determinadas áreas, helicópteros servem tanto para transporte quanto para combate e os veículos também ajudam a reduzir aquele sofrimento de atravessar um mapa gigantesco andando. Só que veículo em jogo multiplayer sempre vem acompanhado daquele pequeno detalhe chamado “alguém precisa saber dirigir”.

A destruição é outro ponto que faz diferença. Em vez de usar os prédios apenas como decoração, WARDOGS permite destruir estruturas e modificar algumas posições do cenário. Isso deixa o combate muito mais interessante porque uma cobertura pode simplesmente deixar de existir.
Você está escondido atrás de uma parede, achando que finalmente encontrou um lugar seguro. Aí chega um foguete. A parede desaparece. O prédio começa a cair. Você descobre que estava errado sobre absolutamente tudo e precisa correr.
Esse tipo de situação é justamente o que faz o jogo funcionar. O cenário não é completamente estático e isso muda a maneira como você pensa durante a partida. Às vezes, atacar diretamente não é a melhor opção. Talvez seja mais fácil destruir a posição onde o inimigo está escondido.
Também existe construção de bases e posições defensivas. Dá para criar pontos avançados e fortalecer determinadas áreas, o que pode ser bastante útil quando o time resolve jogar de maneira organizada. O problema é justamente essa última parte: quando o time joga organizado.

Porque, como acontece em praticamente todo multiplayer baseado em trabalho em equipe, WARDOGS pode ser maravilhoso quando todo mundo entende o que está fazendo e uma bagunça completa quando cada jogador resolve seguir para um lado.
O jogo tenta diminuir esse problema recompensando diferentes funções. Você não precisa necessariamente ser o maior matador da partida para contribuir. Dá para transportar companheiros, reviver jogadores, ajudar na captura e cuidar dos veículos. Isso cria espaço para estilos diferentes de jogo e é uma das características que mais gostei na proposta.
O chat de voz por proximidade também combina muito com isso. Você consegue conversar com jogadores próximos e coordenar algumas ações sem precisar ficar preso a uma comunicação extremamente formal. Na prática, provavelmente vai existir também o cidadão que usa o microfone para falar qualquer coisa menos o que realmente interessa, mas isso já faz parte da experiência multiplayer mundial.
O combate em si é relativamente direto. WARDOGS quer entregar uma sensação de guerra em larga escala, então o grande espetáculo está menos em movimentos mirabolantes e mais no que acontece ao redor. Tiros vindo de vários lados, veículos passando, prédios sendo destruídos e a zona mudando de posição criam situações que dificilmente são exatamente iguais.

Mas existe um ponto importante: WARDOGS ainda está em Acesso Antecipado. E isso precisa ser levado em consideração. A base é boa, mas um jogo multiplayer desse tamanho depende muito de conteúdo novo, equilíbrio e suporte constante para não perder força com o passar do tempo.
A própria BULKHEAD já trabalha em novas temporadas e conteúdos, então existe um caminho claro pela frente. O que vai definir o futuro do jogo é justamente a capacidade de manter esse campo de batalha interessante depois que a novidade inicial passar.
Direção de arte geral
WARDOGS não tenta ser um desfile de tecnologia gráfica. A prioridade está na escala das batalhas e na sensação de estar dentro de uma guerra acontecendo ao seu redor.
Os mapas possuem áreas urbanas, regiões abertas e estruturas que ajudam a criar diferentes situações de combate. E a destruição dá uma importância maior ao cenário porque você sabe que aquela parede que está servindo de proteção pode não estar lá daqui a trinta segundos.
Visualmente, o conjunto funciona bem para a proposta. Tanques atravessando o mapa, helicópteros sobrevoando a área e prédios sendo destruídos ajudam a criar aquele caos visual que o jogo claramente quer entregar, mesmo que sofra um pouco com a falta de otimização.
Vale a pena acompanhar o projeto?
WARDOGS pega mas pega algumas ideias conhecidas e consegue misturá-las de uma maneira bastante divertida. A destruição, os veículos, o sistema de dinheiro e as diferentes formas de ajudar o time fazem com que você não precise jogar exatamente da mesma maneira em todas as partidas.
Ainda existe trabalho pela frente, principalmente por estar em Acesso Antecipado. A quantidade de conteúdo precisa crescer e o equilíbrio vai precisar acompanhar essa expansão. Mesmo assim, a base é bastante interessante e, quando o time resolve trabalhar junto, WARDOGS consegue entregar partidas caóticas, engraçadas e surpreendentemente estratégicas. Recomendo.

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