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Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration | Nintendo Switch 2 Review

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Preciso ser honesto antes de qualquer coisa: Tomb Raider nunca foi uma franquia que me conquistou. A reinvenção que a Crystal Dynamics fez a partir de 2013 sempre me pareceu um Uncharted com verniz de sobrevivência, competente, bonito, mas raramente surpreendente. Ainda assim, joguei Rise of the Tomb Raider na versão de Nintendo Switch 2 com a cabeça mais aberta possível, porque um port novo de um jogo de 2015 merece ser avaliado pelo que ele entrega hoje, não pelo preconceito que eu carrego com a série.
Tomb Raider
Obrigado, Aspyr.

E é justamente aí que a coisa fica interessante. Porque para entender o que a Aspyr fez no Switch 2, é quase obrigatório olhar para trás, para a versão de PlayStation 4, lançada em outubro de 2016 como parte da edição 20 Year Celebration. Foi dali, aliás, que a Aspyr partiu: segundo a própria produtora confirmou, o port para o Switch 2 foi construído em cima do código das versões de PS4 e Xbox One, não da edição de PC.

A HISTÓRIA, SÓ PARA CONSTAR

Rise of the Tomb Raider manda Lara Croft para a Sibéria atrás da lendária Fonte Divina e da cidade perdida de Kitezh, enquanto tenta provar que as experiências sobrenaturais do primeiro jogo não foram loucura sua e desvenda o que aconteceu com o pai dela, morto pela organização paramilitar Trinity. Não vou me alongar aqui porque o enredo já é velho conhecido de quem acompanha a franquia, e reescrevê-lo em detalhes não muda nada da avaliação técnica que é o foco deste texto.

JOGABILIDADE, A BASE QUE NÃO MUDOU

A fórmula segue a mesma da reinvenção de 2013: exploração de mapas semiabertos, tumbas opcionais com puzzles ambientais, combate em terceira pessoa com arco e armas de fogo, e um sistema de progressão e crafting que empurra o jogador a farmar recursos. É uma fórmula que funciona, mesmo sem me empolgar como fã, e a versão de Switch 2 mantém tudo isso intacto, incluindo praticamente todo o conteúdo extra e DLCs já lançados ao longo dos anos.

Tomb Raider

O PORT E A SOMBRA DO PS4 DE 2016

Aqui está o ponto central do review. No Switch 2, Rise of the Tomb Raider roda a 1080p tanto no modo TV quanto no portátil, travado em 30 quadros por segundo, sem opção de destravar a taxa de quadros ou mirar em algo como 40fps. A Aspyr chegou a explicar publicamente por que não foi atrás de 60fps: segundo a produtora, o jogo é muito mais pesado para a GPU que seu antecessor de 2013, e forçar taxas mais altas gerou engasgos e instabilidade em sequências de combate mais carregadas.

O problema é que isso coloca o Switch 2, um console de 2026, exatamente no mesmo patamar que o PS4 alcançava de forma padrão em 2016: 1080p e 30fps.

E olha que o PS4 nem foi tão longe assim sozinho. Depois do lançamento, a versão base de PS4 recebeu o patch 1.04, que corrigiu um input lag incômodo na mira que atrapalhava o combate (um problema que, curiosamente, o Xbox One nunca resolveu por completo). E quando o PS4 Pro chegou, o jogo ganhou três modos gráficos à escolha do jogador: um modo de alto frame rate em 1080p que se mantinha consistentemente acima de 45fps, um modo 4K com upscaling e suporte a HDR travado em 30fps, e um modo de visuais aprimorados em 1080p com sombras e reflexos melhores. Ou seja, já em 2016 o PS4 Pro oferecia HDR e a opção de mais fluidez, coisas que o Switch 2 simplesmente não tem uma década depois. Para efeito de comparação, o Steam Deck, um portátil de PC mais modesto que o Switch 2 em vários aspectos, roda o mesmo jogo a 60fps em configuração média sem muito esforço.

Tomb Raider

Fonte: https://gonintendo.com/contents/55067-tomb-raider-definitive-edition-switch-2-vs-ps4-video-comparison

Isso não significa que o trabalho da Aspyr seja ruim tecnicamente em tudo. A iluminação das cavernas continua impressionante, os cabelos de Lara ainda são lindos, mesmo hoje em dia e os tempos de carregamento no Switch 2 são bem rápidos. Mas o efeito de neve parece ter perdido qualidade em relação ao original, há serrilhado perceptível em cenários distantes e pop-in de textura em áreas mais abertas, sintomas comuns de porte feito sem tempo ou verba suficiente para otimização, o mesmo tipo de problema que já vimos em outros ports recentes de jogos antigos para consoles novos.

BUGS E UMA VELHA FERIDA QUE VOLTOU

A versão de Switch 2 chegou com engasgos no início de cutscenes e quedas de frame perceptíveis em áreas um pouco maiores, mais detalhadas ou com muitos inimigos em tela.

A boa notícia é que a atualização 1.0.2 resolveu boa parte disso, corrigindo também bugs visuais, vegetação flutuante, barreiras de água invisíveis e cintilação de textura no rosto dos personagens.

Tomb Raider

O que a atualização não trouxe de volta foi o suporte a controles giroscópicos, que simplesmente não funcionam nessa versão. Mas, isso, infelizmente, não é novidade, pois o port de Tomb Raider 2013 para Switch teve exatamente o mesmo problema, e a Aspyr parece ter repetido a lição de casa incompleta.

SOM E LOCALIZAÇÃO

Um ponto positivo que vale registrar: o jogo chega ao Switch 2 com dublagem e legendas em português brasileiro, algo que nem sempre acontece nos ports que passam pela minha mesa (e que já rendeu reclamação minha em outros reviews). A trilha sonora e o design de som seguem os mesmos de sempre, competentes e discretos, sem nada que se destaque o suficiente para virar assunto à parte.

Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration | Nintendo Switch 2 Review Tomb Raider

Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration | Nintendo Switch 2 Review Tomb Raider
PATÔMETRO
Conclusão
Rise of the Tomb Raider continua sendo um jogo bem construído, mesmo para quem, como eu, não é exatamente fã do que a franquia representa hoje. O problema não está no jogo de 2015, e sim no port de 2026: entregar em pleno Switch 2 basicamente o mesmo teto técnico que o PS4 já oferecia há dez anos, sem HDR e sem opção de mais fluidez que o próprio PS4 Pro já disponibilizava em 2016, é uma escolha discutível para uma plataforma nova. Os bugs de lançamento já foram bem endereçados pela atualização 1.0.2, o que ajuda bastante, mas o giroscópio quebrado e os sinais de otimização apressada deixam claro que ainda há trabalho de casa pendente.
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