Orc Incremental é um jogo que olha para você e pergunta: “E se você começasse com um único orc e terminasse comandando um exército capaz de destruir reinos inteiros?”. A resposta é simples: você aceita, porque aparentemente não tinha nada melhor para fazer naquele momento.
Desenvolvido pela Nice Ride e publicado pela Playsaurus, a mesma empresa conhecida por jogos incrementais (famosos “idles”), o título mistura batalha automática, estratégia leve, cartas e evolução constante.

A proposta é começar pequeno, recrutar novas unidades, melhorar seu grupo e ficar cada vez mais forte a cada renascimento. A história é bem simples e serve mais como pano de fundo para que o jogo de fato ocorra.
Humanos estão no caminho, os orcs querem avançar e você precisa montar uma tropa capaz de passar por tudo. Não espere grandes diálogos ou uma campanha digna de Senhor dos Anéis. Aqui, o protagonista é basicamente um orc que acordou, olhou para o mapa e decidiu que todos os reinos precisavam ser conquistados antes do almoço. É isso.
Gameplay
O gameplay de Orc Incremental é baseado naquela fórmula perigosa dos jogos incrementais: você começa fazendo uma coisa simples, melhora um pouco, desbloqueia outra coisa e, quando percebe, está há horas olhando para números subindo. A diferença é que aqui esses números estão ligados a um exército de orcs, criaturas e outras unidades de fantasia sombria. As batalhas acontecem automaticamente, então você não controla cada golpe ou manda cada soldado correr para um lado.
Seu trabalho é montar a formação, escolher as unidades certas, combinar habilidades e decidir como sua tropa vai funcionar. Parece fácil, e no começo realmente é. Você coloca alguns orcs na linha de frente, joga outros atrás e deixa a turma resolver tudo na base da pancada. Só que, conforme os inimigos ficam mais fortes, simplesmente colocar mais soldados na tela deixa de ser suficiente. Aí começa a parte estratégica do jogo.

A formação é muito importante porque cada unidade possui uma função. Algumas são melhores para aguentar dano na frente, outras atacam de longe, algumas oferecem bônus e existem criaturas que ajudam a mudar completamente o desempenho do grupo. Você precisa pensar em quem fica protegendo quem, quais unidades conseguem sobreviver por mais tempo e quais combinações fazem sua tropa causar mais dano. É uma estratégia simples, mas que funciona bem dentro da proposta. O jogo não tenta ser um grande RPG tático cheio de regras complicadas. Ele quer que você faça algumas escolhas, veja o resultado e tente melhorar na próxima rodada. Quando a formação está funcionando, é muito satisfatório assistir ao seu pequeno grupo de orcs atravessar várias ondas de inimigos como se estivesse atrasado para uma reunião. Quando a formação não funciona, você percebe rapidamente que seus guerreiros são valentes, mas também são péssimos em planejamento.
A escolha das cartas também dá uma variedade interessante para cada tentativa. Durante a progressão, você recebe cartas que podem adicionar novas unidades ou totens com bônus passivos. Essas escolhas ajudam a definir o estilo do seu exército e fazem com que cada rodada tenha pequenas diferenças. Às vezes você consegue montar uma equipe focada em dano, outras vezes precisa investir em defesa ou em efeitos que aumentam o ganho de ouro.

O problema é que existe uma dose de aleatoriedade nesse sistema, então nem sempre aparece exatamente aquilo que você queria. Isso pode ser divertido quando você precisa improvisar, mas também pode irritar quando a sua estratégia depende de uma unidade específica e o jogo decide entregar três opções que parecem ter sido escolhidas por um goblin bêbado.
Além das unidades, existem os totens, que oferecem bônus passivos e podem melhorar o desempenho de todo o grupo. Eles parecem pequenos detalhes no começo, mas começam a fazer bastante diferença quando você chega em batalhas mais difíceis. Uma melhoria pode aumentar o dano, outra pode ajudar na resistência e outra pode melhorar a quantidade de ouro recebida. O ouro é importante porque permite comprar novas cartas e fortalecer o exército. E aí começa o ciclo clássico: você luta para ganhar ouro, usa o ouro para melhorar o exército, melhora o exército para lutar contra inimigos mais fortes e luta contra inimigos mais fortes para ganhar mais ouro. É praticamente uma carreira profissional, só que com menos benefícios e muito mais machados.
Os feitiços também ajudam a deixar as batalhas menos automáticas do que parecem. Mesmo com o exército lutando sozinho, você pode usar habilidades em momentos importantes para mudar o rumo de uma batalha. Um Blizzard pode atrasar inimigos perigosos, enquanto uma Fireball pode finalizar um adversário que estava quase vencendo. Isso é importante porque evita que o jogador fique apenas assistindo à tela sem fazer nada. Você ainda precisa observar a luta e decidir quando usar seus recursos. Não é uma estratégia profunda como em um jogo de guerra tradicional, mas é o que basta para criar alguns momentos de tensão, principalmente contra chefes.
E falando nos chefes, eles são os responsáveis por mostrar quando sua formação precisa ser revista. Em determinado momento, o exército simplesmente bate em uma parede. Você tenta avançar, perde, tenta de novo e perde de maneira ainda mais humilhante. A solução é reorganizar as unidades, trocar cartas, melhorar os atributos e tentar novamente. Quando você finalmente consegue passar, a sensação é boa, porque o jogo deixa claro que aquela vitória aconteceu por causa das melhorias e das escolhas feitas anteriormente. O problema é que esse ciclo também pode ficar repetitivo. Depois de um tempo, algumas batalhas começam a parecer muito parecidas, especialmente quando você precisa repetir as primeiras fases depois de um renascimento.

O sistema de Dark Rebirth, é justamente o que mantém essa progressão funcionando. Quando você chega a um limite, pode reiniciar sua jornada e perder parte do progresso atual em troca de bônus permanentes. Isso permite aumentar dano, vida, ouro e liberar novas unidades, desafios e melhorias. É aquela já conhecida ideia de voltar ao começo, mas agora com mais força e menos paciência. O jogo também possui uma árvore de melhorias permanente, com muitos desbloqueios, além de diferentes chefes e desafios. Dessa forma, mesmo quando você perde seu exército atual, sente que está construindo algo maior para a próxima tentativa.
O problema é que os primeiros combates depois do renascimento podem ficar lentos, principalmente quando você já sabe exatamente o que precisa fazer e só está esperando os números subirem novamente.

Outro ponto positivo é a progressão offline. Você pode fechar o jogo, cuidar da vida, trabalhar, dormir ou fingir que vai fazer alguma coisa produtiva. Quando voltar, seu exército terá acumulado recursos. Isso combina muito bem com a proposta incremental e faz com que Orc Incremental funcione como um jogo de segunda tela. Você deixa aberto enquanto assiste a um vídeo, conversa com alguém ou tenta entender por que está trabalhando tanto para ganhar dinheiro e depois gastando tudo em orcs. Ainda assim, quem procura ação constante pode achar o ritmo lento demais. O jogo é mais sobre acompanhar o crescimento do que participar diretamente de cada batalha. Se você precisa apertar botões o tempo inteiro, talvez fique entediado. Agora, se gosta de ver uma pequena tropa se transformar em uma máquina de destruição, a experiência pode ser bem relaxante e satisfatória.
Direção de arte geral
A direção de arte é um dos pontos mais legais de Orc Incremental. O jogo aposta em gráficos 2D com pixel art e claramente busca inspiração nos clássicos de fantasia dos anos 1990, especialmente em jogos como Warcraft II. Os personagens têm bastante personalidade, os orcs são bem desenhados e as unidades conseguem se diferenciar visualmente. Mesmo com uma apresentação simples, existe bastante cuidado nos detalhes dos sprites e nos cenários. A Nice Ride também afirma que utilizou arte feita manualmente e não usou inteligência artificial na produção visual. Isso combina com o estilo escolhido e ajuda a criar uma sensação nostálgica de estar jogando algo que poderia ter aparecido em um computador antigo, só que com uma interface mais moderna.
Não espere grandes efeitos em 3D ou cenas cinematográficas. A beleza de Orc Incremental está justamente na simplicidade. Você vê os soldados lutando, os inimigos caindo e os números aparecendo na tela. É tudo bem direto e fácil de entender. Em alguns momentos, a quantidade de unidades pode deixar a tela um pouco cheia, mas isso também faz parte da graça. Afinal, você começou com um orc solitário e agora tem uma multidão de criaturas batendo em humanos. Se a tela não estiver uma bagunça, talvez seu exército ainda esteja pequeno demais.

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