
Eu nunca havia zerado GTA Vice City. Para ser bem sincero, mal tinha jogado quando era mais novo. Comprei recentemente a versão Definitive Edition e, na data desta review, estamos bem próximos do lançamento do tão esperado GTA 6. Então, decidi revisitar a franquia principal para me preparar, e o que eu mais estava animado para jogar era GTA Vice City.
Logo ao sair da cutscene, nos primeiros minutos, começou a tocar Billie Jean, do Michael Jackson. Eu fui teletransportado direto para os anos 80, e isso foi mágico.

A História
Creio que o protagonista de GTA Vice City dispensa apresentações: o já conhecido Tommy Vercetti, dublado por Ray Liotta, famoso por interpretar criminosos como Henry Hill em Goodfellas (Os Bons Companheiros) e Ray Sinclair em Something Wild (Totalmente Selvagem). A experiência de Liotta interpretando personagens criminosos ajudou a dar ao Tommy aquela mistura de ameaça, confiança e carisma que combina perfeitamente com o personagem.

Tommy é um mafioso da família Forelli que, após cumprir 15 anos de prisão, é enviado pelo próprio chefe da família, Sonny Forelli, para Vice City. A missão? Fazer uma negociação de drogas e estabelecer conexões para a família.
Obviamente, tudo dá errado. Tommy e seus parceiros sofrem uma emboscada, todo mundo morre e apenas Tommy sobrevive, mas o dinheiro e as drogas desaparecem. Isso deixa Sonny furioso, e agora Tommy precisa descobrir quem foi o responsável pela emboscada e recuperar o dinheiro perdido.
No decorrer do jogo, Tommy faz missões para diversos contatos, mas gostaria de destacar dois: Ken Rosenberg, um advogado desesperado que se torna o primeiro contato de Tommy na cidade, e Lance Vance, irmão de Victor Vance, que se alia a Tommy em busca de vingança após a morte de seu irmão.
Ambos são personagens interessantes. O Ken eu já conhecia por ter jogado GTA San Andreas, então vê-lo em Vice City foi uma experiência legal, principalmente por poder conhecer um pouco mais do personagem e entender como ele acabou se tornando daquele jeito em San Andreas.
Já o Lance, apesar de protagonizar uma das missões em que sua IA é simplesmente a coisa mais irritante do mundo, é um personagem de quem gostei bastante. Dá para perceber claramente como ele vai “quebrando” ao longo do jogo por causa da maneira como Tommy o trata, sempre mais como um subordinado do que como um verdadeiro aliado. Conforme a história avança, Lance fica cada vez mais frustrado, e isso é algo que achei interessante de acompanhar.

A arte do Neon
Vice City consegue muito bem te colocar no ambiente dos anos 80, seja pelas roupas que você e os NPCs usam ou pelas músicas que tocam nas rádios, que são maravilhosas e que eu, particularmente, gosto muito. Isso acontece pelo fato de ter crescido ouvindo meus pais ouvirem essas mesmas músicas. Havia diversas delas que já estavam na minha playlist pessoal.

Toda a estética praiana de Miami, refletindo no contraste neon da cidade, é algo que não nasceu na Definitive Edition, mas que já estava presente desde a época do PS2. Eu admiro muito o trabalho da Rockstar Games em sempre ir a fundo na criação de uma boa ambientação em seus jogos, seja com a tristeza cinzenta de Liberty City, o caos urbano de San Andreas ou, aqui, a arte do neon em Vice City. Simplesmente fenomenal e uma arte atemporal.
Gameplay e Ritmo
Eu não quero julgar os gráficos e os controles desse jogo como se fosse um jogo atual, pois ele não é. Infelizmente, essa versão “Definitiva” não foi bem feita, apesar de eu ter jogado depois de diversas atualizações que resolveram muitos dos problemas técnicos que o jogo tinha na época do lançamento.
Mas, vendo como um jogo de PS2 remasterizado, ele funciona bem, e isso me surpreendeu muito positivamente. Eu havia acabado de zerar GTA III, no qual passei muito estresse com a jogabilidade e os controles, e, quando parti para Vice City, foi surreal perceber o salto que foi dado de um game para o outro, mesmo com apenas um ano de diferença entre eles.
Mas nem tudo são flores. Em algumas missões, a IA do jogo atrapalha, e muito. Isso quando ela não simplesmente desliga do nada. Não sei se é um problema exclusivo dessa versão, mas, caso aconteça muitas vezes, pode ser muito frustrante.
O ritmo também é bem tranquilo. GTA Vice City não é um jogo longo, porém, ele estende bastante sua longevidade ao te colocar para realizar diversas atividades pelo mapa para conseguir dinheiro e avançar para a parte final da história. Isso pode acabar sendo um pouco cansativo, variando de pessoa para pessoa.

colecionador de jogos, extremamente atraído por J-RPG e maior fã de Sword Art Online do site