Phantom Blade Zero é uma verdadeira obra de arte! Desenvolvido pela S-GAME, o jogo combina a essência dos filmes de artes marciais com combates cinematográficos, uma direção artística de tirar o fôlego e uma atmosfera que consegue prender nossa atenção desde os primeiros momentos.
E sabe o que acho mais interessante? É perceber como os estúdios chineses estão aproveitando sua própria cultura para criar experiências que conquistam jogadores do mundo inteiro.

Depois de Black Myth: Wukong, Phantom Blade Zero chega para reforçar algo que já estamos percebendo há algum tempo, a China também está se consolidando como uma grande força criativa da indústria.
E aqui temos mais um exemplo do potencial desses estúdios.
História e enredo
A história de Phantom Blade Zero se passa em Wulin, um mundo marcial chinês violento, misterioso e repleto de perigos.
O jogo mistura elementos clássicos do wuxia, gênero conhecido pelas histórias de artes marciais, com uma ambientação sombria que incorpora steampunk, ocultismo e tecnologias bastante peculiares.
Essa combinação recebeu da própria S-GAME o nome de “kungfupunk”, e é justamente essa mistura que ajuda a construir a identidade do jogo.

Na pele de Soul, acompanhamos a jornada de um assassino de elite que serve à Ordem, uma organização extremamente poderosa, formada por grandes mestres das artes marciais.
Só que tudo muda quando Soul é acusado injustamente de assassinar o Patriarca, líder da organização.
A partir desse momento, antigos aliados se tornam inimigos, e nosso protagonista passa a ser caçado por praticamente toda a comunidade marcial de Wulin.

Durante uma emboscada, Soul sofre um ferimento fatal no coração. Quando tudo parece perdido, um misterioso curandeiro consegue mantê-lo vivo.
Mas existe um problema o tratamento envolve um coração corrompido e substâncias venenosas, garantindo ao protagonista apenas 66 dias de vida.
E é justamente aí que a história ganha força.

Soul precisa aproveitar o pouco tempo que lhe resta para descobrir quem está por trás da conspiração, enfrentar inimigos extremamente perigosos e, principalmente, limpar seu nome.
Tudo isso enquanto sua própria vida está com os dias contados.
É uma premissa que combina muito bem com a atmosfera do jogo e dá um peso interessante à jornada do protagonista.
Gameplay e mecânicas
Agora vamos falar de um dos aspectos que mais me chamaram a atenção em Phantom Blade Zero, seu sistema de combate.
A gameplay é extremamente fluida, com movimentos rápidos, golpes bem executados e uma variedade enorme de possibilidades durante as batalhas.
O jogo conta com 55 armas, cada uma trazendo características próprias, estilos de luta, combinações de golpes e vantagens específicas.
E isso faz uma diferença enorme!

Uma coisa que achei particularmente interessante é como os movimentos podem mudar dependendo da situação.
Por exemplo, quando enfrentamos um único inimigo, nosso personagem executa determinadas sequências de golpes. Mas, ao enfrentar dois ou mais adversários, mesmo utilizando a mesma arma, ele pode adaptar seus movimentos.
Em uma dessas situações, podemos ver Soul realizando um espacate no ar para atingir dois inimigos ao mesmo tempo.
É um detalhe que talvez pareça pequeno, mas que deixa as batalhas muito mais dinâmicas e visualmente interessantes.
E não é apenas uma questão de beleza. O combate responde muito bem aos comandos, algo fundamental em um jogo que exige reflexos, precisão e atenção aos movimentos dos adversários.
Além das armas convencionais, temos também as chamadas armas fantasmas.
Elas funcionam como recursos especiais durante os confrontos, oferecendo novas possibilidades de ataque, mas com uma quantidade limitada de utilizações.
Esses recursos podem ser recuperados conforme lutamos e drenamos energia dos adversários, ou quando encontramos os sinos espalhados pelo cenário.
Aliás, os sinos têm um papel importante na exploração.

Além de funcionarem como pontos de descanso e checkpoints, também permitem salvar o progresso e melhorar equipamentos, armas e habilidades.
Há sinos de garças que contam parte da história , além de flores azuis que falam sobre ecos do passado e podem lhe beneficiar com aumento de vida a medida que as encontra pelo caminho.

É uma estrutura que lembra algumas mecânicas dos soulslikes, mas Phantom Blade Zero segue um caminho próprio quando o assunto é combate.
E isso fica ainda mais evidente durante os confrontos contra os chefões.
As batalhas são rápidas, intensas e exigem atenção, mas sem abrir mão daquela sensação de estarmos participando de uma verdadeira sequência de um filme de artes marciais.



Dificuldade e desafio
Outro ponto interessante é que Phantom Blade Zero não obriga todos os jogadores a enfrentarem o mesmo nível de dificuldade.
Temos diferentes opções, que permitem ajustar a experiência de acordo com o tipo de desafio que cada pessoa procura.
Viajante é o modo mais acessível, ideal para quem deseja acompanhar a história, explorar os cenários e aproveitar o sistema de combate sem tanta pressão.
Desbravador representa a experiência equilibrada, oferecendo um desafio mais tradicional para quem está começando sua jornada.
Já o Caminhante do Inferno aumenta consideravelmente a exigência durante os confrontos. Nesse modo, os chefões conseguem explorar os erros do jogador, tornando as batalhas ainda mais perigosas.
E, para quem realmente gosta de colocar suas habilidades à prova, existe o modo 66 Dias.

Nele, cada morte representa a perda de um dos 66 dias de vida de Soul. Se o limite chegar ao fim, a jornada termina de maneira definitiva e aí é game over!
É uma proposta interessante porque transforma o próprio conceito da história em parte do desafio.
No geral, gostei dessa liberdade de escolha. Afinal, nem todo mundo procura a mesma experiência em um jogo de ação.
Gráficos, direção artística e desempenho
Visualmente, Phantom Blade Zero impressiona bastante.
Desenvolvido na Unreal Engine 5, o jogo apresenta cenários detalhados, uma ambientação sombria e uma direção artística que combina muito bem com sua proposta.
Em diversos momentos, a atmosfera lembra aqueles mundos de fantasia sombria que encontramos em alguns soulslikes, mas com uma identidade fortemente inspirada na cultura e nas artes marciais chinesas.
E essa mistura funciona muito bem.




Outro ponto que merece destaque é o desempenho.
Durante minha experiência no PlayStation 5 Pro, joguei utilizando o modo desempenho com Ray Tracing ativado.
E o resultado foi muito positivo.
O jogo apresentou uma fluidez excelente, sem quedas perceptíveis de FPS ou problemas técnicos que prejudicassem minha experiência.
Isso me chamou a atenção principalmente por estarmos falando de um título desenvolvido na Unreal Engine 5, motor gráfico que já vimos apresentar problemas de desempenho em outros jogos.
Aqui, pelo menos durante minhas sessões, a experiência foi bastante estável.
Tanto na exploração quanto nos confrontos mais intensos, os comandos responderam bem e a fluidez se manteve consistente.
E quando temos um sistema de combate tão rápido, esse desempenho faz toda a diferença.
Trilha sonora e design de som
Outro aspecto que merece elogios é a trilha sonora.
Phantom Blade Zero utiliza instrumentos e composições inspirados na música tradicional chinesa, mas não fica preso apenas a esse estilo.
Em diversos momentos, percebemos a presença de elementos eletrônicos, techno e até rock, criando uma mistura que combina muito bem com a identidade do jogo.
E o interessante é como essas músicas acompanham o que está acontecendo na tela.
Em uma paisagem mais tranquila, a trilha ajuda a construir aquela sensação de contemplação. Já durante os confrontos contra os chefões, o ritmo muda completamente, deixando as batalhas ainda mais intensas.
Essa combinação entre música, ambientação e ação contribui bastante para a imersão.
É mais um daqueles detalhes que ajudam Phantom Blade Zero a construir sua própria personalidade.
Outras considerações
Uma coisa que considero interessante em Phantom Blade Zero é como ele consegue reunir características de diferentes estilos de jogos sem depender exclusivamente de nenhum deles.
Temos elementos que lembram os soulslikes, especialmente na exploração, nos pontos de descanso e na estrutura de progressão.
Ao mesmo tempo, o combate apresenta aquela velocidade e intensidade que encontramos em jogos hack and slash, como Devil May Cry e God of War.
Também é possível perceber algumas semelhanças com Black Myth: Wukong, principalmente na maneira como a cultura chinesa é incorporada ao universo do jogo.

Mas seria injusto dizer que Phantom Blade Zero é apenas uma mistura desses títulos.
A S-GAME conseguiu desenvolver uma identidade própria, especialmente na maneira como apresenta as artes marciais e transforma cada confronto em uma sequência cinematográfica.
E, para mim, esse é um dos seus maiores acertos.
Vale a pena jogar Phantom Blade Zero?
Depois de tudo o que experimentei, Phantom Blade Zero se mostrou um jogo que merece atenção, principalmente de quem gosta de ação, artes marciais e batalhas cinematográficas.
O combate é, sem dúvida, um dos seus grandes destaques. A variedade de armas, as animações e a maneira como os movimentos se adaptam às situações tornam os confrontos muito interessantes.
A direção artística também merece reconhecimento, assim como a trilha sonora e o desempenho que encontrei jogando no PlayStation 5 Pro.


E gosto especialmente de como o jogo utiliza referências de diferentes gêneros sem deixar de construir sua própria identidade.
Se você gosta de soulslikes, hack and slash, exploração e jogos de ação com elementos de RPG, Phantom Blade Zero merece entrar no seu radar.
Para mim, é mais um exemplo de como os estúdios chineses estão ganhando espaço na indústria com projetos cada vez mais ambiciosos.
E o resultado é uma experiência que consegue impressionar não apenas pelo visual, mas principalmente pela maneira como transforma as artes marciais em parte fundamental da jogabilidade.
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Conclusão
Phantom Blade Zero merece a nota 10! Durante minha experiência, não encontrei nenhum aspecto que comprometesse a qualidade do jogo. O combate é espetacular, o desempenho no PS5 Pro é excelente e a direção artística impressiona, inclusive pela combinação de cenas cinematográficas em CG com sequências em estilo anime. Até a ausência de indicadores na tela para guiar o jogador pelo mapa, que poderia ser considerada um ponto negativo, acaba valorizando a exploração e incentivando a reconhecer os caminhos por conta própria. É uma experiência que, para mim, conseguiu acertar em praticamente tudo o que se propôs a fazer.


