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OTHERSIDE TAPES: FAVELA | O TERROR BRASILEIRO SURPREENDE?

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OTHERSIDE TAPES: FAVELA

Hoje no Pitaco do Paganotti vamos falar de Otherside Tapes: Favela, um jogo de terror desenvolvido pelo estúdio brasileiro Pulsatrix, que agora também conta com Max MRM como sócio e diretor criativo.

Tive a oportunidade de jogar uma versão de prévia do game e vou contar para vocês o que achei dessa experiência, que mistura terror psicológico, investigação e uma ambientação brasileira cheia de personalidade.

Uma favela cheia de mistérios

Em Otherside Tapes: Favela, assumimos o papel de Cláudio, um criador de conteúdo que investiga casos paranormais. Ele mora próximo de uma favela onde começaram a surgir rumores sobre desaparecimentos e acontecimentos bastante estranhos.

A história se passa em 2006, e isso tem influência direta na jogabilidade. Cláudio utiliza uma câmera de vídeo para registrar sua investigação, mas estamos falando de um equipamento daquela época, com imagem de baixa qualidade, interferências e instabilidade.

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E isso funciona muito bem para a proposta do jogo, principalmente porque ajuda a criar aquela sensação de estar assistindo a uma gravação antiga de algo que não deveria ter sido encontrado.

Outro detalhe que gostei bastante foi a trilha sonora. Em vários momentos, ela me lembrou os antigos Silent Hill, principalmente pela maneira como ajuda a construir uma atmosfera desconfortável e misteriosa.

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Uma ambientação brasileira muito bem construída

Um dos maiores acertos de Otherside Tapes: Favela está na ambientação.

A Pulsatrix teve bastante cuidado ao representar os ambientes. Temos vielas estreitas, fiações espalhadas, cadeiras, objetos cotidianos e aquelas placas de comércio feitas à mão, que são características do Brasil.

OTHERSIDE TAPES: FAVELA
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São detalhes que ajudam a dar identidade ao cenário.

E esse cuidado aparece até nos objetos menores. Encontrei cartas que parecem realmente escritas à mão, papéis com marcas de grampeadores enferrujados e até um filtro de água de barro muito bem representado.

OTHERSIDE TAPES: FAVELA
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Inclusive, quem acompanha o Max MRM sabe que ele tem uma brincadeira recorrente de procurar uma certa surpresa dentro dos vasos sanitários dos jogos.

Pois é, encontrei a famosa totoca por aqui também!

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Outra coisa interessante são as referências escondidas. Na lan house, por exemplo, encontrei A.I.L.A. e Fobia, outros jogos da própria Pulsatrix, aparecendo nas telas dos computadores.

Também identifiquei uma possível referência a BrokenLore, será que vem parceria com o estúdio? Também encontrei um quadro relacionado ao funcionário do mês do Max.

São pequenas descobertas que tornam a exploração ainda mais divertida.

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Exploração, puzzles e mudanças no cenário

Na jogabilidade, Otherside Tapes: Favela aposta em elementos clássicos dos jogos de terror.

O inventário me lembrou bastante os títulos mais antigos do gênero, e temos aquela exploração em que precisamos voltar a lugares já visitados, encontrar determinados objetos, resolver puzzles e destrancar portas que acabam abrindo novos caminhos.

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Mas existe uma mecânica que achei especialmente interessante.

Em determinados momentos, encontramos relógios conectados a fios que permitem alterar o período entre dia e noite.

E isso muda bastante a experiência.

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Durante a noite, tudo fica muito mais escuro e ameaçador. Precisamos utilizar a visão noturna da câmera para enxergar determinados ambientes, mas existe um problema, a bateria acaba e os recursos disponíveis pelo cenário são bastante limitados.

Isso aumenta a tensão, principalmente quando precisamos explorar lugares desconhecidos sem saber exatamente o que vamos encontrar.

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Conforme avançamos, também percebemos que a própria favela começa a sofrer alterações. Os fios têm uma importância muito grande dentro desse universo, e existe uma espécie de anomalia ligada a eles.

Não vou entrar em muitos detalhes porque não quero estragar as surpresas da história.

O que posso dizer é que o jogo vai ficando mais tenso e desafiador conforme avançamos.

Em determinado momento, inclusive, algumas figuras que lembram bonecos de cera começam a nos perseguir, e existe uma maneira específica de lidar com elas, não podemos simplesmente virar as costas. Precisamos encará-las enquanto nos afastamos.

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Gráficos, desempenho e pontos negativos

Visualmente, Otherside Tapes: Favela tem seus bons momentos, principalmente pela iluminação e pelo cuidado com os cenários.

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Estou jogando no PC com as configurações gráficas no épico e, embora a experiência seja fluida na maior parte do tempo, encontrei algumas quedas de FPS.

Nada extremamente brusco, mas elas estão presentes, principalmente em uma área tomada pelas chamas.

OTHERSIDE TAPES: FAVELA
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Também achei que os reflexos poderiam ser melhores, considerando a qualidade gráfica selecionada.

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Outro ponto que poderia receber mais atenção é a modelagem dos personagens. Algumas figuras apresentam uma aparência um pouco artificial, embora a própria história faça referências a pessoas que parecem ter se transformado em bonecos de cera.

OTHERSIDE TAPES: FAVELA
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Já a anomalia envolvendo os fios, na minha opinião, poderia ter um design um pouco mais elaborado.

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E tem uma coisa que me incomodou na jogabilidade, a velocidade do protagonista.

Mesmo quando estamos correndo, a movimentação parece lenta demais. Em algumas situações, eu realmente gostaria que Cláudio conseguisse se deslocar mais rapidamente.

Também encontrei um bug específico em um portão. Ao utilizar a opção de observar entre as grades, a câmera mostrava a perspectiva do outro lado, como se meu personagem estivesse em uma posição diferente. Ao sair da observação, tudo voltava ao normal.

OTHERSIDE TAPES: FAVELA

Vale lembrar que estou avaliando uma versão de prévia, então esses problemas podem receber ajustes até o lançamento.

Vale a pena ficar de olho?

Otherside Tapes: Favela não tenta reinventar os jogos de terror, e acredito que essa nem seja sua proposta.

O título aposta em exploração, investigação, puzzles e uma atmosfera que vai ficando cada vez mais desconfortável conforme a história avança.

Mesmo com problemas de otimização, algumas limitações visuais e pontos que poderiam ser aprimorados na movimentação, o jogo conseguiu me manter interessado.

E isso é algo que valorizo bastante em um terror, aquela curiosidade de continuar explorando para descobrir o que realmente está acontecendo.

Outro detalhe interessante é que o jogo possui dois finais, mas não vou revelar nada sobre eles para preservar a experiência de quem pretende jogar.

Também vale destacar o trabalho da Pulsatrix, um estúdio independente brasileiro que vem conquistando seu espaço no desenvolvimento de jogos de terror.

Inclusive, junto ao lançamento de Otherside Tapes: Favela, o estúdio está apresentando a Pulsatrix Academy, um curso no qual a equipe mostra como desenvolve um jogo desde as etapas iniciais até sua conclusão.

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https://www.pulsatrixstudios.com/pulsatrixacademy

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Conclusão

No fim das contas, Otherside Tapes: Favela é uma experiência interessante, com uma ambientação brasileira muito bem pensada, boas ideias e uma história que consegue despertar a curiosidade.

Tem seus problemas, claro, mas também demonstra bastante personalidade.

Avaliado por: Rafael Paganotti

Nota Final
Foto de Rafael Paganotti
SOBRE QUEM AVALIOU

Rafael Paganotti

Review de Jogos / Criador de Conteúdo

Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review "Pitaco do Paganotti" e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.

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