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Boa Leitura!

Valor Mortis | PS5 Review

Valor Mortis é um RPG de ação “napoleônico” em primeira pessoa muito competente, divertido e com ótimos sistemas de combate e evolução. Bugs dos mais variados e gargalos na performance geral do jogo prejudicam um pouco a jogatina.

Fãs de experiências “Soulslikes” como eu sempre esperam uma desculpa para jogar novas experiências. A criatividade dá o tom: Mandragora mescla fantasia e funde o estilo metroidvania ao gênero, enquanto que Lies Of P joga seguro, mas investe em uma conhecida fábula para criar sua história. Além de ser em primeira pessoa, Valor Mortis usa a figura histórica de Napoleão Bonaparte e seu império militar. Isso traz uma ambientação diferente do que vemos no mercado, já que a escolha por acrescentar à brutalidade da guerra um pouco de terror e fatores sobrenaturais é MUITO acertada.

Uma saída à francesa

Valor Mortis inverte o acontecimento histórico da batalha de Waterloo. Aqui, além de vencer a batalha, Napoleão também acaba por recrutar soldados ingleses, e você acaba controlando um voluntário britânico que se alistou à legião francesa: William Dowsett. Você acaba morrendo em batalha. William então é revivido e começa a ouvir em sua mente a voz de seu adorado imperador. Avançando pelas trincheiras e campos, o terror da guerra se inicia e você lutará para sobreviver.

A história de Valor Mortis é muito boa. Apesar de contar com o bom e velho clichê de anotações espalhadas que mostram os acontecimentos, William também interage com outros personagens, e o desenrolar da trama é satisfatório. Acho válido mencionar que esses registros e também a descrição grotesca dos inimigos são cheios de detalhes, e é sempre legal ler mais um trecho conforme você avança na história. Tudo é excelente, inclusive a dublagem e a atuação de todo o elenco.

Valor Mortis

Meu problema com a história em si é o desfecho apressado e com muitas respostas em aberto. Vamos ver com o conteúdo extra que chega ano que vem se essas respostas também virão.

Gráficos e Ambientação

Valor Mortis tem uma ótima variedade de cenários. De campos de batalha lotados de mortos a aldeias desoladas, a One More Level acertou em cheio aqui. Os detalhes dos inimigos, roupas, texturas de construções e até a brutalidade dos desmembramentos são visualmente muito bem feitos. Destaque para a guarda eterna, os imponentes soldados de elite de Napoleão. A ambientação retrata bem uma Europa tomada pela morte e pelo terror sobrenatural dos exércitos napoleônicos. Já os efeitos de fogo, dos cristais de stasis e até de fumaça ficaram um pouco rústicos, como se estivessem em baixa resolução. Algo que não incomoda no calor do combate, mas que, devido ao escopo menor do projeto, acabamos por relevar.

Valor Mortis | PS5 Review

Em guarda, seu canalha vil e sujo!

Vamos falar da jogabilidade aqui, e devo dizer que fiquei muito surpreso com a abordagem escolhida. A One More Level quis colocar um personagem muito mais leve e flexível que outros jogos do gênero, e isso deixou o jogo muito mais divertido. Você corre por paredes e destrava habilidades que não são usadas apenas para combater, mas para se mover de maneira inteligente por cenários. É seguro dizer que essa pitada vem diretamente inspirada em jogos metroidvania. Caso queira progredir bem em Valor Mortis, é bom voltar a regiões anteriores sempre que você conseguir uma habilidade nova. E acredite, vale muito a pena fazer essa viagem.

Já quando o pau quebra, o jogo também oferece abordagens diferenciadas. Armas de fogo no jogo são extremamente bem-vindas, e a maneira como são implementadas não facilitam tanto a vida de William se você for descuidado; muito pelo contrário, a variedade de inimigos e situações fará com que o jogador pense e repense qual equipamento usar em meio às batalhas. Os inimigos têm pontos fracos à lá Resident Evil, com pústulas indicando onde causar mais dano e até o bom e velho explosivo avermelhado acoplado em suas armaduras e roupas.

Valor Mortis | PS5 Review

Você começa carregando um sabre simples que pode ser usado para defender ataques inimigos e também deixa a mão esquerda livre para usar ataques elementais ou armas de fogo. Aos fãs de opções mais variadas, fiquem tranquilos, pois também há armas brancas focadas em aparos, ataques leves e pesados. Vamos falar da esquiva e do aparo, que são essenciais para entender a jogabilidade.

Valor Mortis tem movimentos precisos em seu núcleo. Você pode esquivar e defender no momento certo para criar uma janela de oportunidade e desferir um golpe mais forte ou simplesmente recuperar vida, vigor e afetar a barra de postura de seus inimigos. Como todo bom souls atual que se preze, tanto você quanto seus inimigos podem ter seu vigor esgotado mediante ações de combate. E funciona bem grande parte do tempo, exceto pelas janelas de aparo e pela responsividade dos movimentos de William e dos inimigos, que são difíceis de se pegar. Eles são erráticos, assim como as animações de ataque. Contra-atacar tiros também é uma tarefa árdua. É claro que você se acostuma e absorve bem a leitura de jogo no geral, mas creio que poderiam ter calibrado um pouquinho mais a responsividade desses movimentos ao jogador. Serei justo e confessarei que adorei as batalhas contra chefes, principalmente os dois finais.

Valor Mortis | PS5 Review

O sistema de evolução é o aspecto que mais me agradou na jogabilidade. A opção de melhorar habilidades enquanto destrava efeitos passivos conhecidos como âmbares pode soar um pouco estranho para fãs como eu, mas funciona tão bem que sinto que casou muito com o jogo. O jogador recolhe catalisadores dos inimigos e, após atingir certa quantidade, evolui William. Aumentar as barras de vida e vigor ou aumentar o dano de tiros na cabeça… O jogador terá possibilidades mais diretas e simplificadas. É bom sair do senso comum também.

É válido também mencionar que o núcleo de um RPG de ação comum está aqui. Travar mira, esquivar e ficar de olho na barra de vigor é essencial para sua sobrevivência. Em alguns momentos você ficará encurralado; em outros, vai ficar se esgueirando em tábuas de procedência duvidosa enquanto recebe ataques variados de longe. Acredite, tudo o que você passou ou vai passar em um jogo do gênero, Valor Mortis recria com maestria.

Valor Mortis | PS5 Review

Som e Música

A dublagem e a atuação são excelentes. Chamaram a talentosa Jennifer English e o já consagrado Vincent Cassel para os papéis de Napoleão e de uma certa rebelde, mas todo o elenco de suporte é bom, e os diálogos refletem essa qualidade. Pude ouvir também Anthony Howell em mais um jogo Souls-like. O homem é uma máquina.

A trilha sonora é pontual, funciona, mas não revoluciona. Há uma escolha, até pela ambientação mais tenebrosa e séria do jogo, de que a música apareça em momentos de combate e em outros mais pontuais.

Performance e Bugs

Valor Mortis peca um pouco nessa parte. No começo não tive engasgos e travadas em meio às lutas. Da metade da campanha até o final, esse problema acaba incomodando. Um RPG de ação exige total concentração e foco, e quando existem quedas bruscas e engasgos, isso quebra um pouco a imersão. Outra coisa que se nota é que a performance geral cai se há muitos efeitos na tela, principalmente trechos com ambientes em chamas.

Valor Mortis | PS5 Review

Tive também alguns bugs já conhecidos pra quem ama videogame. Inimigos erráticos que variam de espadachins consagrados emendando golpes e sequências que desarmam qualquer um a paredes imóveis. A inteligência artificial reage assim. No departamento visual, caí uma vez no efeito de queda infinita, quando seu personagem atravessa o chão do cenário e cai infinitamente no vazio, sem morrer. E, como de costume, me diverti com inimigos morrendo atravessando paredes ou morrendo feitos bonecas de pano. O jogo pode crashar se você mexer no HDR ou na linguagem do sistema se modificar essas funções fora do menu principal.

À exceção de bugs mais bobos como os que citei de inimigos morrendo, é vital que a One More Level eleve o polimento do jogo. Mesmo mudando para o modo qualidade ou desempenho, o jogador tem problemas em executar o jogo. Eu acho que devemos ter uma certa tolerância pelo preço e escopo até que honesto de 40 horas do jogo, mas quando é um caso de um RPG de ação com tantos exemplares super polidos no mercado, Valor Mortis tinha sim que estar mais redondinho no PlayStation 5.

Valor Mortis | PS5 Review
Licença de imprensa: Obrigado, One More Level
VEREDITO PATOBAH

Conclusão

Uma opção diferente e divertida para um mercado vasto e variado. Valor Mortis é uma experiência honesta: o combate é visceral e divertido, existem boas ideias como a exploração que usa habilidades de combate em conjunto e, obviamente, a abordagem da câmera em primeira pessoa. Mas, se a One More Level quiser de fato elevar o gênero de RPG de ação para o próximo nível, terá que otimizar a experiência e derrotar os engasgos e travadas. E eu sei que isso eles irão conseguir com nossa ajuda e paciência.

Historia: 82
Gráficos: 85
Jogabilidade: 80
Som e música: 80
Performance e bugs: 67

Avaliado por: Castelo

Nota Final
Foto de Castelo
SOBRE QUEM AVALIOU

Castelo

Crítico do Patobah e apresentador do Patotícias no Youtube.

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