Desenvolvido pela Zoroarts e distribuído em diversas plataformas, tive a honra e o desafio de testar Paddle Paddle Paddle até onde minha paciência conseguiu suportar, em mais uma das minhas primeiras aventuras no Switch 1, o que dessa vez infelizmente, na segunda tentativa, foi uma frustração do início ao fim.

Ainda assim, venho compartilhar com vocês o que foi minha experiência e como você também pode adquirir, nesse exato momento, uma reserva para uma passagem divertida e recheada de brigas pelo seu fim de semana sozinho ou ainda acompanhado de um amigo. Obrigado aos amigos da Patobah pela oportunidade e aos desenvolvedores da Zoroarts pela confiança.
Mecânicas, Gameplay e Fases.
Não tem como a gente ir longe, porque, se tem algo que Paddle Paddle sabe, é em que aspectos e sentimentos ele quer te ater. E por isso, os comandos são extremamente simples, contando com dois remos que podem tanto ser controlados simultaneamente quanto de forma alternada, seja no modo de um jogador ou no multijogador.
As fases vão basicamente se resumir em uma linha reta com algumas curvas, mas sem chances de que você se perca pelo mapa. Aqui rola o contrário: o jogo quer que você saiba exatamente onde morreu e para quem ou o quê morreu, e por isso vai fazer questão de te oferecer o checkpoint no horizonte, enquanto um espinho vai te matar antes que chegue nele.
Com uma gameplay tão simples, deu para perceber e você descobre mais ainda quando pesquisa um pouco sobre o jogo, que o objetivo dele é exatamente pertencer àquela categoria de experiências extremamente simples, com fases complexas ou às vezes até mesmo com problemas de arquitetura, mas que no fim do dia têm como foco principal, te matar o máximo possível para que, só quando você estiver mais calmo ou se ver perante um milagre, consiga finalmente dar seguimento ao checkpoint.

Há muito pouco aqui do seu mérito e muito mais da sorte ou do azar para passar de uma determinada parte. E não adianta ficar estressado, porque é exatamente essa a proposta dessa aventura.
Muito provavelmente você vai acabar brigando e a fase vai terminar porque você encerrou a partida por aquela tarde, mas Paddle Paddle parece não só estar ciente disso, como corajoso o suficiente para se arriscar e executar algo dentro do estilo.
O Nicho de jogos focados em frustrar.
Paddle Paddle me parece ter sido criado por desenvolvedores bastante conscientes do consolidado nicho de jogos ao qual eles querem pertencer, de forma que a própria frustração que o jogo te causa me parece um fenômeno que teve a sua onda e, de alguma forma, ficou para conviver e coabitar a indústria de jogos contemporâneos.

São jogos que se apresentam essencialmente recheados de problemáticas e encobertos por trás de títulos que deliberadamente querem ser provocativos e estressantes.
A construção dos seus próprios cenários, inclusive, parece de alguma forma ter saído diretamente da proposta de alguns clássicos da era 8-bit e 16-bit, tão famosos pela sua dificuldade, pelos controles intencionalmente imprecisos e por estruturas e arquiteturas de fase muito punitivas; replicadas aqui, ao seu próprio estilo, com um design e propostas mais atuais, mas que ainda assim deslocam o foco do entretenimento para a resistência que se precisa ter para alcançar o final destes desafios, onde todo o trajeto só possui a certeza de que será preenchido com a sua raiva e frustração.
Paralelamente à ascensão desse subgênero, ligo a sua existência ou mesmo o seu renascimento para alguns, à atenção que plataformas de mídia digital como YouTube e TikTok, além das de transmissões ao vivo como a Twitch, deram a esse estilo de jogabilidade e à resposta que receberam ao abrirem margem para todo um novo espetáculo reativo e emotivo por parte do público.

Clipes viralizaram muito rápido, reações exageradas ganharam a mídia e expressões cada vez mais caricatas pareceram funcionar como um catalisador de visualizações.
Para a audiência, jogos como Paddle Paddle se tornaram divertidos de serem assistidos mais por causa de seus criadores do que necessariamente pela qualidade ou precisão do jogo em questão.
Esse nicho, ao qual respeito e vejo como uma oportunidade principalmente para desenvolvedores menores, mas ainda assim igualmente criativos, aprendeu a capitalizar estrategicamente essa tendência contemporânea, aliando-a ao desenvolvimento de jogos cada vez mais rápidos, ousados e dinâmicos, atendendo a um público hiperestimulado a partir da premissa do reinício instantâneo, tirando assim a barreira das telas de carregamento, enquanto, na outra mão, acelera ainda mais o ritmo frenético com que, no caso do jogo desta review, você rema.

Vale a pena?
Infelizmente não tive a oportunidade de testar Paddle Paddle, então muito da minha experiência pelas horas e fases de frustração pode ter se devido a ter de pensar simultaneamente por duas pessoas. Logo, eu só o indicaria se você tiver um amigo para dividir o controle.
No mais, espere se frustrar, se irritar e, por favor, diferente de mim, dilua a sua experiência em fases. Não invente de fazer uma seguida da outra, porque é a pior decisão possível.


“No gods or kings. Just ducks.”