Onimusha: Way Of The Sword é um dos melhores jogos do ano. Musashi e o elenco são muito carismáticos, as lutas são cinematográficas e o combate é excelente. Missões secundárias comuns demais e repetitividade na exploração das fases do jogo são pontos muito pequenos para manchar o excelente trabalho feito pela Capcom e seus estúdios.
No grupo do Patobah só tem canalhas. Não irei citar os nomes, é claro, mas o Asvero e o Hardt clamam pela volta dos jogos Hack n’ Slash clássicos toda vez que um jogo souls ou metroidvania é lançado. Não que nós não gostemos do bom e velho soulslike e xingar 20 vezes o mesmo chefe, mas às vezes é bom esmagar botões e voltar a ter aquela diversão desenfreada, não é mesmo?
E se, para nossa alegria, a CAPCOM ouviu os fãs! Em um anúncio épico em 2024, Onimusha: Way Of The Sword veio à luz e provou que há espaço para o velho, o novo e a junção deliciosa de mecânicas que mesclam um passado glorioso e um presente esperançoso. Vamos à análise.
Oi, eu sou o MUSASHI
O fio condutor de todo jogo de ação é um personagem carismático. Musashi não só tem esse carisma, como é cínico e engraçado.
No início do jogo, Musashi está a caminho de uma escola de artes marciais de combate e espada. Musashi é um espadachim notório na época, conhecido por sua habilidade e por simplesmente gostar de desafiar outros samurais e ser o mais forte. Ao derrotar o líder da escola, ele é atacado por seus estudantes raivosos e, ao finalmente escapar e despistar todos eles, é atacado por demônios conhecidos como Genma. Todo o fio condutor do roteiro se desenrola a partir desse ato.
Falarei pouco da história, mas é seguro dizer que o envolvimento de outros personagens e o crescimento de Musashi durante essa jornada cativa demais o jogador. Até mesmo seus inimigos são bem construídos. A interpretação dos atores no jogo é de altíssimo nível. Os irmãos demônio, Shizuka e meu favorito junto de Ganryu e Musashi: O homem de branco.
O Japão pode ser lindo às vezes… às vezes.
Onimusha: Way Of The Sword é um daqueles jogos que conseguem, na parte gráfica, unir o belo e o rústico.
Se temos modelos de personagens detalhadíssimos como Musashi, personagens principais e inimigos, o design de personagens secundários — principalmente aqueles que te dão missões para fazer — é enfadonho. Os movimentos de sincronia labial não ajudam em nada nisso.
Contudo, a ambientação fantástica e os gráficos excelentes dos cenários visitados, aliados a efeitos climáticos como chuva e fogo, dão o tom de um trabalho que também tem seus pontos fortes. É fácil notar que, na parte gráfica, o jogo fica divisivo.

Jogabilidade cinematográfica. Combate de tirar o fôlego!
Onimusha é viciante em sua jogabilidade. Cortar, fatiar, defletir e desviar. Eu pude jogar muita coisa boa durante os últimos anos, mas poucos jogos me surpreenderam tão positivamente como Onimusha: Way Of The Sword.
O sistema de equipamentos e habilidades é simples. Há um menu bem direto reservado às suas técnicas, onde você troca pedras de poder e almas vermelhas coletadas de inimigos mortos por ataques mais fortes e novas abordagens. Você equipa amuletos que podem ser melhorados com oferendas que encontra explorando e salvando pessoas. Depois de um tempo, sua bolsa de frutos curativos recebe versões alternativas para as mais variadas situações, que também podem ser evoluídas com o acréscimo de materiais. Consumíveis podem ser comprados ou adquiridos. Há materiais específicos que evoluem sua espada, traje e manopla. À primeira vista parece muito para assimilar, mas é seguro dizer que em 1 hora jogando tudo se assimila naturalmente.
O jogo tem como essência a absorção de almas. Usando sua manopla, Musashi absorve essa essência. A vermelha é a que se acumula e funciona como a moeda geral do jogo — tudo se adquire por ela. A amarela recarrega sua vida, as azuis o seu movimento especial, e por aí vai.

Musashi tem duas barras no canto inferior, que são sua vida e estamina. Seus inimigos possuem as mesmas barras, e aqui vem o aspecto viciante do jogo. As batalhas contra chefes merecem um destaque à parte. Estilosas, complexas e viciantes como todo bom Hack n’ slash, acho até legal admitir que é o fator que mais me agradou no jogo.

Onimusha: Way Of The Sword é uma joia que se revela aos poucos. Conforme você mata e picota, aprende a atingir a perícia máxima com o ISSEN (golpes de espada feitos no último minuto e que causam dano massivo a inimigos e chefes) e assimila que atordoar seus inimigos ajuda a superá-los mais rápido do que só atacar desenfreadamente, o jogo parece abrir um leque de possibilidades. Não irei falar muito porque posso estragar para você revelando mais mecânicas. O combate é bom ao ponto de dar vontade de jogar de novo só de escrever a análise.
Som e música
As músicas do jogo são ótimas e dão o tom necessário a todas as cenas. Mas é fácil admitir que os efeitos sonoros são a melhor parte desse segmento. Carne se cortando, armaduras partindo e aquele barulho fenomenal e satisfatório de quando você deflete um golpe ou acerta outra lâmina é simplesmente o que faz de Onimusha tão especial. Reitero o destaque para a dublagem em inglês do jogo também.
Performance excelente e sem bugs!
Onimusha é o trabalho mais otimizado do ano que pude experimentar. Nenhum bug, nenhum crash e nenhuma queda aparente de FPS aconteceram. Um trabalho impecável da Capcom e um port competente demais para os consoles.

Destaque para o modo equilibrado de 120 Hz, unindo boas taxas de atualização e desempenho sem engasgos.


Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial