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Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon -Classic HD- | Nintendo Switch 2

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Eu sempre tive muita vontade de conhecer melhor a franquia Dragon Quest, só que eu nunca tinha encontrado a verdadeira porta de entrada. Então acabou surgindo uma pequena brecha nessa indecisão toda: estrear meu Nintendo Switch 2 jogando um dos maiores clássicos e o primeiro do gênero Mystery Dungeon.

Trinta e três anos trancado no Super Famicom

Antes de tudo, eu fiz uma pequena pesquisa para entender melhor como funcionava esse spin-off e descobri que o nome verdadeiro era Torneko no Daibouken: Fushigi no Dungeon. Ele foi lançado pela Chunsoft em 1993, ficando trinta e três anos preso lá no Japão, porém, finalmente em setembro de 2026, após o anúncio na Nintendo Direct, tivemos o lançamento oficial para Nintendo Switch 2 e também para outras plataformas.

E quando eu falo sobre ser o primeiro, é que ele realmente tem esse grande peso, sabe? Foi graças a ele que a fórmula do Mystery Dungeon começou a ganhar forma. Nós vemos masmorras surgindo de forma aleatória, tem a questão dos combates em turnos nos mapas e as mortes que podem acabar com aquela run praticamente perfeita. Anos depois, outras franquias utilizaram a mesma fórmula e deu muito certo, como Pokémon Mystery Dungeon, Shiren the Wanderer e até Chocobo’s Mystery Dungeon, que é a versão da própria Square Enix, tendo como protagonista o mascote de Final Fantasy.

Aqui nós não temos nenhum herói que foi escolhido a dedo e que vai sair resolvendo tudo com uma bela armadura. Na verdade, quem vai desbravar esse universo é o Torneko, um comerciante bem gente boa que aparece em Dragon Quest IV. A história aqui se passa depois daquele jogo, mantendo seu sonho bem firme e forte: ter a maior loja de itens que o mundo já viu.

Dragon Quest

Apenas um comerciante atrás de um bom tesouro

A narrativa é bem simples quando você inicia a sua gameplay. Torneko escuta alguns rumores sobre um possível tesouro em uma masmorra amaldiçoada e, por saber dessa informação, decide descer sozinho para iniciar sua exploração. Outro ponto importante é que também conhecemos sua família, sua loja, e você não fica só em um looping de descer, explorar e vender. Você vai voltar para a superfície, vai vender seus itens, melhorar sua loja e pensar bem nos erros que acabou cometendo na run anterior, já que não vai querer cometer os mesmos erros não é mesmo? 

Dragon Quest

Te entregando essa ideia de como funciona o jogo, não espere que ele tenha diálogos longos e reviravoltas mirabolantes. O foco aqui é o que acontece enquanto você está explorando as masmorras e o que sobra na sua bolsa quando você consegue retornar vivo para vender as coisas na loja.

E o mais interessante é que recentemente eu joguei Moonlighter 2 para fazer outra review e logo de cara comecei com algumas comparações que cada jogo tinha. Gosto de fazer isso e ver como as ideias são absorvidas, já que mostra como o gênero não ficou preso em uma fórmula só, você consegue perceber como cada jogo foi inovando e desabrochando novas ideias. Em Moonlighter 2, toda sua run acaba sendo um pouco mais “tranquila”, já que você só perde metade dos itens, então acaba saindo no lucro. Já aqui no Torneko a coisa muda um pouco, você vai acabar sofrendo nos combates em turnos e a fome pode te atrapalhar em alguns momentos, te levando a finalizar sua run sem restar absolutamente nada.

Aqui as regras são simples, mas o risco é bem grande

A jogabilidade vai parecer bem simples quando você estiver na superfície, mas existem alguns pontos que você precisa ficar de olho para não se dar mal durante a sua gameplay.

Cada passo que você der, cada ataque ou cada item que você usar vai consumir um turno, e assim que você tentar agir, todos os inimigos daquela área vão agir também. Você não tem uma pausa pra conseguir pensar com um pouco de calma e se ajustar melhor para se defender, e talvez isso te prejudique um pouco.

Dragon Quest

Além dos monstros te perseguindo, tem o fator da fome, que aqui é a sua maior inimiga. Por isso, é bem importante que você economize comida e use em momentos bem estratégicos, pois se o Torneko ficar com fome, ele vai desmaiar e você vai ser colocado pra fora da masmorra na mesma hora. E tem o fator sorte, que todo roguelike carrega consigo, não é mesmo? Os cenários e os itens são totalmente diferentes toda vez que você volta pra lá.

Numa run você acha uma espada muito foda e um escudo excelente logo no primeiro andar, já na sua segunda tentativa, você pode chegar no quinto andar derrotando os inimigos apenas na base do soco (e isso pode acontecer mais do que parece). Se mesmo assim você achar que está tendo dificuldade ou até mesmo fácil demais, você consegue ajustar a dificuldade como desejar, seja sua primeira vez no gênero ou não.

Uma pequena curiosidade que encontrei e quis trazer aqui é que o jogo está com um recurso em beta que vai deixar os espectadores da sua live (seja na Twitch ou no YouTube) votarem em eventos que podem acontecer dentro das masmorras. Eu não cheguei a testar, mas é algo bem interessante para quem estiver fazendo lives e quiser uma interação diferente com o público.

Pensando bem, cabe todo mundo nessa masmorra

Eu acredito que Torneko funciona bem tanto para quem nunca jogou um Mystery Dungeon quanto para quem já é fã desse estilo ou até mesmo da franquia. Ele te apresenta como tudo funciona, sem sair cuspindo várias informações na sua cara, porém, ao mesmo tempo, entrega um desafio que vai demandar de toda sua atenção.

Não acho que o jogo seja pra você simplesmente finalizar ele o quanto antes e tirar da sua lista, já que cada partida vai ser diferente. Cada run vai exigir um pouco mais de você, com isso, vai aprendendo cada vez mais quando visitar a masmorra de novo, de novo e de novo. Vai saber como derrubar um monstro, vai saber como utilizar melhor um item que você pegou e não deu muita bola, saber balancear bem a sua fome. Pois essa é a graça: ver até onde você consegue chegar.

Se você estiver esperando várias cutscenes, aquela história de ter um herói da profecia, sinto muito, mas aqui não vai ser assim. Esse jogo vai te mostrar como o Torneko é depois dos eventos de Dragon Quest IV, nesse ponto da história, ele é um mercador que já conhece como as coisas funcionam. 

Dragon Quest

O que pode te incomodar durante a jogatina

Falando da minha experiência enquanto estive jogando, eu me diverti muito com esse spin-off e, como eu disse, é uma franquia que tenho muita vontade de conhecer mais a fundo. O único porém quando se trata desse jogo em específico são seus controles. Na questão da movimentação diagonal, ela acaba sendo bem lenta, em outros momentos, o jogo tem pequenas travadas, principalmente quando você está subindo de nível. Se no futuro vier uma correção, acredito que a experiência vai ser muito fluida.

Esse remaster faz exatamente o que ele promete: está em HD, tem ajustes na qualidade de imagem, mas por baixo o jogo de 1993 continua bem vivo. Por isso é bem legal quando você pega o Shiren ou o Pokémon Mystery Dungeon, pois você está conhecendo a base que deu vida a esses jogos. Quem está testando pela primeira vez vai sentir uma experiência bem interessante no final das contas.

Dragon Quest
Dragon Quest Heroes: Torneko‘s Mystery Dungeon -Classic HD- | Nintendo Switch 2 Dragon Quest
PATÔMETRO
Conclusão
Por fim, talvez o que tornou o Dragon Quest Heroes: Torneko's Mystery Dungeon mais interessante não tenha sido o seu remaster, mas sim a oportunidade de finalmente poder jogar ele em 2026. É um baita título que ficou um bom tempo trancado no Japão. É o início de tudo que veio depois. Eu não esperava gostar tanto do meu primeiro contato com esse spin-off, e no fim valeu muito a pena investir todo o meu tempo nessa gameplay, já que foi uma ótima aventura de exploração e conhecimento sobre um personagem que me deixou bem curiosa para ver em Dragon Quest IV. Eu fiquei muito feliz em ter escolhido esse jogo para estrear meu Nintendo Switch 2 e mais feliz ainda por ter finalmente achado minha porta de entrada para a franquia.
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