Depois de conquistar seu espaço com partidas multiplayer rápidas, personagens adoráveis e uma curiosa mistura entre terror e fofura, a série Obakeidoro! retorna com Obakeidoro 2: Chase & Seek. A sequência mantém a essência do jogo original, colocando humanos e monstros em uma disputa de perseguição na qual cada lado precisa utilizar suas próprias vantagens para alcançar a vitória.

A premissa continua simples. Os jogadores humanos precisam fugir, se esconder, explorar o cenário e ajudar seus companheiros enquanto tentam sobreviver até o fim da rodada. Do outro lado, os monstros precisam localizar e capturar todos antes que o cronômetro chegue a zero.
É uma fórmula bastante fácil de compreender, mas que pode gerar partidas surpreendentemente estratégicas. O grande mérito do primeiro Obakeidoro! estava justamente em transformar uma brincadeira de pega-pega em uma experiência multiplayer assimétrica divertida e acessível. Chase & Seek tenta expandir essa ideia sem modificar radicalmente aquilo que já funcionava.
A questão, portanto, não é se Obakeidoro 2 consegue reinventar a série, mas se suas pequenas mudanças são suficientes para justificar uma nova aventura.
Gameplay/Jogabilidade
Para quem nunca teve contato com a franquia, Obakeidoro 2: Chase & Seek é um jogo multiplayer assimétrico. Humanos e monstros participam da mesma partida, mas possuem objetivos diferentes. Enquanto os humanos precisam escapar e trabalhar em conjunto, os monstros contam com habilidades próprias para localizar e capturar seus adversários.

A estrutura é extremamente acessível. Em poucos minutos, qualquer jogador consegue entender as regras básicas. O desafio aparece justamente depois dessa primeira etapa: saber quando correr, quando se esconder e quando ajudar os companheiros é muito mais importante do que simplesmente conhecer os comandos.
Os humanos precisam observar constantemente o comportamento do monstro e aproveitar o cenário para criar oportunidades de fuga. Em determinadas situações, permanecer escondido é a melhor decisão; em outras, arriscar um resgate pode fazer toda a diferença.
Os monstros, por outro lado, possuem uma vantagem individual maior e precisam utilizar suas habilidades de maneira inteligente. Encontrar os jogadores não é suficiente. É necessário decidir quando perseguir alguém, quando abandonar uma perseguição e como impedir que os adversários libertem seus companheiros.
Embora a base da jogabilidade seja praticamente a mesma do primeiro jogo, Chase & Seek introduz algumas alterações que deixam as partidas um pouco mais imprevisíveis.

Uma das mudanças mais interessantes acontece quando um humano é capturado pela segunda vez. A partir desse momento, os botões utilizados para abrir a cela mudam de posição no mapa. Isso significa que os jogadores não podem simplesmente decorar uma rota e repetir o mesmo procedimento de resgate.
Pode parecer uma alteração pequena, mas ela acrescenta uma camada interessante de tensão. Quem quiser libertar um companheiro precisa explorar o cenário novamente, enquanto o monstro pode aproveitar esse momento para pressionar os jogadores restantes.
Isso também contribui para equilibrar um pouco mais a disputa. Afinal, em um jogo desse tipo, qualquer pequena vantagem pode transformar uma partida inteira. É justamente quando os jogadores começam a entender melhor as possibilidades do sistema que Obakeidoro 2 fica mais interessante.
Em uma partida de 3 contra 1, por exemplo, existe a possibilidade de um jogador permanecer próximo ao mecanismo de resgate enquanto outro atravessa o mapa para chamar a atenção do monstro. Caso esse segundo jogador seja capturado, o companheiro que permaneceu esperando pode aproveitar a oportunidade para libertar os dois.
É uma estratégia bastante eficiente e, dependendo da situação, pode até parecer injusta para quem está controlando o monstro. Mas esse tipo de situação faz parte da graça do multiplayer assimétrico: descobrir maneiras criativas de explorar as regras é tão importante quanto simplesmente seguir os objetivos apresentados pelo jogo.
Quando o jogador é capturado, naturalmente existe pouco a fazer além de aguardar o resgate. Felizmente, as partidas são curtas, então esse período de espera raramente se transforma em uma experiência extremamente frustrante. Além disso, enquanto você está preso, ainda pode acompanhar o restante da ação e torcer para que seus companheiros apareçam.
A influência de Dead by Daylight sobre Obakeidoro! não é exatamente discreta. Em entrevista ao AUTOMATON, a própria equipe da FREE STYLE chegou a descrever o popular jogo de terror como uma espécie de “irmão mais velho” de sua franquia.

A comparação é compreensível. Ambos utilizam uma estrutura de multiplayer assimétrico na qual os participantes possuem objetivos diferentes e um dos lados apresenta uma vantagem individual maior.
Enquanto Dead by Daylight constrói sua experiência em torno de perseguições tensas, terror e sobrevivência, Obakeidoro 2 transforma praticamente tudo em uma enorme brincadeira de pega-pega. Os personagens são fofos, os cenários possuem uma atmosfera muito mais descontraída e as partidas terminam rapidamente.4

Até mesmo a filosofia de design parece diferente. Segundo os desenvolvedores, o projeto originalmente trabalhava com uma estrutura de 2 contra 2, mas isso fazia com que a derrota pudesse ser igualmente frustrante para todos os participantes. A solução foi criar uma assimetria mais clara entre os lados.
Assim, os monstros possuem maior poder individual, enquanto os humanos precisam compensar essa desvantagem por meio da movimentação e da cooperação.

E essa filosofia funciona porque Obakeidoro 2 não trata a vitória como a única maneira de uma partida ser divertida. Um resgate realizado no último segundo, uma fuga inesperada ou uma perseguição completamente caótica podem criar uma lembrança muito mais divertida do que simplesmente vencer uma rodada.
Direção de Arte/Técnica
Visualmente, Obakeidoro 2: Chase & Seek aposta novamente na combinação entre elementos sobrenaturais e uma estética extremamente simpática.
A direção de arte ajuda a estabelecer a identidade da série. Os monstros podem ser assustadores em conceito, mas são apresentados de uma maneira muito mais amigável, transformando aquilo que poderia ser uma perseguição aterrorizante em uma espécie de brincadeira entre personagens caricatos.
Essa escolha também combina perfeitamente com a proposta de partidas rápidas. O jogo não precisa criar uma atmosfera pesada para manter o jogador envolvido. A graça está justamente no contraste entre os personagens fofos e a situação de perseguição.
Outro ponto positivo é a variedade de monstros. Mesmo aqueles disponibilizados como conteúdo adicional não parecem simplesmente versões superiores dos personagens gratuitos. Isso é importante porque evita transformar a experiência em uma disputa na qual quem possui determinado conteúdo necessariamente tem uma vantagem competitiva.
Tecnicamente, o jogo também se beneficia de sua proposta mais simples. Não existe a necessidade de mapas gigantescos ou sistemas extremamente complexos. Os cenários são construídos para favorecer perseguições, esconderijos e rotas alternativas, mantendo o ritmo das partidas.
O principal problema técnico, especialmente para quem joga nas Américas, está no matchmaking. A comunidade parece ser muito mais forte em determinadas regiões da Ásia, o que pode resultar em partidas com jogadores japoneses e, consequentemente, conexões com ping elevado.
É uma situação que pode prejudicar alguns momentos da partida e acaba sendo um dos principais obstáculos para quem pretende jogar regularmente fora das regiões onde a comunidade é maior.
Por outro lado, existe um aspecto curioso nessa situação: jogar com pessoas de outras regiões pode acabar sendo uma experiência bastante agradável. Mesmo com as limitações de conexão, a comunidade encontrada nas partidas costuma apresentar uma postura mais descontraída, com jogadores aparentemente interessados em aproveitar a brincadeira em vez de transformar cada rodada em uma competição extremamente séria.


Stay Awhile and Listen. Apenas um aficionado por games, quadrinhos e filmes. Redator do Patobah