Mas afinal, assinar um serviço como XBOX Game Pass ajuda tanto os desenvolvedores quanto comprar o jogo na loja?
Para entender isso sem complicação, vamos esquecer os termos técnicos de economia e usar exemplos do nosso dia a dia. Acho que fica mais fácil para todo mundo.
Exemplo simples: Cinema x Netflix
Imagine que um grupo de amigos se junta e gasta três anos da vida gravando um filme independente. Eles colocam o coração, a alma e muito dinheiro ali.
Para dar apoio a esse filme, você tem duas opções:
- Opção A: Você vai ao cinema, compra o ingresso na bilheteria por R$ 40,00 e assiste ao filme.
- Opção B: Você assiste ao filme na Netflix, usando a assinatura que você já paga todo mês.
Na Opção A, o dinheiro vai quase todo direto para quem distribui e fez o filme. É um retorno imediato. Se milhares de pessoas fizerem isso no primeiro final de semana, o filme é um sucesso de bilheteria e os produtores ganham dinheiro para começar a gravar a continuação logo em seguida.

Na Opção B, você assistiu ao filme, o que é ótimo! Mas a Netflix pagou um valor fixo para ter aquele filme no catálogo dela por um tempo, ou paga uma fração de centavo por visualização. Esse dinheiro é diluído entre os milhares de outros filmes e séries da plataforma. A chance de o criador do filme ficar rico ou conseguir financiar o próximo projeto só com essa “fração de centavo” é muito menor.

O Game Pass não ajuda em nada?
Ajuda, e muito! Só que de um jeito diferente. Quando um jogo entra em um serviço de assinatura, o estúdio que criou o jogo geralmente recebe uma bolada de dinheiro da Microsoft ou da Sony logo de cara para colocar o jogo lá. Para um estúdio pequeno (os chamados jogos indies), esse dinheiro inicial é a salvação. Garante que eles paguem as contas e não fechem as portas.
Além disso, o serviço funciona como uma vitrine gigante. Um jogo que você nunca compraria na vida por R$ 200,00, você acaba baixando só porque “está de graça” na assinatura. Você joga, ama, comenta com os amigos, e o jogo viraliza. Aqui o esquema é esse.
Pura matemática
Onde a galera se confunde e começa a brigar na internet é na matemática básica.
Pense na sua lanchonete favorita. Se você vai lá e compra um combo de hambúrguer por R$ 50,00, o dono da lanchonete recebe R$ 50,00 na hora. Com esse dinheiro, ele compra mais carne, paga o chapeiro e lucra.
Agora, imagine que a lanchonete entra num sistema de “Rodízio por Assinatura”: você paga R$ 60,00 por mês e pode comer em 50 lanchonetes diferentes da cidade, o quanto quiser. Se você comer um pedacinho de hambúrguer em cada uma, os seus R$ 60,00 vão ser divididos em pedacinhos minúsculos para cada dono de lanchonete. No final do mês, aquele seu hambúrguer favorito rendeu apenas R$ 1,20 para o dono.
Dá para manter o negócio vivo se todo mundo só comer no rodízio? Difícil. (Já notou que nos rodízios o suco ou refrigerante são caros? É, é onde lucra mesmo).
É por isso que grandes empresas (como a Capcom de Resident Evil ou a Rockstar de GTA) pensam duas vezes antes de colocar seus lançamentos direto nesses serviços. Elas sabem que o lucro real, aquele que paga os bilhões de dólares que custa para fazer um jogo gigante, vem de quem compra o jogo na caixinha ou na loja digital no primeiro dia. Esses jogos só acabam nesses serviços depois de tempossss… E não passa puramente de marketing para alavancar nossos fãs ou marketing para outros jogos da mesma franquia. Simples assim.
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