Ser hacker nos videogames normalmente significa apertar dois ou três botões e assistir a uma animação cheia de números verdes passando pela tela. HackHub – Ultimate Hacker Simulator tenta fazer algo um pouco diferente. Aqui, você realmente precisa sentar diante do computador, abrir ferramentas, digitar comandos, procurar informações e descobrir sozinho como chegar ao objetivo.

Desenvolvido pela HotBunny e publicado por G-DEVS.com e Games Operators, o jogo chegou oficialmente em agosto de 2026 com a proposta de transformar atividades de hacking em uma mistura de simulação, investigação e quebra-cabeças. A ideia é interessante principalmente porque não tenta transformar tudo em uma ação exagerada. Você não é o protagonista que invade uma megacorporação enquanto explode um prédio do outro lado da cidade. Na maior parte do tempo, você está sentado diante de um terminal tentando descobrir o que está acontecendo. E, curiosamente, isso pode ser bem divertido.
Ideia e proposta
A proposta de HackHub é provavelmente a coisa que mais chama atenção logo nos primeiros minutos. O jogo coloca você no papel de um hacker e utiliza ferramentas inspiradas em programas reais, como nslookup, nmap e hydra, para construir suas missões. Você precisa descobrir endereços, investigar redes, encontrar informações e acessar sistemas, tudo seguindo uma lógica que lembra bastante uma investigação digital.
A diferença é que o jogo obviamente precisa simplificar algumas coisas para que isso continue sendo um videogame e não uma aula de quatro horas sobre redes de computadores. Para quem nunca teve contato com terminal ou ferramentas desse tipo, existe uma sensação muito boa de aprendizado, porque no começo você olha para aquela tela cheia de comandos sem entender absolutamente nada e, depois de algum tempo, já começa a reconhecer algumas coisas. Você deixa de ser aquele sujeito que não sabe nem onde clicar e passa a digitar comandos com uma confiança completamente desnecessária. Até o momento em que dá tudo errado, claro.

É justamente essa fantasia de estar realmente trabalhando em um computador que faz HackHub funcionar. O jogo não depende de gráficos gigantescos ou explosões para manter sua atenção. Ele quer que você pense. Algumas tarefas exigem que você observe informações, faça descobertas e entenda o que está acontecendo antes de agir. Isso cria uma experiência diferente da maioria dos jogos, principalmente porque existe uma satisfação real quando você consegue resolver alguma coisa sem simplesmente seguir uma seta gigante na tela. Ao mesmo tempo, é importante entender que HackHub não é uma reprodução perfeita do trabalho de um profissional de segurança digital.
Algumas ferramentas foram adaptadas para funcionar dentro das regras do jogo e determinadas situações são simplificadas. Portanto, ele funciona melhor como uma fantasia de hacking baseada em conceitos reais do que como um curso de cibersegurança.
História
A história serve principalmente para dar um motivo para você continuar invadindo sistemas e investigando informações. HackHub trabalha com temas como vigilância, autoridade, informações escondidas e conspirações digitais, colocando o jogador em situações nas quais precisa descobrir o que está acontecendo e decidir até onde está disposto a ir. Existem personagens, diálogos e decisões durante a campanha, mas a narrativa claramente não é a estrela da produção. Ela está ali para empurrar você de uma missão para outra e criar um contexto para aquilo que está acontecendo na tela.
E não é exatamente um problema, porque o jogo fica muito mais interessante quando você está mexendo nas ferramentas do que quando está lendo os diálogos. A história poderia ser melhor desenvolvida, principalmente porque a própria ideia de uma conspiração envolvendo vigilância e hackers poderia render momentos muito mais interessantes. Algumas escolhas também parecem ter menos impacto do que a apresentação faz parecer. Em outras palavras, você pode até se importar com o que está acontecendo, mas dificilmente vai terminar o jogo pensando que acabou de participar de uma das grandes histórias de espionagem dos videogames. O interessante está muito mais naquilo que você faz para avançar do que nas pessoas que estão contando a história.
Gameplay
É aqui que HackHub realmente mostra suas cartas. A jogabilidade gira em torno da utilização de ferramentas e comandos para resolver diferentes situações. Você recebe um objetivo e precisa descobrir como chegar até ele, seja encontrando informações sobre determinado sistema, identificando máquinas em uma rede ou tentando acessar algum recurso protegido. O jogo utiliza conceitos reais para criar esses desafios, mas coloca tudo dentro de uma estrutura controlada para que você consiga avançar sem precisar ter um diploma em redes. Isso cria uma curva de aprendizado interessante, porque no começo você depende bastante das instruções, enquanto mais tarde começa a entender melhor o que está procurando e quais ferramentas podem ajudar.

O terminal é praticamente o personagem principal de HackHub. É nele que grande parte da ação acontece, e existe uma satisfação curiosa em ver um comando funcionando depois de alguns minutos tentando entender o que você deveria fazer. O problema é que essa mesma mecânica também pode ser responsável por alguns dos momentos mais irritantes. Existem situações nas quais o jogo parece esperar que você faça determinada ação exatamente da maneira que ele imaginou. Você pode saber o que precisa fazer, mas ainda assim acabar preso porque utilizou o comando de uma maneira que o jogo não esperava. Em vez de se sentir um hacker genial, você começa a se sentir um funcionário preenchendo formulário de imposto de renda. Algumas limitações da interface também podem incomodar, principalmente quando você está digitando comandos e precisa lidar com problemas de foco ou outras pequenas falhas que quebram a imersão.
Outro ponto importante é que o jogo usa nomes de ferramentas reais, mas isso não significa que tudo funcione exatamente como funcionaria fora dele. Algumas ferramentas e possibilidades foram modificadas para encaixar na estrutura das missões. Para um jogador casual, isso provavelmente não fará muita diferença e até ajuda a deixar a experiência mais acessível. Para alguém que já trabalha ou estuda segurança digital, entretanto, algumas simplificações podem ficar bastante evidentes. HackHub não deveria ser tratado como uma representação perfeita do hacking real, mas como uma versão gamificada e controlada dele. E, sinceramente, isso não diminui tanto a experiência. O objetivo aqui é divertir e criar a sensação de descobrir alguma coisa escondida, não ensinar você a invadir o computador do vizinho.
A progressão também ajuda bastante. Conforme você avança, as situações ficam mais interessantes e exigem que você utilize aquilo que aprendeu anteriormente. Existe uma sensação de evolução porque você começa dependendo das instruções e aos poucos passa a entender melhor o ambiente. O jogo consegue criar aquele pequeno orgulho quando você resolve uma missão e percebe que, dessa vez, não precisou ficar procurando cada comando na internet. É uma progressão simples, mas funciona.
O maior problema é que algumas missões podem parecer mais lineares do que deveriam. Em certos momentos, você não está exatamente descobrindo uma solução, mas tentando descobrir qual solução específica o jogo quer que você utilize. Isso tira um pouco da liberdade que a proposta poderia oferecer, principalmente porque a fantasia de hacking funciona melhor quando o jogador sente que encontrou seu próprio caminho.

Mesmo com essas limitações, o gameplay é o grande motivo para continuar jogando. HackHub pega uma atividade que normalmente seria completamente entediante para a maioria das pessoas e transforma aquilo em um pequeno quebra-cabeça. Você começa procurando uma informação, encontra outra, percebe que ela pode levar a algum lugar e, quando vê, está envolvido tentando entender uma rede virtual. Não é um jogo de ação e também não tenta ser. É mais próximo de resolver problemas diante de um computador, só que com uma trilha sonora e a sensação de que você está fazendo algo que provavelmente deixaria o departamento de TI bastante preocupado.
Direção de arte
Visualmente, HackHub sabe exatamente onde precisa colocar seu esforço. Como grande parte da experiência acontece diante de um computador, a interface tem uma importância enorme e funciona bem para criar essa atmosfera de trabalho digital. Terminais, janelas, informações e elementos da interface ajudam a passar a sensação de que existe muita coisa acontecendo por trás daquela tela.
O som também ajuda a construir esse ambiente tecnológico, embora não seja algo que vá ficar na memória depois que você desligar o jogo. A apresentação geral é competente e combina com a proposta, mas alguns elementos poderiam receber um pouco mais de atenção. HackHub não precisa ser bonito da maneira tradicional. Ele precisa ser convincente dentro daquilo que está tentando fazer, e nesse aspecto a direção de arte consegue cumprir seu papel. Você olha para aquela interface e imediatamente entende que o jogo quer colocar você dentro de um ambiente digital, então, funciona.

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