Se tem uma coisa que me atrai em um jogo logo de cara é uma boa atmosfera sombria combinada com um combate dinâmico. Quando recebi a chave de Crimson Moon, confesso que a minha expectativa e o meu hype foram parar lá no alto. O jogo promete uma mistura direta de hack and slash visceral com a estrutura punitiva e viciante dos roguelites, tudo embrulhado em uma estética gótica pesada.
Depois de encarar várias horas de gameplay, explorar seus sistemas e morrer um bocado de vezes, cheguei ao meu veredito final. Ele cumpre o que promete, mas não sem antes deixar transparecer alguns tropeços técnicos que merecem a nossa atenção.
A Queda de Gildenarch e o Fardo dos Nephilim
A premissa narrativa de Crimson Moon serve como o combustível ideal para a pancadaria. Esqueça linhas de diálogo intermináveis ou cutscenes cinematográficas gigantescas, a lore aqui é mais direta e introdutória. O foco principal é te colocar na pele de um Nephilim um ser poderoso encarregado de purgar as forças sombrias e os horrores que dominaram a região.


Na Missão II, por exemplo, visitamos a Catedral de Arquipináculo, outrora um centro vibrante de devoção à fé lunitariana em Gildenarch que sucumbiu a uma maldição insidiosa provocada pelo medo, sigilos e ambições desenfreadas. É uma introdução eficiente que contextualiza por que você está ali, o que precisa enfrentar e por que a Morte não é o fim da sua jornada.

O Loop de Gameplay: Morte, Hub e Progressão Permanente
O coração de Crimson Moon bate no ritmo clássico dos roguelites modernos. Você parte para uma incursão, avança limpando as salas, coleta recursos e, eventualmente, vai sucumbir ao combate. Ao morrer, você retorna para o hub central o refúgio seguro onde a progressão real acontece.



No hub, você encontra figuras essenciais para a sua evolução:
- O Ferreiro Gajov: Permite reforjar e melhorar a qualidade do seu equipamento, além de colocar à venda armas únicas a cada partida à medida que você evolui sua base.

- O Mercador: Oferece consumíveis cruciais, como frascos e arremessáveis (a exemplo das Bombas Explosivas), que ajudam a equilibrar o jogo antes de você partir para o próximo distrito.

- Quests Secundárias: Os próprios NPCs do hub entregam tarefas adicionais que garantem materiais raros e recursos valiosos.

Quando você retorna às áreas do jogo, o fator procedural entra em ação. Inimigos mudam de posição, certas rotas se fecham enquanto novos caminhos se abrem, garantindo que o ciclo de “fazer a limpa” nas salas até encontrar a porta para o próximo setor não se torne repetitivo rapidamente.
Builds, Bênçãos e a Arte de Criar Synergies
Durante as incursões, o jogo brilha ao oferecer escolhas táticas constantes. Ao derrotar chefes de salas ou abrir baús valiosos, você se depara com o sistema de Bênçãos de Portão, no qual precisa escolher uma entre três opções de buffs para aquela run específica.

É possível encontrar melhorias como a Feitiçaria Ligada à Alma, que aumenta o dano elemental com base nas almas acumuladas, ou itens como a Joia do Crescimento e a Espada Larga do Juramento Carmesim. Testar combinações como aplicar congelamento, sangramento ou veneno enquanto gasta mana com feitiços pesados transforma cada tentativa em uma experiência com identidade própria.

Além disso, o jogo conta com um modo coop bem estruturado. Você pode criar salas privadas para jogar online com amigos ou buscar partidas rápidas para encarar os desafios em equipe. Jogar acompanhado muda o ritmo do combate e deixa o caos na tela ainda mais divertido.
Gráficos e Desempenho: O Gargalo da Otimização
Se na jogabilidade o jogo me segurou com facilidade, no setor técnico a história exige alguma cautela. Eu rodei o jogo no meu setup equipado com uma RTX 5070, um Ryzen 9 7900 e 32 GB de RAM DDR5. Mesmo em uma maquina com poder de sobra para encarar qualquer lançamento atual sem suar, senti que o jogo está visivelmente pesado.
Quer você jogue com as configurações no Épico ou baixe para o Médio, fica claro que Crimson Moon padece de uma falta de otimização refinada. A taxa de quadros oscila mais do que deveria e a fluidez do combate por vezes é prejudicada.
Visualmente, a direção de arte é bonita e a iluminação gótica impressiona em vários momentos, mas há uma certa oscilação no nível de detalhe dos cenários e modelos. É o tipo de jogo que transita entre um visual impressionante em uma sala e um acabamento um pouco cru ou carente de polimento na sala seguinte.



Vale a Pena Encarar Crimson Moon?
Crimson Moon entrega exatamente o que o nicho de Action Roguelites procura, um combate visceral, um ciclo de recompensas extremamente viciante e uma sensação gratificante de ver seu Nephilim evoluir a cada tentativa.
Apesar de a otimização no PC estar pesada e o acabamento visual precisar de updates de refinamento por parte dos desenvolvedores, a fundação do jogo é sólida e promissora. Se você é fã do gênero, busca um título desafiador para jogar solo ou em coop e não se importa em enfrentar alguns tropeços de performance enquanto as correções não chegam, é um game que vai te prender por muitas e muitas horas.

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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.