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Mythmon: Mythic Monsters | PC Review

Mythmon: Mythic Monsters mistura criaturas fofinhas, estratégia e batalhas automáticas em uma fórmula que parece ter sido criada depois de alguém jogar Pokémon, um RPG tático e um jogo de celular ao mesmo tempo. A proposta é montar uma equipe de monstros, equipar cada um deles e enfrentar o exército do Rei Demônio. O jogo oferece mais de 30 Mythmon, mais de 140 equipamentos e diferentes combinações de formação, habilidades e efeitos.
Mythmon

A história é simples: o mundo está ameaçado, o Rei Demônio está fazendo hora extra e cabe a você reunir um grupo de monstrinhos para resolver o problema. Não espere uma grande aventura cheia de diálogos marcantes. A narrativa existe mais para dar um motivo às batalhas, porque o verdadeiro objetivo aqui é deixar seus bichinhos cada vez mais fortes e pegar equipamentos melhores. E, sinceramente, se o destino do mundo depende de até cinco criaturas fofas batendo em monstros, talvez a humanidade já esteja mesmo precisando de ajuda.


Gameplay


O gameplay de Mythmon é baseado em batalhas automáticas. Você monta sua equipe, escolhe os equipamentos, define a formação e deixa os monstrinhos fazerem o trabalho pesado. Isso não significa que o jogador fica completamente sem fazer nada. A parte mais importante acontece antes da luta, quando você precisa decidir quem vai ficar na frente, quem fica pelo meio, quem vai atacar de longe e quais criaturas combinam melhor entre si. É possível montar um grupo com até cinco Mythmon, divididos entre três posições: linha de frente, meio e retaguarda. Os mais resistentes ficam na frente segurando a pancada, enquanto os personagens mais frágeis tentam causar dano sem serem transformados em decoração de masmorra.

Essa preparação é o que dá alguma profundidade ao jogo. Cada Mythmon possui características próprias, comportamentos e traços que podem ser melhorados conforme ele sobe de nível. Alguns atacam determinados tipos de inimigos primeiro, outros oferecem bônus para a equipe e existem criaturas que funcionam muito melhor quando combinadas com equipamentos ou habilidades específicas.

A ideia é experimentar até encontrar uma formação que faça sentido. O problema é que, em alguns momentos, essa estratégia parece mais importante no menu do que durante a batalha. Depois que a luta começa, você fica bastante tempo assistindo aos personagens atacarem sozinhos, torcendo para que a sua escolha tenha sido menos ruim do que a do inimigo. É quase como montar um time de futebol e depois assistir à partida pela televisão sem poder reclamar com o técnico.

O sistema de equipamentos é provavelmente a parte mais interessante de Mythmon. Os inimigos deixam armas e itens para trás, e você pode pegar esses equipamentos e colocar nos seus próprios monstros. O detalhe mais legal é que a arma usada pelo adversário pode ser justamente aquilo que vai fortalecer sua equipe. Isso cria uma motivação muito boa para continuar avançando, porque cada batalha pode render algo que muda completamente o desempenho de um personagem. Você derrota um inimigo usando uma espada poderosa e pensa: “Obrigado pela contribuição, amigo”. É praticamente um sistema de reciclagem, só que com violência e criaturas mágicas.

Mas existe um risco importante. Se você perder uma batalha, pode acabar entregando um dos seus equipamentos para o inimigo. Isso transforma alguns confrontos em uma espécie de aposta. Você pode continuar avançando para tentar conseguir uma arma melhor ou recuar para proteger o que já conquistou. Essa mecânica funciona bem porque dá mais peso às derrotas. Em muitos jogos do gênero, perder significa apenas tentar novamente. Aqui, perder pode deixar seu grupo mais fraco e fortalecer o adversário. É o tipo de situação que faz você pensar duas vezes antes de entrar em uma batalha, principalmente quando está carregando aquele equipamento raro que levou uma eternidade para conseguir.

Mythmon

As batalhas também contam com diferentes efeitos de status e habilidades de armas. Existem mais de dez efeitos que podem influenciar os confrontos, além das características individuais dos Mythmon. Isso ajuda a criar combinações variadas e evita que tudo dependa apenas de quem possui o maior número de ataque. Uma equipe pode apostar em resistência, outra em dano rápido e outra em efeitos que atrapalham os inimigos. Na teoria, existe bastante espaço para montar estratégias diferentes. Na prática, o jogo nem sempre consegue fazer essas escolhas parecerem tão importantes quanto deveriam. Em alguns momentos, a sensação é de que melhorar os números resolve mais problemas do que pensar em uma formação realmente inteligente.

A progressão segue aquela fórmula conhecida: vencer batalhas, ganhar equipamentos, melhorar os monstros e enfrentar inimigos cada vez mais fortes. É simples e funciona, principalmente para quem gosta de ver números subindo e desbloquear coisas novas. O problema é que o conteúdo parece um pouco limitado. O elenco tem cerca de 30 criaturas e, conforme você avança, pode acabar encontrando os mesmos Mythmon várias vezes. Para um jogo que também se vende como colecionador de monstros, seria interessante ter mais variedade e algum tipo de compêndio para registrar as criaturas encontradas. Afinal, se eu vou passar horas coletando monstrinhos, quero pelo menos uma enciclopédia para provar que não estou desperdiçando meu tempo.

Mythmon

Outro ponto que incomoda é o limite de nível ligado ao avanço pelas fases. Em vez de permitir que você fique treinando seus Mythmon livremente para voltar e destruir uma área antiga, o jogo limita parte desse crescimento de acordo com o progresso. A intenção provavelmente é impedir que o jogador fique forte demais e passe por tudo sem dificuldade, mas isso pode frustrar quem gosta de evoluir bastante antes de encarar um desafio. Eu gosto de entrar em uma área nova completamente acima do nível recomendado e transformar o chefe em lembrança de família. Mythmon não parece muito interessado em permitir esse tipo de abuso.

O ritmo das lutas é relativamente rápido e existe opção de acelerar os combates, o que ajuda bastante. Ninguém merece assistir a cinco criaturas trocando golpes durante dez minutos só porque o inimigo tem uma quantidade absurda de vida. Ainda assim, a experiência pode ficar repetitiva depois de algumas horas, principalmente porque o jogador participa mais da preparação do que da ação em si. Quem gosta de auto battlers provavelmente vai se sentir em casa. Já quem espera controlar os monstros diretamente, escolher cada ataque e comandar tudo em tempo real pode acabar olhando para a tela e perguntando se o jogo está funcionando. Está sim. Ele só quer que você pense antes e depois fique assistindo.

Mythmon

Direção de arte geral


Visualmente, Mythmon aposta em criaturas fofas em 3D com visão isométrica. Os monstros têm designs variados, misturando animais, criaturas fantásticas e seres que parecem ter saído de um livro infantil depois de tomar muito energético. A ideia de colocar personagens adoráveis em batalhas contra o exército do Rei Demônio funciona bem e cria um contraste divertido. Você vê um monstrinho simpático entrando em campo e espera que ele faça carinho no inimigo. Cinco segundos depois, ele está destruindo o sujeito com uma espada gigante.

A apresentação, porém, não é exatamente o ponto mais forte do jogo. A qualidade dos modelos dos monstros e os menus não são tão simpáticos. Existem criaturas interessantes, mas também há momentos em que o jogo parece usar elementos genéricos demais. Os equipamentos também chamam atenção por serem armas humanas usadas pelos monstros, o que pode parecer estranho dependendo da criatura. Ver um bichinho mágico segurando uma espada maior que o próprio corpo é engraçado, mas também mostra que o jogo nem sempre se preocupa em fazer tudo combinar perfeitamente, se isso foi proposital, não sei.

Mythmon: Mythic Monsters | PC Review Mythmon
PATÔMETRO
Conclusão
O jogo tem uma ideia simpática e um sistema de equipamentos que realmente consegue prender a atenção. A possibilidade de roubar as armas dos inimigos, melhorar seus Mythmon e decidir se vale a pena continuar avançando ou recuar é o grande destaque. A formação também oferece algumas opções estratégicas, principalmente para quem gosta de testar combinações e montar uma equipe eficiente. As batalhas rápidas e automáticas combinam com a proposta, mas deixam claro que o jogo depende muito mais da preparação do que do controle direto. O problema é que a experiência ainda parece menor do que poderia. A quantidade de criaturas é limitada, o conteúdo pode ficar repetitivo, o limite de nível incomoda e a interface não ajuda tanto quanto deveria. Além disso, o sistema de batalha nem sempre entrega a profundidade que a proposta promete. Em muitos momentos, parece que a melhor estratégia é simplesmente conseguir equipamentos melhores e torcer para que seus monstrinhos batam mais forte. Mesmo assim, Mythmon pode agradar quem gosta de auto battlers, colecionar criaturas (mesmo que poucas) e ficar montando equipes até encontrar a combinação perfeita. Ele não é um novo fenômeno dos monstros de bolso, mas tem uma proposta divertida e um sistema de saque que dá vontade de continuar jogando. Claro, precisa de mais conteúdo e melhorias.
Notas do Visitante0 Votes
0
PROS
Criaturas fofas e visual simpático.
Sistema de equipamentos roubados dos inimigos é uma ideia interessante.
Formações e composição da equipe dão alguma liberdade estratégica.
Boa quantidade de equipamentos para coletar.
Combate automático fácil de entender.
CONTRAS
A variedade de monstros pode parecer limitada.
A repetição aparece relativamente rápido.
O visual não tem uma identidade tão marcante.
A interface poderia ser mais organizada.
O limite de nível por fase pode frustrar.
6
NOTA FINAL

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