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Review | Beast of Reincarnation PS5

Review | Beast of Reincarnation PS5 Beast of Reincarnation

Beast of Reincarnation é um RPG de ação com ideias interessantes, mas execução bastante irregular, marcando uma tentativa ambiciosa da Game Freak de se afastar da imagem criada por Pokémon. Jogando no PS5 base, a aventura de Emma e Ko se destaca pelo combate satisfatório e pelo mundo pós-apocalíptico, mas sofre com repetições de inimigos, ritmo arrastado e inúmeros problemas de desempenho que impedem o jogo de alcançar todo o potencial que promete.

Tendo concluído a história e explorado o suficiente de suas áreas abertas com cerca de 22h de gameplay, me considero pronto para fazer o presente review.

Emma, Ko e a Pestilência

A história já inicia com a protagonista Emma partindo para o combate, em uma cena que revisitaremos apenas em um dos segmentos finais do jogo, mas que no momento nos serve como tutorial rápido e bem raso, mas que é relevável porque o combate do jogo acaba sendo bem intuitivo.

Na sequência, começamos a aprender mais sobre a história e sobre o mundo que nos cerca, onde a “Pestilência” é como uma praga que se alastra por essas terras, espalhados por criaturas conhecidas como “Profanos” e por pessoas como Emma, que já nasceu infectada e desprovida de qualquer emoção, mas que recebeu ‘poderes’ em contrapartida.

Encarregada de eliminar esses Profanos, não demora muito até que Emma seja ordenada a caçar e enfrentar Ko, um Profano no formato de um lobo branco. No entanto, a protagonista se apieda e poupa a vida da criatura, cuidando de seus ferimentos e a tratando com diligência.

Não é segredo para ninguém que ali se cria uma ligação entre eles, a qual é aprofundada e explicada no decorrer do jogo.

O objetivo de Emma nesta jornada não demora muito a surgir: quando a Capital descobre que o aumento da Pestilência se dá devido ao ressurgimento da “Fera da Reencarnação”, a protagonista é convocada para caçar cada um dos vários Nushis (criaturas enormes corrompidas pela peste) que assolam o país, auxiliando as populações em seu caminho e fortalecendo-se o suficiente para enfrentar a Fera no final de sua jornada.

Uma história que demora a engrenar

Toda a construção do mundo de Beast of Reincarnation é extremamente bem encaixada, levando a uma história intrigante e misteriosa que se segura bem até os momentos finais do jogo, amarrando-se de forma coesa e interessante, tomando rumos que certamente me surpreenderam, mas que por pouco não me decepcionaram.

É suficiente dizer que algumas das revelações, principalmente na parte final do jogo, me despertaram uma reação de “Era só isso?” ao invés “Nossa, era isso!”.

Em resumo, a história conseguiu me entreter, mesmo que pudesse ter sido reduzida consideravelmente, pois seus capítulos intermediários pouco acrescentam à trama e são bem monótonos.

Não é exagero dizer que essa jornada poderia ser facilmente contada na metade do tempo em que foi efetivamente utilizado, o que é uma pena, pois inflar o jogo artificialmente dessa maneira é um dos grandes motivos pelo qual ele se torna imensamente repetitivo.

Quanto à conclusão da experiência, sou obrigado a dizer que ela também é muito menos grandiosa do que eu esperava, mas conseguiu me deixar bem satisfeito quando o finalizei. 

Os aliados e inimigos de Emma

Os personagens são um dos pontos mais importante dessa trama.

Emma é uma protagonista que inicia incrivelmente sem-sal, mas que foi crescendo progressivamente no meu conceito durante o jogo, como se cada vez tivesse mais alma e personalidade, chegando ao final do jogo com uma personalidade mais definida e marcante.

Quanto aos personagens secundários, a grande maioria possui histórias de origem muito interessantes, mesmo que no decorrer do jogo sejam utilizados apenas para participar de diálogos pouquíssimo inspirados.

Inclusive, era sofrível ver algumas das cutscenes de conversas desse jogo, as quais retratavam os personagens absolutamente estáticos de forma inatural. Mas essa nem era a pior forma que os diálogos se apresentavam, porque alguns deles eram exibidos simultaneamente às lutas e momentos de ação, momentos em que era impossível de se parar para ler as legendas, o que acabou me prejudicando bastante por estar jogando em japonês, idioma no qual não sou fluente.

Ainda assim, consegui me importar o suficiente com alguns deles, dando um imenso destaque para Violet, mas também para Kagura, Brad, Kunai e Shidou. Uma pena que a conclusão da história de cada um desses personagens seja extremamente previsível e, muitas vezes, bem toscas.

O carismático Ko merece um destaque apartado, tendo em vista que nos auxilia magistralmente em todos os combates e ainda oferece sua dose de fofura enquanto nos acompanha. É uma pena que o seu deslocamento se dava apenas por teletransportes ao nosso redor, levantando inúmeras partículas de terra, flores e grama, atrapalhando bastante a visibilidade (tanto em combate, quanto na exploração).

Não posso revelar quem são os antagonistas para evitar spoilers, mas confesso que os achei bem medíocres… Se a jornada até os seus confrontos não fosse extremamente interessante, eles seriam completamente esquecíveis.

 O combate é um dos poucos acertos do jogo

Falando nos vilões, inevitavelmente temos de mencionar o combate do jogo, o qual é o cerne de todo o gameplay. Para a minha felicidade, o combate é muito satisfatório, baseado em aparos precisos, combos rápidos e utilização dos poderes de Ko como suporte.

A ação do jogo é acelerada e nos vemos constantemente cercados de inimigos, mas sempre temos ferramentas para derrotá-los: seja usando nossa própria katana, uma das armas à distância, um golpe especial ou ainda um poder de nosso aliado canino.

A dificuldade dos combates é equilibrada, tornando-se progressivamente mais fácil conforme evoluímos a personagem, ficamos mais afiados na mecânica e nos acostumamos com os padrões repetitivos de ataques dos inimigos. Infelizmente, eu explorei o suficiente a ponto do chefe final do jogo não me oferecer qualquer tipo de desafio.

É importante ressaltar que apesar do combate ser bem divertido, ainda existem pontos bem ruins quanto à ele que se mostram presentes no decorrer do jogo:

  1. A câmera do jogo era muito ruim, em especial em ambientes confinados. Recentemente o jogo recebeu um patch para adereçar esse problema, mas sou obrigado a ressaltar que finalizei o jogo com ela sendo bem limitada;
  2. A variedade dos inimigos era tão pequena que não se limitavam aos inimigos “comuns”, com Beast of Reincarnation tendo a audácia de reciclar até mesmo os chefes “principais” da história, mais de uma vez!

Quanto à exploração, ela inicia muito satisfatória, em especial ao considerarmos a facilidade que Emma tem de atravessar o mapa utilizando-se de seus poderes da Pestilência, seja com o impulso das raízes, a criação delas para formar caminhos ou ainda a utilização destas como um arpão/gancho.

No entanto, assim como diversos pontos desse jogo, a exploração também acaba ficando exaustiva, mesmo quando ainda estamos ali pela metade do jogo.

Por último, outro ponto positivo a se destacar é Bauera, o veículo onde alguns de nossos aliados se encontram e podemos aprimorar armas, equipamentos, habilidades, bem como podemos nos envolver com um sistema bem simples de plantação, cuidado de animais e receitas culinárias, que apesar de não terem muita profundidade, passam uma sensação de lar muito bem-vinda na agitação daquele mundo pós-apocalíptico.

Um Japão devastado

Pelo menos, passar todo esse tempo dentro desse mundo devastado se torna consideravelmente menos penoso quando conseguimos apreciar as paisagens ao nosso redor.

Apesar de apreciar os visuais do jogo, infelizmente eles se repetem com bastante frequência, com aproximadamente metade dos vários mapas apresentados tendo uma mesma temática visual. Ainda assim, cada uma delas tem travessias bem variadas, que felizmente me faziam sentir que ainda havia alguma pequena diferença entre cada uma delas.

Bonito? Sim. Mal otimizado? Muito!

O design dos personagens é muito bem-feito! A grande maioria dos personagens chama a atenção de maneira positiva (Kunai, Kagura, Violet, Ko, e a própria Emma), apesar de algumas aparências genéricas como a de Brad.

O design dos inimigos é bem competente, mas acabamos nos deparando com os mesmos adversários quase que o tempo todo, o que nos faz logo parar de apreciar sua beleza.

No entanto, faço um pequeno adendo à bela aparência dos chefes, principalmente em suas segundas fases, quando são completamente tomados pelas plantas da Pestilência!

Já quanto a trilha sonora, novamente trago péssimas notícias: ela tão repetitiva que tive de tomar uma decisão que NUNCA havia me ocorrido em nenhum jogo até a presenta data.

Ainda nas primeiras horas de jogo, eu abaixei o volume da música geral para apenas 10%, de tão insuportável que era ouvir a MESMA FAIXA em loop por horas e horas de exploração.

Por último, quanto ao aspecto técnico jogando em um PlayStation 5 (base), sou obrigado a relatar que a experiência não foi das melhores. Apesar de não sofrer com bugs dignos de nota, o FPS do jogo era constantemente ruim, como se nunca conseguisse se manter estável. Felizmente, os patches mais recentes do jogo prometem ter resolvido tais problemas, mas confesso que não tenho vontade nenhuma de voltar para repetir a dose!

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PATÔMETRO
Conclusão
Beast of Reincarnation possui boas ideias e um combate capaz de sustentar parte da aventura, mas termina como uma experiência apenas razoável. A relação entre Emma e Ko funciona, a história desperta curiosidade e atravessar esse Japão devastado pode ser divertido, principalmente durante as primeiras horas. Entretanto, o ritmo se perde nos capítulos intermediários e muitos desses acertos acabam desgastados pela repetição excessiva de inimigos, chefes, cenários, trilha sonora, bem como pelo desempenho constantemente instável no PS5 base. Existe uma boa base aqui, mas o resultado final está mais próximo de uma experiência mediana do que de um jogo verdadeiramente marcante.
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