Boa Leitura!

Trails in the Sky chapter 2nd | PC Review

Não há como começar esta review senão já agradecendo ao time de desenvolvedores da Nihon Falcom e também aos parceiros de distribuição, que possibilitaram a quem sempre foi apaixonado por JRPGs testar seu mais novo lançamento. Já adianto que foram quase 60 horas de jogo, que tão bem me introduziram neste universo que é difícil me imaginar, daqui para frente, sem tê-lo como referência. Trails in the Sky the 2nd, se é que é possível falar dessa forma, abre um horizonte completamente diferente para o que foi o gênero dos JRPGs no meu 2026, superando não só as expectativas que eu já tinha, como me deixando curioso pelo que a saga pode entregar depois das pontas que este final deixa, atiçando nossa curiosidade.
Trails in the Sky chapter 2nd

Te convido hoje a ouvir um pouco do que foi a minha experiência com alguma tecnicidade, sim, mas acima de tudo com o sentimento transportado, na medida do possível, até onde as palavras podem entregar. E espero que, ao fim desta leitura, você se sinta mais do que impulsionado a adquirir este segundo título.

“Por que eu mudaria alguma coisa na garota que eu amo?”

Abrir com esta frase de Joshua e seu declarado amor por Estelle Bright, a protagonista de Trails in the Sky the 2nd, pode de alguma forma fazer parecer que a existência dela está atrelada à presença física ou à memória de Joshua, o que seria por si só, um erro de análise, de concepção e também de conclusão. Não pretendo, portanto, induzi-lo a este mesmo caminho. Pelo contrário. Como diversas vezes mencionada enquanto uma estrela ou mesmo o “mais brilhante dos raios do sol”, Estelle Bright realmente “brilha” neste universo que a Nihon Falcom tão bem entrega nesta sequência, dando vida particular a cada uma das interações com as quais ela se envolve ao longo da jornada.

Trails in the Sky 2, como preferirei chamá-lo nesta review, é essencialmente uma continuação que ganha muito na experiência final caso você tenha tido contato com o primeiro jogo. Não vou negar que quase soa como algo necessário ou, pelo menos, que desperta aquela inveja saudável de quem pôde experimentar a sequência em ordem cronológica perfeita. No entanto, ao retornarmos e fazermos a ponte com o que abre este tópico, diria que, independentemente de onde você vem ou de como chega a este jogo, você é tão bem recebido pela construção de personagens que fica difícil sequer pensar em sair para só voltar depois de zerar o original. Pelo contrário: o que fica é a vontade não só de saborear este segundo capítulo até o fim, mas também de revisitar a aventura logo depois para capturar cada detalhe.

Estelle Bright está par a par com um dos melhores desenvolvimentos femininos e, em especial, de uma jovem mulher, que já vi nos videogames. Ela, assim como o esperado de alguém da sua idade, não só é um poço de confusão e frustrações, com sonhos desafiados, memórias despedaçadas e laços abalados pelos acontecimentos, como também se revela, ao longo de toda a trajetória, um ponto de encontro para a sensatez, a determinação e a admirável capacidade de aprender com os próprios erros. Sendo assim, a escolha de abrir com uma declaração de Joshua não é uma constatação de dominância dele sobre a existência dela, tampouco uma codependência. Estelle é um universo completamente à parte do que Joshua está vivendo; em uma jornada de amadurecimento, descoberta de si mesma e redescoberta do mundo, ele definitivamente é só mais um dos elos que se entrelaçam na história do “raio mais brilhante de toda a nação”.

Estelle é uma amiga, uma irmã e uma presença de que este reino não só perceberá que precisa, como também aprenderá muito. É gratificante ver um trabalho tão dedicado na escrita de uma personagem feminina e um respeito profundo, antes de tudo, ao seu indivíduo, à sua idade e aos dilemas que alguns podem julgar com pressa, sem perceber o quanto perdem ao não fazer o exercício mais básico que um bom jogo exige: o de se colocar por inteiro na vida daquela história.

Ter este hobby me parece ser, antes de tudo, ter a capacidade de expandir a nossa empatia e a nossa criatividade para além dos limites da própria vida.

Trails in the Sky chapter 2nd

“Bom, eles são o exército nacional e nós somos uma força internacional de civis.”

Uma interessante construção de universo que este segundo título da série aborda é o confronto iminente e inevitável entre as forças armadas nacionais e as organizações paralelas, como é o caso das guildas representadas por Estelle e seus amigos. Fica explícito em vários pontos (e implícito em outros) que esse convívio nem sempre é positivo, mesmo que haja uma relação amistosa entre membros de ambos os grupos. Tais interesses continuam sendo alvo de desconfiança em virtude dos eventos do primeiro jogo. Sem entrar em detalhes para não estragar a experiência de quem ainda não jogou o original, basta saber que foram acontecimentos suficientemente impactantes para colocar em risco a linhagem monárquica e levantar dúvidas sociais e estruturais acerca das reais intenções do exército e de seus comandantes.

Trails in the Sky chapter 2nd

Com Estelle, lidamos com esse panorama pela ótica dos membros mais novatos da guilda. Contudo, à medida que subimos na hierarquia, seja concluindo missões secundárias, seja avançando pelos eventos principais; tornam-se cada vez mais nítidos os atritos entre os ambientes que frequentamos e aquilo que o exército teme para o reino. De golpes e espiões a infiltrações e ataques estrangeiros, as terras que a protagonista percorre em sua longa jornada estão longe de ser um refúgio de calmaria. Ainda que a fauna, a flora e a introdução de cada novo personagem ao longo dos capítulos sejam marcantes, isso em nenhum momento esconde a dúvida central: se os homens são o verdadeiro perigo ou se este mundo, cada vez mais misterioso, guarda a ameaça real.

Há monstros demais pelo caminho e isso não é uma reclamação.

Se tem algo na gameplay e no mundo prático de Trails in the Sky the 2 que realmente me marcou e vale a menção, é definitivamente a forma como o seu mundo é povoado. E aqui me refiro ao povoamento por monstros, nossos principais e maiores inimigos do dia a dia.

Pertencendo a uma guilda, não só temos de lidar com estas criaturas pela praticidade de cruzar de um ponto a outro, mas também por obrigação e como parte do trabalho de proteção da vida daqueles que não possuem as mesmas habilidades ou acesso às mesmas técnicas. Neste universo, o confronto pode acontecer por meio de um combate tático ou em um focado em ação, opções que o jogador decide conforme o que melhor lhe encaixa. Embora algumas batalhas sejam presas ao modo de combate tático, onde alternamos turnos com os inimigos, preparamos ataques ou fazemos combos à medida que acumulamos pontos de ataque crítico, você continua livre para perambular pelos mapas das regiões, escolhendo com quem interagir. As lutas aqui são, por mais irônico que possa parecer, completamente opcionais: na vastidão dos mapas, é preciso que você engate ativamente e corresponda aos ataques dos inimigos para só então entrar em confronto direto.

Trails in the Sky chapter 2nd

Se não quiser fazer isso, estiver cansado ou apenas com pressa, pode simplesmente correr de uma ponta a outra, evitando as lutas e fugindo de cada um dos perigos.

Algumas das caças, inclusive, são tidas como perigosas exatamente pela certeza da força das criaturas frente ao seu nível atual na campanha. Embora isso não faça tanta diferença na maior parte dos enfrentamentos comuns, nas lutas de mundo aberto eu senti que sim, é um aspecto com seu relativo peso.

Trails in the Sky chapter 2nd

O bestiário que este segundo jogo entrega não é só surpreendentemente vasto, mas também incrivelmente diverso e criativo. Fora criaturas típicas de determinadas regiões ou algumas que me pareceram icônicas da franquia, todo o resto apresenta um mar de ideias e conceitos completamente diferentes do que você possa ter visto em outros jogos. Diferente de outros JRPGs, especialmente os mais antigos, o manejo dos encontros em Trails faz com que a experiência não só seja divertida, mas também muito bacana de explorar.

The Whereabouts of Light faz parte de uma trilha sonora composta com a alma.

Chego com este tópico a uma das partes que mais aproveitei de toda esta aventura: a trilha sonora. The Whereabouts of Light, música atribuída a Joshua, acompanha não só a nossa trajetória como também é um marco dos momentos mais tocantes que tive nestas quase 60 horas de jogo. Ela e toda a composição somada dos trabalho dos artistas ligados ao projeto, transferem e conectam com perfeição o papel que uma trilha sonora deve exercer na gameplay, sabendo exatamente o momento de causar tensão e esquentar os nervos, bem como de acalmar ou sinalizar que algo triste está por vir.

Particularmente gostei da maior parte das músicas de batalha. Ainda que elas, por óbvio, se repitam bastante em virtude da extensão da campanha (que pode se estender ainda mais se você se ater a concluir todas as missões secundárias), era mais do que evidente que eu ouviria algumas dessas faixas uma, duas, cinco, dez vezes, quem sabe até em sequência. Mas, mesmo com essa repetição que pode ser para alguns algo além do devido, termino esta review considerando que a trilha que Trails in the Sky the 2 carrega consigo, não só é cheia de sentimentos e propostas, como também uma das mais marcantes deste ano.

“Se lembra do que Ele nos disse? Em algum lugar do mundo, o perigo vai voltar a crescer.”

Trails in the Sky chapter 2nd

Com este título, encerro aqui a minha análise e também o que foi a minha experiência nesta pequena parcela do continente. Trails in the Sky chapter 2nd fica marcado no meu ano como uma experiência extraordinária, que sabe muito bem combinar o senso de dever diante da situação e dos inimigos que surgem com uma alta fantasia que poucas franquias conseguem estabelecer tão bem. A forma como a modernidade do seu mundo funciona e, principalmente, as bases teóricas e práticas do porquê de cada engrenagem estar estabelecida daquela forma, não só é muito bem explicada, como também perfeitamente integrada ao dia a dia. Ainda que você não aprecie um ou outro aspecto, perceberá que, em níveis de dificuldade normais ou mais acessíveis, eles perturbam muito pouco a sua gameplay e a presença prática nos combates, tornando-se recursos muito mais opcionais para quem gosta de explorar cada detalhe do que uma métrica rígida imposta pelo jogo.

Trails in the Sky chapter 2nd | PC Review Trails
PATÔMETRO
Conclusão
Mais do que uma aventura JRPG em sua estrutura, considero que Trails in the Sky chapter 2nd é um grande épico fantástico e romântico, com uma protagonista forte e brilhantemente construída a ponto de, quem sabe, estarmos testemunhando o nascimento de uma das figuras mais marcantes da história dos videogames modernos. Parabéns aos desenvolvedores e meu muito obrigado por esta oportunidade.
Notas do Visitante0 Votes
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PROS
História
personagens
sistema de gameplay
mapas
variedade de inimigos
batalhas de chefões
trilha sonora
cutscenes
missões
CONTRAS
Bugs sonoros
10
NOTA FINAL

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