Buscar por um aluguel barato na vida real já costuma render algumas histórias complicadas. No entanto, em Welcome to Kowloon, a premissa de um jovem estudante tentando encontrar uma moradia econômica no infame distrito de Kowloon rapidamente se transforma em algo muito pior. O título de terror indie, que já havia feito sua estreia no PC, chega agora aos consoles Xbox. Tive a oportunidade de testar o jogo na plataforma graças ao envio da chave diretamente pelo estúdio e trago aqui minhas impressões sobre a experiência.
Uma Premissa Simples com Foco Total na Tensão
A história de Welcome to Kowloon é bastante direta. Como mencionado, assumimos o papel de um jovem que se muda para um apartamento de baixo custo em uma área notoriamente densa e sombria. Para quem procura um enredo profundo e cheio de reviravoltas, fica o aviso, a lore do jogo é bastante rasa e quase não possui peso no decorrer da jornada. É uma pena que a narrativa não receba o destaque que poderia, funcionando apenas como um pretexto raso para colocar o jogador dentro daquele ambiente hostil.
Por outro lado, o grande trunfo do jogo está na sua capacidade de construir uma ambientação claustrofóbica. A direção de arte consegue transmitir uma sensação constante de desconforto. Do início ao fim, a atmosfera te deixa em um estado contínuo de tensão, como se algo estivesse te espreitando a cada corredor escuro ou esquina mal iluminada. Se o objetivo era criar um clima de angústia e entregar bons sustos, o título acerta em cheio nesse quesito.

Os Desafios Técnicos na Movimentação e Interação
Apesar de se destacar na atmosfera, o jogo falha consideravelmente em aspectos técnicos que afetam o ritmo da gameplay. O problema mais incômodo está na movimentação da câmera. Não se trata daquele balanço natural de caminhada que simula os passos do personagem, mas sim da precisão do próprio direcional. A movimentação da câmera é estranha, dura e imprecisa. Mesmo tentando ajustar as configurações de sensibilidade nos menus do jogo, a sensação de desconforto persiste, o que atrapalha um pouco a imersão nos consoles.
Outro ponto que merece crítica é o sistema de detecção de itens. Para localizar objetos interativos pelo cenário, o jogo utiliza um ponteiro minúsculo na tela. Ele só aparece quando você posiciona a câmera exatamente sobre o ponto de interação. Como o indicador é minúsculo e quase invisível, somado à câmera imprecisa, encontrar chaves ou itens necessários para avançar torna-se uma tarefa desnecessariamente frustrante. Para o público brasileiro, vale destacar também a ausência de legendas em português.

Uma Experiência Curta, Mas Eficiente no Terror
Em termos de duração, Welcome to Kowloon é uma jornada direta ao ponto. Concluí a campanha em cerca de uma hora e meia. Por se tratar de um jogo curto, os problemas técnicos não chegam a arruinar a experiência por completo, mas certamente impedem que ele atinja um patamar mais elevado.
No fim das contas, o título entrega o que se espera de um jogo de horror independente de menor porte, momentos de alta tensão, um trabalho visual competente na criação de cenários assustadores e sustos eficientes. Fica a torcida para que futuros projetos do estúdio tragam um cuidado maior com o polimento da movimentação e uma narrativa mais elaborada. Para quem busca uma jogatina rápida de terror no Xbox em uma noite escura, a visita a Kowloon ainda consegue garantir boas doses de arrepio.

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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.

