Imagine os pesadelos que podem existir em um parque de terror abandonado numa ilha remota com uma quantidade inimaginável de criaturas prontas para te matar da forma mais brutal possível, essa é a premissa que Twisted Tower entrega ao jogador. É uma experiência frenética que, somada a uma excelente direção de arte e com inspiração no clássico Bioshock, consegue entreter do início ao fim.

História/Enredo
A trama acompanha Vincent, um homem que dedica a vida para cuidar de sua irmã Dorothy, que sofre com esquizofrenia. A vida dele muda ao encontrar-se com Charlotte pela primeira vez: os dois logo se apaixonam e começam a morar juntos. Charlotte é apaixonada por cinema e Vincent tem um sonho de se tornar cirurgião, mas sua péssima capacidade cognitiva o impede de cumprir o ofício.
Um dia, em um cinema, enquanto assistem o filme favorito dela que está sendo relançado, ele decide criar coragem para pedi-la em casamento. Dias após noivarem, Charlotte é sequestrada e um bilhete é deixado na porta do Vincent, é um ingresso para entrar no Twisted Tower, um parque temático que agora está abandonado. Sem pensar duas vezes, ele embarca em uma jornada até a ilha do parque para descobrir o paradeiro de sua amada e resgatá-la das mãos do terrível sequestrador.
Durante a maior parte da história, principalmente nos diálogos, o protagonista se mostrou muito neutro, parecendo quase não ter personalidade e aceitando tudo o que acontecia a ele. A esposa dele estava desaparecida, ele precisava ir a uma ilha assombrada com diversas criaturas demoníacas e mesmo assim ele não esboçava nenhuma reação natural, apenas agia como se nada acontecesse.

Gameplay
O primeiro ponto fraco que encontrei no jogo foram os puzzles, pois são exageradamente fáceis e quase sempre o próprio ambiente entrega o que o jogador precisa fazer, com setas apontando o local ou soluções óbvias, que acabam tirando o raciocínio para precisar resolver. Acredito que a experiência seria melhor e benéfica se o jogador fosse convidado a pensar um pouco mais para conseguir entender o puzzle por conta própria. O jogo possui diversas mecânicas adquiridas ao longo da jogatina que poderiam render soluções criativas e únicas, sem precisar entregar tudo de bandeja.
O loop de gameplay de Twisted Tower é simples e vai direto ao ponto: você precisa entrar em um andar pelo elevador, resolver puzzles, eliminar hordas de inimigos para conseguir a chave principal e coletar o token que libera o próximo andar. Apesar de parecer ser uma gameplay repetitiva, a duração curta da campanha (em média 4 horas) faz com que não seja possível enjoar do loop.

O jogo também conta com uma variedade incrível de armas, cada uma delas possui seu “poder” único e permite ao jogador escolher o modo como deseja jogar. Durante a minha experiência, optei por jogar mais com a shotgun e o revólver, mas consegui testar todas as armas e adorei a gunplay do jogo. A metralhadora, por exemplo, ganha a habilidade de desacelerar o tempo, enquanto a shotgun consegue atordoar os inimigos. Além do combate direto, o cenário é bastante interativo, permitindo quebrar abóboras, câmeras e balões para coletar itens e recursos, o que incentiva o jogador a prestar atenção aos detalhes ao redor.
O fator rejogabilidade é muito forte em Twisted Tower, sendo, inclusive, incentivado pelo próprio jogo com a adição de um “new game+”, o qual permite ao jogador subir novamente a torre por um caminho alternativo, proporcionando uma experiência única mesmo em uma segunda jogatina, pois deixa coletar ainda mais recursos e evoluir todas as armas para o nível máximo.

Inegavelmente, o maior ponto fraco de Twisted Tower para mim é a ausência de localização em Português Brasileiro para o jogo. Espero sinceramente que em futuras atualizações essa localização seja adicionada para auxiliar os jogadores brasileiros a conseguirem jogar com mais fluidez e sem se preocupar em precisar traduzir.
Direção de Arte e Som
A direção de arte é linda e um dos pontos mais fortes do jogo. Os gráficos adotam um estilo cartunizado e caricato que funciona de maneira excelente com a estética de parque assombrado. Tudo na ilha temática conversa perfeitamente entre si: as armas, o design dos inimigos, a ambientação e a trilha sonora dividem a mesma atmosfera, criando um mundo muito coeso. A trilha sonora de Twisted Tower não é primorosa, mas consegue ser coerente com o ambiente do jogo, trazendo diversas músicas antigas sendo tocadas pela torre.

O jogo apresenta uma diversidade muito legal de cenários únicos, com destaque para o aquático Mermaid Park, que mostra uma variedade visual interessante em relação aos outros andares. A HUD também merece elogios por ser limpa e muito bem elaborada, inclusive a roda de seleção de armas lembra bastante o estilo de Alice: Madness Returns.
No aspecto técnico, o jogo entrega uma otimização excelente. Rodando o título em um setup com uma RX 9060 XT e Ryzen 5 5600, a performance se manteve cravada em 4K nativo a 60fps em quase todos os momentos, garantindo que a gameplay frenética acontecesse sem engasgos de frames.

Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.