Boa Leitura!

Kirby’s Dream Land | Game Boy

Durante muito tempo os clássicos dos videogames chegaram até mim apenas como referências. Seja na forma de nomes repetidos em listas públicas de sites grandes, imagens antigas em aglomerados de redes sociais, vídeos de retrospectiva publicados por grandes canais ou em discussões sobre os maiores momentos da indústria os quais eu só tinha acesso e conhecimento depois que passaram.

Kirby

Eram jogos que, essencialmente, carregavam consigo as memórias de infância e de tardes inteiras de muitas pessoas com as quais eu convivia, convivo e em muito respeito. Para mim, essas lembranças eram peças de um quebra-cabeça completamente distante da minha realidade.

Passou então a existir com isso, uma certa frustração quando eu olhava para a linha de produção principal e atual da indústria, percebendo que se instaurou um conforto quase que sistemático no ato de repetir fórmulas, ampliar escalas já concebidas e transformar experiências individuais em produtos cada vez maiores, sem se preocupar com oque perderiam pelo caminho. Enquanto por esse mesmo trajeto, jogos antigos e consagrados foram deixados isolados e longe do meu contato.

E não digo isso no intuito vago de sinalizar que “tudo antes era melhor”, porque também existiam problemas. Ainda que eu ache extremamente válido sinalizar que muitas dessas obras consagradas e mesmo as problemáticas, fizeram parte de um tempo em que o acesso era complicado, seja por falta de dinheiro, conhecimento, de uma determinada geração que ficou inalcançável mesmo para os maiores entusiastas ou simplesmente porque nasceram, como é o meu caso, em décadas muito anteriores a nossa.

Hoje, finalmente tenho a chance de olhar para trás. A oportunidade de experimentar, pela primeira vez, aquilo que outra geração pôde experimentar quando ainda nem estávamos aqui.

E é com esse espírito que volto meus olhos para 1992, para um pequeno cartucho de Game Boy e para um personagem que se tornaria, sem que soubessem disso na época, um dos rostos mais reconhecíveis da indústria.

Bem vindos e muito obrigado por me permitirem compartilhar com vocês, minha vez de experimentar Kirby’s Dream Land.

Quatro mundos e um Desafio.

Por mais que o jogo seja curto e tenha apenas quatro mundos e o do chefão final, eu te garanto que não é pouco conteúdo. Muito menos que eles vão ser fases pelas quais você vai passar batido, sem que note ou perceba um detalhe ou outro que realmente enche os seus olhos.

Kirby

Aqui, o que os desenvolvedores entregam é um carisma que esbanja a cada novo cenário que você tem acesso.

Começando pelas Green Greens, uma área com bastante presença de flores, pequenos animais e decorações que remetem a esse tom mais familiar e mágico nos seus menores detalhes.

Passamos então para Castle Lololo, um salto na proposta e que agora conta com corredores mais estreitos, desafios envolvendo fuga de oponentes praticamente invencíveis e uma travessia relativamente mais difícil do que na fase anterior.

Usaremos muito da habilidade de voo do Kirby nessa fase, principalmente para fugir de inimigos que vão dar um dano desnecessário nessa altura do jogo.

A terceira fase é Float Islands. Com um clima tropical e uma ambientação que remete ao mesmo estilo, fica fácil perceber o salto de propostas entre as duas fases anteriores e essa. É a minha segunda fase favorita, inclusive.

E, por fim, no que se refere a mundos, chegamos a Bubbly Clouds, essa sim minha fase favorita. Kirby está quase alcançando as estrelas e agora, caminhará pelos céus enfrentando novos inimigos e um cenário rearranjado de maneira completamente diferente do que vimos até aqui.

E todo esse caminho é feito para que cheguemos à fase final, marcada pela repetição de todos os quatro chefões de cada uma das quatro fases anteriores que enfrentamos, agora lutando com versões um pouco mais fortes deles e fechando por completo nossa trilha ao enfrentarmos o chefão final do jogo, quinto e último dessa aventura.

Rápida, sim, mas com uma ambientação muito carismática e que faz valer a pena jogar.

+40 inimigos em G2.

Incrível, não? Mais de quarenta inimigos em um jogo que é porta de entrada para muitos na franquia do personagem, assim como está sendo para mim. E ser recebido dessa forma impressiona e muito.

Esses mesmos inimigos e suas variações, tanto dos modos base como do modo extra que o jogo possui em versões de outros consoles, estão espalhados pelos quatro mundos e também pelo mundo do chefão final do jogo. Eles variam desde plantas, aves, pequenos seres humanoides e também entidades, como é o caso dos chefões que muitas das vezes como foi na primeira fase, são personificados em uma enorme árvore que você tem de enfrentar e precisa derrotar o quanto antes.

Kirby

Essa variedade segue impressionando até os dias de hoje, não só pela dedicação, como também pelo nível de criatividade que, se somado ao desenho na criação da ambientação das fases, te entrega um prato cheio de carisma e personalidade. Não há como não se apaixonar por esse nível de dedicação.

Desafio e Diversão.

Por mais que não seja um jogo que vá ficar marcado para mim como uma trajetória difícil, eu devo te admitir que demorei quase o dobro do tempo médio para zerar Kirby’s Dream Land, muito em função do quão confusa me soava a noção do que é ou não um toque de dano para o nosso personagem.

Kirby é, ao mesmo tempo, bastante forte e capaz de lidar com a maior parte dos inimigos quase que única e exclusivamente usando o mesmo ataque e suas variações, mas também, por outro lado, é extremamente frágil para que cada esbarrão ou toque bruto que ele sofra de um inimigo, custe uma parte da sua barra de vida que, depois de uma sequência de acertos, vai ao fim e reinicia a fase de um ponto obtido de salvamento; oque eventualmente e quando todas as suas vidas acabarem, só pode ter como resultado o “game over”.

Esse inclusive foi um aspecto do qual eu fugi como nunca, já que cheguei nas fases de chefão do último mapa com apenas uma barra de saúde e sem mais vidas com que eu pudesse contar, o que tornou a segunda tentativa de enfrentar os mesmos chefões até o inimigo final, um tanto quanto custosa e demorada.

Fora isso, é na medida do possível um jogo balanceado e uma excelente porta de entrada não só para a franquia, como também para videogames de maneira geral. Conquista e diverte na mesma medida em que te ensina ao que dali para frente, vai ser o costume e padrão repetido por inúmeros bons jogos.

+ reviews

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Facebook
X
WhatsApp
Telegram
Threads
Email

Categorias