The Expanse: A Telltale Series é um jogo episódico de aventura desenvolvido pela Telltale Games em conjunto com a Deck Nine e publicado pela Telltale Games. O primeiro episódio do jogo foi lançado em 27 de julho de 2023 para Xbox One e Xbox Series X|S, PlayStation 4 e PlayStation 5, além do PC. O jogo é baseado na obra de mesmo nome de James SA Corey e é uma prequela dos acontecimentos da série disponível no Amazon Prime Video.

HISTÓRIA/PREMISSA
A história de The Expanse: A Telltale Series é contada pela visão de Camina Drummer, a oficial executiva da nave Artemis, com uma tripulação de catadores do Cinturão de Asteróides. Logo de início, o capitão Garrison Cox ordena uma nova missão que promete o sonho de qualquer catador: um serviço que vai garantir uma aposentadoria próspera e vitalícia. A bordo de uma nave da Marinha das Nações Unidas, Cox afirma que existe um tesouro único que qualquer comprador pagaria um valor exorbitante, mas não detalha o que seria esse tesouro.
Drummer e os membros da tripulação viajam até a nave da MNU e começam a investigar o que sobrou da nave após um confronto de proporções gigantescas. A primeira coisa que encontram são as cabeças decapitadas dos oficiais da MNU e indícios de que piratas já haviam saqueado aquele lugar. Pouca coisa ainda resta para coletar, mas o tesouro escondido ainda estava ali para sorte da tripulação.
Entretanto, Cox não pretendia dividir os lucros com a sua segunda em comando e tenta passar a perna em Drummer, uma tentativa de assassinato que parecesse com um acidente qualquer. Infelizmente para o capitão, Drummer sobrevive e a revelação dessa tentativa faz com que a tripulação entre em motim. Então, a tripulação elege Drummer como nova capitã e ficam no aguardo das novas ordens, principalmente para investigar esse tesouro tão valioso.
The Expanse começa com uma narrativa intensa e com um bom storytelling, abordando temas complexos como geopolítica, xenofobia e guerras. As decisões, desde uma resposta em conversas até as decisões maiores, são extremamente impactantes e aumentam o peso da escolha do jogador. O caminho traçado durante toda a campanha decide o futuro de toda a tripulação e até mesmo da geopolítica do Sistema Solar.
Como o jogo se situa antes da série de TV de mesmo nome, é pressuposto que o jogador já conheça alguns termos e siglas como MNU, APE (Aliança dos Planetas Externos), cinturinos (aqueles que vivem no Cinturão de Asteróides), etc… Infelizmente, não foi o meu caso. É possível aprender com o tempo e com o contexto que são usados, mas isso atrapalha o entendimento da narrativa para quem teve o primeiro contato com a obra através do jogo.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
A jogabilidade de The Expanse: A Telltale Series é básica como todo jogo da Telltale. Os diálogos apresentam momentos mais tranquilos e momentos temporizados, com uma certa pressão para responder a tempo. Existem alguns Quick Time Events, principalmente durante os combates, mas não apresentam um desafio grande, uma vez que há tempo suficiente para pressionar mais de um botão e, caso erre o botão indicado, não existe punição. Para todos os momentos temporizados, existe a opção de aumentar o tempo máximo para executar a ação.
Na exploração, o jogo incentiva o jogador com coletáveis que impactam os relacionamentos e trazem consequências aos outros personagens, além de diálogos perdíveis e documentos que melhor explicam a dinâmica das diferentes organizações e facções. Além disso, as cenas com naves gigantescas criam a ambientação perfeita para o espaço vazio e vasto, além da imersão como um catador que investiga o restante de um combate sideral para encontrar recursos e itens valiosos. Entretanto, a forma como a câmera é controlada me incomodou muito durante a exploração. No espaço, referenciais como cima e baixo não são exatamente definidos como na Terra. The Expanse tentou representar isso baseando todo o movimento na direção que o jogador está olhando. Na prática, em cenários que existem claramente um teto e um piso, a câmera fica em um ângulo estranho e só piora quanto mais você explorar. Uma solução seria pousar no piso da nave para alinhar a câmera, mas isso é tão frequente que começa a incomodar. O comando de movimentar na vertical também segue a direção da câmera, mesmo que não esteja alinhado a nenhum eixo. Isso faz com que o jogador chegue cada vez mais perto de uma parede e a câmera atravessa, ficando impossível de ver o que está acontecendo e dificultando a movimentação.
Além, não existe um seletor de capítulos para o jogo. Então, caso você deixe um item importante passar ou queira fazer todas as conquistas após zerar, terá que reiniciar o capítulo que precisar rejogar inteiro.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Naves espaciais de grande porte, estações planetárias e o espaço sideral. A ambientação desse jogo é excelente. Mesmo em consoles da geração passada, os gráficos são estilizados e muito bonitos, além de retratar de forma excepcional a monotonia do espaço sideral e, principalmente, de um catador cinturino que luta diariamente para sobreviver.
Os locais que a ambientação mais brilham são nos destroços de naves. A liberdade de poder ir onde você quiser e, caso vá, ter a chance de encontrar algo novo, é excelente e deveria ser padrão para jogos que se situam no espaço sideral. Mesmo sendo uma fase de espaço limitado, a ambientação traz a ilusão de imensidão e aumenta muito a imersão durante a exploração.
EPISÓDIO BÔNUS: ARCANJO
Se The Expanse já retratava geopolítica, o episódio Arcanjo é puramente isso. Contado na visão de Chrisjen Avasarala, Secretária-Geral das Nações Unidas e, no momento em que se passa o episódio, a oficial de mais alta patente em solo terrestre. A narrativa é baseada em guerra política, em que Avasarala luta contra sua oposição para manter seu cargo na relação entre a MNU e os Cinturão.
Presa em um bunker subterrâneo, Avasarala precisa juntar aliados para derrubar o pedido da oposição de retirá-la de seu cargo, além de cuidar de problemas familiares e utilizar de técnicas de persuasão para controlar a situação no Cinturão.
O episódio tem uma jogabilidade bem simples e é mais linear, mas funciona bem como forma de expandir a obra e contextualizar os conflitos políticos que a obra retrata.
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Mestrando em Química Analítica e gamer desde sempre. Maior defensor da CD Projekt Red
