Desde que foi anunciado, Tears of Metal chamava atenção pela mistura curiosa entre combates no estilo Musou, elementos de roguelite e uma identidade escocesa pouco explorada nos videogames. A Paper Cult, conhecida por Bloodroots, apostou em uma fórmula diferente: colocar centenas de inimigos na tela sem abrir mão de um combate mais técnico e de uma progressão baseada em campanhas.

O resultado é um jogo que consegue entregar batalhas empolgantes e um ótimo fator replay, mesmo estando em Acesso Antecipado. Ainda existem pontos que precisam evoluir, principalmente na progressão e em alguns detalhes técnicos do modo cooperativo, mas a base construída é extremamente sólida.
História
A trama é simples, mas funciona muito bem como pano de fundo para a ação. Após a queda de um misterioso meteoro conhecido como Pedra Mãe, uma ilha escocesa passa a ser invadida por exércitos que desejam explorar o enorme poder escondido naquele artefato. Cabe ao jogador liderar a resistência local e reunir sobreviventes para expulsar os invasores antes que toda a região seja tomada.

Não espere uma narrativa cheia de reviravoltas ou personagens extremamente desenvolvidos. Tears of Metal entende que seu foco está na ação. Ainda assim, conforme novas campanhas são concluídas, pequenas informações sobre a origem da Pedra Mãe, dos invasores e do conflito ajudam a enriquecer o universo do jogo sem interromper o ritmo das partidas.
Jogabilidade
É aqui que Tears of Metal realmente mostra seu potencial. A primeira impressão lembra imediatamente jogos da série Dynasty Warriors. São dezenas, às vezes centenas de inimigos cercando o jogador ao mesmo tempo. Porém, basta alguns minutos para perceber que existe muito mais profundidade do que simplesmente apertar botões sem pensar.
Cada personagem possui golpes leves, ataques pesados, esquivas, bloqueios e habilidades especiais que exigem tempo para serem dominadas. O combate recompensa quem aprende o tempo certo para defender, contra-atacar e administrar o posicionamento em meio ao caos.

Outro diferencial está na construção das partidas. Como um bom roguelite, cada campanha oferece melhorias aleatórias que modificam completamente o estilo de jogo. Algumas fortalecem ataques específicos, outras aumentam o poder das tropas aliadas ou criam combinações bastante interessantes entre habilidades.
O sistema de recrutamento também merece destaque. Durante as campanhas, novos soldados passam a integrar seu batalhão, oferecendo bônus permanentes ou ajudando diretamente durante os confrontos. Isso cria uma sensação constante de evolução, mesmo quando uma tentativa termina em derrota.
Os chefes também conseguem quebrar bem o ritmo. Em vez de apenas aumentar a quantidade de inimigos, eles exigem leitura de padrões, movimentação constante e bom uso das habilidades adquiridas durante a campanha.
Nem tudo, porém, funciona perfeitamente.
Como ainda está em Acesso Antecipado, alguns problemas aparecem durante as partidas. O sistema de progressão permanente ainda passa a sensação de evolução lenta, alguns personagens parecem mais eficientes que outros e o multiplayer apresenta pequenos problemas de sincronização em determinadas situações. A própria comunidade também tem pedido recursos como salvamento entre campanhas mais longas, algo que os desenvolvedores já confirmaram estar trabalhando.
Mesmo assim, a qualidade do combate faz com que seja muito fácil iniciar “só mais uma partida” e, quando perceber, várias horas já tenham passado.
Direção de arte
Visualmente, Tears of Metal tem muita personalidade. Em vez de buscar realismo, a Paper Cult aposta em um estilo que mistura traços desenhados à mão, cores fortes e uma apresentação que lembra uma história em quadrinhos em movimento. O resultado é um visual marcante e fácil de reconhecer.

A ambientação escocesa também ajuda bastante. Castelos, campos de batalha, florestas e fortalezas criam uma identidade própria, reforçada por uma excelente trilha sonora inspirada na cultura celta. Durante os confrontos, a música cresce junto com a intensidade da batalha, ajudando a transmitir a sensação de estar participando de uma guerra.
Os efeitos visuais também cumprem bem seu papel. Explosões, habilidades especiais e a enorme quantidade de soldados na tela conseguem impressionar sem comprometer a leitura da ação na maior parte do tempo.
Por outro lado, depois de várias campanhas, alguns cenários começam a parecer familiares demais, e a variedade visual ainda pode crescer conforme o desenvolvimento continua.
Vale a pena?
Tears of Metal mostra que ainda existe espaço para reinventar o gênero Musou. A mistura entre batalhas gigantescas, elementos de roguelite funciona surpreendentemente bem. O combate é divertido, os personagens possuem estilos distintos e a sensação de evoluir o batalhão faz com que cada nova campanha tenha um objetivo claro.
É verdade que ainda existem limitações típicas de um jogo em Acesso Antecipado. Alguns sistemas precisam de mais equilíbrio, a progressão pode ser mais recompensadora e mais alguns ajustes.
Mesmo assim, a base construída pela Paper Cult é extremamente promissora. Para quem gosta de ação intensa, combates contra hordas de inimigos e partidas que sempre trazem alguma novidade, Tears of Metal já oferece motivos suficientes para entrar no radar.
Se o estúdio continuar refinando a experiência nos próximos meses, existe um enorme potencial para se tornar uma das referências modernas do gênero.
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