Springs, Eternal talvez traga a sua própria resposta para uma enigmática pergunta: quando é que o passado e o presente se conectam?
Para os desenvolvedores da Fullbright, em seu mais novo título, distribuído pela Serenity Forge, a resposta certa é: pelas memórias.
Nas memórias de um amor, de um sentimento forte o suficiente para cruzar e romper limites de tempo e espaço, acompanharemos neste título os pensamentos e ações de um protagonista que ainda parece preso a perguntas e vivências da sua própria história.
Em fontes termais ambientadas por uma noite que não parece ter fim e um tempo que se recusa a passar, nessa DEMO de Springs, Eternal, disponível durante a publicação desta review comentada a partir do Festival de demonstrações da plataforma, é que tive contato com esse trabalho e me permiti navegar por essas memórias no pouco mais de vinte minutos para a conclusão dessa experiência.
Saio com mais perguntas do que respostas, assim como curioso para ver seu lançamento, previsto para 11 de novembro de 2026.
O valor de uma vida pode ser medido pela soma na vida dos outros?

Difícil questão e que, em menos de cinco minutos de jogo, Springs Eternal levanta e te deixa pensativo sobre como interpretar essa ideia e como levá-la à frente na gameplay.
A conversa é desenrolada em uma cama, no que parece ser uma manhã que deveria ser como todas as outras. Nosso protagonista, até então com tão pouca identificação, deixa que sua parceira brilhe completamente, no que poderia ter sido apenas uma casual conversa, mas que acaba por se tornar uma regressão sobre o valor da vida e o que fizemos até ali.
Não sei se há muitas diferenças e variantes frente ao que escolhemos e onde podem acabar as outras linhas de diálogo, mas, de qualquer forma, creio que muito provavelmente, qualquer que seja ela em caso de alternativas a esta, com toda certeza ainda assim vai te tirar alguns minutos para pensar.
É impressionante como os desenvolvedores da Fullbright trouxeram para Springs Eternal essa atmosfera de silêncio, onde, a princípio, habita o medo por estar em um lugar remoto e sozinho, mas imediatamente isso é preenchido por memórias que sequer são nossas. É parecido com assistir a um filme, onde, mesmo que seja você quem controle os movimentos e receba a sensação de estar controlando a linha de diálogos, ainda assim está externo aos sentimentos e aprende sobre eles e o que sentir por cada personagem, à medida que eles mesmos, à sua própria forma e indiretamente, vão se apresentando e sendo descobertos por quem joga.
Não sei a resposta para essa pergunta do título, mas definitivamente sei que o que os desenvolvedores de Springs Eternal guardam é com certeza um desafio contra a própria lógica e um combate sem volta contra o próprio coração.
Fontes Termais e uma Noite Eterna.

A escolha de ambiente que o time de desenvolvimento de Springs Eternal fez, foi com certeza acertada pela situação e sensação de oposição que eles entregam.
Porque, se de um lado, elementos e até mesmo o ambiente podem te remeter à falsa sensação de uma trama de terror, como eu mesmo tive nos primeiros minutos de jogo, todo o resto e, especialmente, a história te trazem uma sensação totalmente oposta. Onde, quem sabe, o único ponto comum no qual essas duas características e mundos se encontram é na provável tristeza que teremos com um frustrante e desesperador fim para um romance que surge tão naturalmente na vida deste casal de protagonistas.
Ou melhor, que sequer sabemos o quanto durou o seu amor. E que talvez e quem sabe, tenha sido tão longo quanto a noite na qual esta DEMO se passa.
Onde, falando dela, é impressionante também pela forma como os desenvolvedores de Springs Eternal trabalharam com o aspecto da escuridão e da densidade de uma mata selvagem, por onde um suposto SPA estaria localizado e que mesmo existindo realmente, ainda assim faz tão pouca questão de perturbar o ambiente no qual foi construído.
Isso, somado ao ato de estar trilhando os caminhos pelos quais a DEMO de Springs Eternal te dá acesso, é de longe um dos chamativos do jogo. A noite é escura, mas as estrelas iluminam tanto quanto a sua lanterna, ferramenta essa que é parte desse jogo de intenções e sentimentos que eu mencionei, onde o jogo te passa a inicial sensação de um terror de perseguição, só para, com suas cutscenes e desenvolvimento de história, ir na direção completamente oposta.
Springs Eternal por enquanto te permite correr, ir de um lado para o outro, interagir com alguns objetos já pré-selecionados do cenário e pensados para isso, como portas, gavetas e torneiras. Mas também aproveita bastante disso com itens soltos pelo cenário, desde cartas até mensagens que, em um primeiro momento, poderiam te passar despercebidas e que, para o desenvolvimento geral, não são necessárias. Mesmo que se tornem um item interessante para quem quer se aprofundar totalmente nos maiores e menores detalhes de Springs Eternal.
Foi definitivamente uma experiência bastante bacana testar a demonstração de Springs Eternal.
Agradecimentos e Conclusão.

Abro com meu muito obrigado a todo o time de desenvolvedores de Springs Eternal pelo carinho e preocupação não só na tradução do seu jogo para o português brasileiro, mas também pelo total suporte para a língua. Há nítida preocupação em adaptar termos, conciliar falas, conversas e também textos espalhados pelo mapa.
Meu muito obrigado por este trabalho.
No mais, espero e estou bastante ansioso pelo que a história final pode entregar e para trazer ela para vocês. Há muita emoção, mistério e também fantasia no entorno da mente, dos pensamentos e de todo o cenário construído nesta isolada floresta de experiências e histórias que envolvem Springs Eternal.
Obrigado por ter lido até aqui. Considere botar o jogo na sua Lista de Desejos.


