Sabemos que Shadow of War não é um jogo novo, ele foi lançado lá em 2017, chegando primeiro ao PC, PS4 e Xbox One sendo a sequência direta de Shadow of Mordor. No meu caso, eu sempre quis conhecer um pouco mais da franquia, gosto muito de como Tolkien conseguiu criar um universo que hoje nós conseguimos ver certas inspirações dele em outras obras e aqui eu vi uma ótima oportunidade de testar o jogo.
Depois de quase dez anos, nós temos ele portado para o Switch 2, não só ele, como seu antecessor também, sendo o momento ideal para finalmente mergulhar no que a história acaba propondo. Ter o jogo completo (jogo base + DLCs) no portátil, acaba sendo um grande incentivo para você querer experimentar um bom jogo do Senhor dos Anéis.
E o mais legal aqui é que o jogo começa contando um pouco do seu antecessor, quem não jogou e foi direto para o Shadow of War assim como eu, vai se sentir um pouco mais familiarizado com a proposta do jogo. Outro ponto é que as cutscenes estão muito bonitas, fazendo o fã da franquia comparar as cenas do jogo com os filmes do Senhor dos Anéis. E ver como ele tem gráficos bonitos, sendo bem gostoso de se jogar, eu não vi problemas, gostei do que vi e foi prazeroso ver o game agora portado no Switch 2.
Entre as espadas e a magia, temos muita pancadaria
Apesar de ser um jogo ambientado no universo de Tolkien, o combate dele acaba lembrando muito jogos como Spider-Man e Batman Arkham, vendo como encaixou muito bem esse sistema onde você pode atacar e contra-atacar no momento mais oportuno possível. E o maior diferencial é a questão do Talion estar possuído por um elfo ferreiro meio doido da cabeça, que vai soltando magia enquanto você faz o trabalho sujo de ir cortando tudo o que vê pela frente com a sua espada. E essa é a gameplay, onde você tem combates contra hordas de Orcs e parece que um bilhão deles nasceram ali justamente para te atrapalhar no pior momento possível.

Na questão do stealth, você pode até mesmo comparar um pouco com o Assassin’s Creed Unity, tendo uma pegada mais bruta e menos coreografada do que podemos ver com o Arno. Já utilizando a magia, você mata os inimigos usando todo o cenário, explodindo barris ou abrindo jaulas de caragors. O bom é que você pode atrair esses caragors atirando suas flechas em algumas iscas e uma novidade de Shadow of War fica por conta da montaria chamada de Drakes, que não existia em seu antecessor.
Seu progresso segue o que basicamente nós já conhecemos, você vai ganhar XP completando as missões, vai receber pontos de habilidade e pode gastar esses pontos da maneira como achar melhor para o seu combate e também acaba inovando em relação ao Shadow of Mordor, você agora tem variantes elementais para utilizar em alguns golpes. Na parte de equipamentos, você tem do comum até equipamento lendário, podendo conseguir ao derrotar capitães, tendo um ótimo bônus quando você acaba completando todo o conjunto.
Falando um pouco sobre o mapa do jogo, ele é dividido em cinco regiões, cada uma contendo um clima e visuais únicos, contando com: Minas Ithil, Cirith Ungol, Gorgoroth, Núrnen e Seregost. Em cada um desses lugares você vai poder ativar as torres de forja, onde é revelada a área e libera também a viagem rápida, não se esquecendo que tem a fortaleza que você vai ter que conquistar e depois defender.
Uma jornada bem mais sombria pela Terra-Média
Falando um pouco sobre a história do jogo, ela segue exatamente de onde Shadow of Mordor finalizou. Durante os 4 atos, nós vamos acompanhar toda a trajetória de Talion e Celebrimbor, onde eles acabaram de forjar um novo anel do poder com o objetivo de reunir um exército que é capaz de enfrentar o Senhor do Escuro no seu próprio território.
No começo podemos ver que as coisas estão bem fora de controle, nisso Talion acaba se envolvendo com uma figura bem misteriosa que enxerga um futuro onde não entendemos muito bem e tem suas próprias consequências. Após esse encontro, somos apresentados a Minas Ithil, uma cidade que fica em Gondor e que está resistindo a uma onda forte de ataques das forças de Sauron e no meio dessa confusão toda, conhecemos Eltariel, uma assassina élfica que acaba cruzando o nosso caminho.

Diferente do que você acaba vendo no Mordor, aqui no War acaba tendo uma pegada mais sombria, principalmente pela maneira como vemos Talion e Celebrimbor tendo as suas relações testadas pelo preço do poder e também por conta das divergências na maneira que querem derrotar Sauron.
Depois desse início conturbado, vamos seguir com a nossa jornada para derrotar a escuridão que está cercando completamente Mordor. E é nesse ponto que o jogo acaba ficando bem repetitivo e até mesmo tedioso, você vai matar Orcs, ter que dominar fortalezas e montar seu exército, claro, tendo todo o universo de Tolkien como um baita pano de fundo para sua aventura.
Onde o Sistema Nêmesis brilha durante sua aventura
O jogo tem um sistema que no meu ponto de vista é algo que acaba fazendo ter seu próprio charme, nada mais nada menos do que o “Sistema Nêmesis” ou para os que preferem na língua original “Nemesis System”, que é voltado mais para uma administração de Orcs que são divididos em hierarquia, diferente do seu antecessor, esse sistema evoluiu muito e graças às mecânicas de fortalezas, você tem dois novos níveis de hierarquia: que são os chefes de guerra e o overlord.
O grande destaque desse sistema é que cada Orc que vai assumir um posto de comando, ele vai se tornar único, isso faz com que eles tenham sua própria caminhada dentro do exército de Sauron. Quanto mais eles evoluírem, mais atenção eles terão para si. E se esse Orc que está escalando uma montanha para ser o melhor de todos for justamente o que te matou durante sua jornada, ele vai se lembrar e vai fazer questão de te lembrar também, causando um alvoroço sempre que vocês se encontrarem.

Falando sobre as fortalezas e os cercos, onde você precisa enfraquecer os chefes dessas regiões e só depois disso, você começa o cerco, que é onde o seu exército vai entrar em uma briga ferrenha com o exército inimigo, o lado bom é que quando você consegue dominar essa fortaleza, você pode escolher um dos seus seguidores e designar o mesmo para assumir o papel de ser o overlord. Daqui pra frente o pessoal do Sauron vai tentar tirar as suas conquistas e você precisa se defender, já que não foi algo fácil de se conseguir.
Gostei de como você pode descobrir informações sobre comandantes Orcs, principalmente quando você quer interrogar o delator, algo que achei genial para você ir conseguindo avançar no jogo. No primeiro momento, são apresentados os capitães de Sauron que estão na liderança do cerco, interrogar esses delatores vai entregar informações valiosas, com isso, você pode revelar as fraquezas, permitindo focar nas vulnerabilidades e usar o poder do espectro para ampliar os medos. Fora que você tem dicas de como pode executar o alvo, ver as suas fraquezas, as imunidades e como pode ser atordoado.
O bom desempenho dentro do Switch 2
No meu ponto de vista, o jogo rodou muito bem e superou todas as minhas expectativas e no final das contas, foi algo muito positivo. O jogo tem combates bem rápidos e muito frenéticos, então enquanto eu jogava não senti travamentos no meio das lutas, o que pra mim foi ótimo e é um baita ponto positivo aqui. Já que em algum momento você pode entrar em uma briga com 100 Orcs e a situação avacalhar completamente na sua tela, mas aqui foi bem tranquilo e foi uma ótima experiência.
Muito bom perceber que mesmo sendo um jogo lá de 2017, vale muito a pena você acabar se aventurando. Mesmo sendo um port, pra mim foi bem jogável e como eu falei, não afetou absolutamente nada da minha experiência, na verdade, me fez querer experimentar tudo o que a franquia tem para oferecer no portátil. E sem contar que vêm todas as DLCs, então você vai ter muito o que fazer nesse jogo.

Mas afinal de contas, a saga de Talion vale a pena?
PATÔMETRO
Contando com dois finais, o principal e também o verdadeiro, que você só vai ver após finalizar o último ato. Pra quem é muito fã dos filmes, é um prato cheio e vai perceber que o universo tá bem casadinho, só que aqui o jogo segue sua própria linha do tempo.
Pra mim, vale muito a pena. A repetição do jogo em alguns momentos acaba pesando muito, principalmente quando você vai se aproximando do final, porém, o Sistema Nêmesis consegue carregar consigo algo muito bom e te faz ter desafios ao longo da jornada. É uma ótima oportunidade pra quem nunca jogou ou até mesmo pra quem já jogou e gosta de testar seja no PC, PS4/PS5, Steam Deck ou no próprio Switch 2.


