Em tempos em que o oceano parece ter voltado a ocupar um interesse genuíno no gosto dos jogadores, tendo sido populado por vários jogos recentes de sucesso girando em torno desse tema, surge então uma difícil pergunta: será que ainda existe espaço para mais um jogo tentar fisgar seu próprio público dentro da proposta?
E, quando digo fisgar, prometo que não é apenas um trocadilho barato. Porque Scale the Depths pretende fazer isso de maneira bastante literal.

Desenvolvido pela Glass Gecko Games e publicado pela Pretty Soon, o jogo já se encontra disponível para aquisição nas suas respectivas plataformas e talvez não exista melhor momento para conhecê-lo do que agora.
Testamos sua demo e em tempos de festivais, com anúncios simultaneos e uma avalanche incessante de novos títulos, o melhor que podemos fazer é justamente parar por alguns minutos e entender que tipo de experiência cada projeto realmente quer nos oferecer.
E dessa vez, embarcamos com linha e isca, direto para um oceano totalmente desconhecido.
Gameplay e Ambientação
A demo de Scale the Depths já nos ofereceu uma perspectiva bastante sólida do que parece ser a proposta do produto final. E, honestamente, existe um cuidado interessante na forma como a experiência conduz sua progressão sem precisar jogar seguidos sistemas desnecessariamente complexos no colo do jogador.
Nós temos acesso à melhoria de quatro atributos que parecem sustentar o coração dessa campanha: a qualidade da nossa vara de pesca, a eficiência da isca, a produtividade da nossa faca utilizada para limpar as criaturas capturadas e também a caixa de armazenamento, responsável por dizer quantas criaturas conseguiremos coletar em uma única pesca.
E eu, particularmente, gostei de como essas melhorias impactaram na minha gameplay.
A vara interfere diretamente na distância alcançada pela linha, permitindo acessar pontos cada vez mais profundos da pesca. Já no que o jogo se refere como “isca”, ela funciona também como um modificador de dano, influenciando no tempo necessário de captura dos animais. Quanto melhor o equipamento, mais eficiente e menos demorada é a pescaria.
Some isso então a ambientação dessas profundezas e você vai se impressionar mais ainda. Porque um dos pontos mais bacanas que essa demo já deixou clara, foi em oferecer os segredos e curiosidades desse mergulho. Biomas bem tematizados, áreas visualmente bem distintas e até pequenos segredos espalhados pelo mapa, como quando eu percebi que precisava ativar alavancas escondidas para acessar uma região secreta. Ou quando finalmente alcancei o limite de profundidade permitido na demo e me deparei com uma criatura absurdamente maior do que tudo aquilo que eu tinha pescado até agora.
Nesse ritmo, entre uma linha lançada e outra, com pequenas descobertas e graduais melhorias, Scale the Depths já tinha me conquistado fácil.
Limpeza enquanto mecânica.
Na minha posição como alguém que gosta tanto de minijogos envolvendo pescaria, sejam eles mais discretos e sem tanta profundidade ou aqueles que realmente se aplicam, Scale the Depths definitivamente poderia ter passado batido sem que eu desse a devida atenção, se não fosse por esse diferencial: a limpeza. Pescar aqui é só metade da história.

Você não só captura esses peixes e outros monstros e segue adiante, não, existe também a responsabilidade de limpá-los, prepará-los e garantir que oque você pescou saia em boas condições de vendas. Foi esse detalhe que me fez ficar tão atento ao lançamento do jogo
Na maior parte das vezes você vai limpar apenas as escamas, removendo elas em pequenos processos que podem ser inclusive, facilitados conforme você melhora a qualidade da sua lâmina. Mas em outros, pode ser que o peixe te exija mais, que o problema da vez seja mais complexo como no caso de parasitas, ferimentos ou outros que comprometem a qualidade da pesca.
A forma como você manuseia cada criatura também importa, porque movimentos errados com a faca, descuidos ou uma execução desleixada, podem comprometer a qualidade dela, chegando ao ponto de você perder o material por inteiro.
Você limpa para alimentar e vender tudo isso a uma clientela muito diferente do que você pode esperar.
Garças. Sereias. Criaturas saídas de contos mitológicos até monstros marítimos esquecidos por seus povos.
Todos que aparecem diante o seu barco esperam de você o mais limpo e bem preparado peixe. E é ai que você precisa brilhar, querendo ou não.
Valeu a pena testar?
Minha experiência com essa demo foi, acima de tudo, boa e muito divertida.
Ela consegue entregar com bastante clareza os pilares centrais do que pretende oferecer em sua gameplay e, talvez o melhor elogio que eu possa fazer, é dizer que ela conseguiu ser genuína. Foram quase três horas ininterruptas tentando explorar o máximo possível daquilo que estava disponível, comigo testando melhorias, alcançando cada vez mais longe nas profundezas e tentando entender até onde aquele ciclo de pescar, limpar e vender conseguia me manter interessado.
Pescar aqui é divertido. Existe um ritmo nas capturas bastante recompensador e as melhorias dos seus equipamentos, te ajudam a perceber que aquilo realmente impacta na sua eficiência. Igualmente funcional e agradável também é a burocracia do preparo e da entrega para os seus clientes. O jogo sabe balancear bem as suas mecânicas afim de que a repetição fique confortável e não se torne chata.
A mecânica da limpeza que podia ser apenas um detalhe descartável, acabou atingindo e superando todas as minhas expectativas, porque conforme eu evoluía a faca, sentia claramente que cada melhora fazia diferença no meu ritmo e no da minha entrega.
Saio então, bastante curioso pelo futuro do jogo e com toda certeza espero voltar para comentar mais sobre sua versão definitiva.
Obrigado aos amigos da Patobah mais uma veze por mais um jogo!
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“No gods or kings. Just ducks.”
