Será que o cinema e o público ainda oferecem algum espaço para loucuras? Será que o gênero já não está ocupado, solidificado demais com seus clássicos, e a mente de quem gosta desse tipo de obra dificilmente pode ser mudada?
REVIEW| THEY WILL KILL YOU
Bom, independentemente de qual seja a resposta, Kirill Sokolov está disposto a enfrentar o que estiver no seu caminho e brigar por um lugar no pódio dos grandes clássicos modernos. Porque, sim, essa é a minha aposta para They Will Kill You na prateleira dos “filmes loucos demais para se tentar raciocinar.”
NO QUE ESTAMOS NOS METENDO?
Em um ninho de serpentes, ou melhor, monstros.
Zazie Beetz aqui é Asia Reaves, uma dedicada irmã que, após o falecimento de sua mãe, sofre nas mãos de um pai que não parece se preocupar nem um pouco com as duas crianças. Zazie está acompanhada de Myha’la, atriz essa que interpreta a fase mais velha de Maria Reaves, que, por sinal, é o motivo pelo qual as duas se enfiaram nessa confusão toda.
Mas não importa o que tente separar as duas, não é uma opção para Asia sair desse prédio sem que traga sua irmã consigo. Não importa nem mesmo qual entidade seja a responsável por proteger seus inimigos.




ENTIDADE? ENTÃO O FILME VAI ALÉM DA AÇÃO COMUM?
Pode ter certeza de que sim.
O trabalho de Kirill Sokolov dá verdadeiros frutos quando isso é jogado na tela, transformado em movimento e efeito prático, que, somado à atuação da Zazie Beetz como Asia, simplesmente te entrega a mesma sensação nostálgica que você pode ter tido na infância vendo franquias de perseguidores famosos como Jason ou mesmo filmes mais viajados ainda como A Morte do Demônio, de 81.
Sokolov claramente não esconde suas inspirações, muito menos a partir de como determinadas cenas lembram outras de vários outros filmes. Pelo contrário, me parece que They Will Kill You, além de um produto e parte de um sistema que exige dele entrar em parâmetros de mercado, também ainda consegue ser nos seus momentos mais especiais, uma carta apaixonada de um fã para outro.
Você pode, quem sabe, não gostar, pode pensar que outros tantos diretores de um mesmo estilo mereciam mais destaque do que esse filme eventualmente receberá. Mas me parece mais importante que, antes desses pensamentos, voltemos a perceber onde estamos: diante de um filme que realmente sabe respeitar quem quer consumi-lo por ser o que é.
QUEM É O ANTAGONISTA, NO FIM DAS CONTAS?
Acho que essa talvez seja a pergunta mais difícil de responder, já que você pode até pensar no papel que a Patricia Arquette ocupa, mas será que é realmente exclusivo dela esse posto? Eu, de forma honesta e respeitosa, preferiria dar ele ao hotel, à entidade não representada por um ou outro objeto, mas sim pelo que ela cria para esse lugar.
A todo momento as duas irmãs, antes de estarem lutando contra outra pessoa ou mesmo correndo delas, estão fugindo e desviando das atitudes das próprias paredes, móveis, lustres ou túneis apertados. É quase como se o próprio hotel tivesse se tornado um corpo que luta com o medo de estar diante daquelas que vão terminar, de uma vez por todas, com tudo o que rola por trás dessas quatro paredes.
É mais um ponto para uma direção que sabe o que está acontecendo.
They Will Kill You não só é uma carta de amor para o gênero, como também um trabalho que merecia ser apresentado sob a ótica de como é vital e necessária a curiosidade, mas, tanto quanto, a capacidade de dosá-la e saber quando é o tempo de reinventar e quando é o tempo de fazer o que deu certo.
Por esse entendimento e por essa fórmula, vejo o sucesso do que acabei de assistir. Por favor, deem uma chance.
Conclusão: Você pode esperar para assistir um filme completamente consciente e competente do que está fazendo, assim como tão bem conduzido sob o olhar e história de uma atriz que sabe exatamente como conquistar e prender sua atenção. Não vai haver um minuto sequer que você se veja entediado.
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“No gods or kings. Just ducks.”
