Boa Leitura!

REVIEW | THE PUNISHER – ONE LAST KILL

Vamos ser claros aqui: tire a família de um homem… e você verá o inferno que ele pode causar sozinho. Bom… esse é o caso do Frank Castle.

REVIEW | THE PUNISHER – ONE LAST KILL

Pelo trailer que soltaram, o clima já era o completo oposto do que tivemos na época da série dele. E olha… difícil seria não gostar. Melancolia, silêncio e Frank sozinho, sempre vivendo por um fio. É assim que começa The Punisher: One Last Kill e, sinceramente, combina perfeitamente com o personagem. Porque o Justiceiro nunca foi um herói tradicional. Ele não entra em cena pra salvar o dia ou trazer esperança. Ele aparece quando tudo já deu errado. E o especial transmite exatamente isso logo no início: cansaço, solidão e violência prestes a explodir.

O mais interessante é justamente o contraste com o resto da Marvel atual. Aqui não existe clima leve ou sensação de aventura. É literalmente um homem quebrado tentando sobreviver mais um dia dentro da própria guerra. E isso é o Justiceiro na forma mais pura possível.

Faz um tempo que pesquisei sobre saúde mental e sobre como algumas taxas de suicídio entre homens são enormes. Inclusive isso bateu de maneira pessoal comigo na época em que servi o exército. Mas voltando ao especial: o Frank Castle sempre foi um personagem que nunca conseguiu largar a violência. Não depois da morte da família dele. E isso aqui pesou muito só de assistir. Porque ver ele sozinho, tendo alucinações dos antigos companheiros como o Curtis Hoyle, transmite uma tristeza muito grande.

Aqui conseguimos ver o dia a dia dele convivendo com esse trauma. E não é aquele trauma “bonito” que algumas histórias tentam mostrar. É algo constante, silencioso e cansado. É literalmente um homem vivendo em estado de guerra o tempo inteiro. E isso dói porque o Frank nunca conseguiu sair daquele momento em que perdeu tudo. Ele continua preso ali. A violência virou rotina, virou linguagem, virou a única coisa que ele entende.

Então eu te pergunto: tem como mostrar um caminho diferente pra um homem que agora só conhece brutalidade e violência? E acho que é justamente isso que o especial tenta fazer o espectador pensar. Porque em muitos momentos o Frank não parece alguém vivendo. Só parece alguém sobrevivendo até a próxima batalha.

Tá brutal. Muito mais brutal. Até melhor que algumas cenas da série antiga de The Punisher. Mas aqui existe um charme diferente. Porque a série tinha aquele peso mais emocional e militar. Aqui é caos puro. E quem já jogou Max Payne 3 sabe: munição não é infinita. E eu gostei muito disso, porque o Frank troca de arma praticamente a cada esquina. É bastão, faca, Glock, AK-47 e violência pesada o tempo inteiro. Se aparece um brutamontes então… meu amigo… ele vira praticamente um caminhão humano passando por cima de tudo.

E eu nem falei ainda do cenário. Porque ele tá num bairro que antigamente era controlado pela família mafiosa Gnucci Crime Family. Depois da morte de praticamente toda a família, sobrando só a matriarca, o que vemos agora é um vácuo de poder absurdo. Violência em todo canto, ninguém controla mais nada e nem a polícia consegue fazer alguma coisa. E no meio disso tudo? O Frank andando como se fosse só mais uma terça-feira. E isso é assustador, porque você percebe que aquele ambiente inteiro virou uma zona de guerra… e o único cara confortável ali dentro é justamente o pior homem possível. E sim… ele basicamente destruiu um bairro inteiro.

Por ser um especial de 51 minutos, temos os colegas de pelotão conhecidos dele aparecendo. Porém o mais marcante continua sendo o Curtis Hoyle. E cara… não vou mentir. Ver o Frank tendo alucinações com eles foi pesado. Os caras falando com ele e, quando corta a cena, ele tá sozinho num cômodo. Isso dá muita dó do Frank. É puro trauma. Porque ele revisita aquilo o tempo inteiro. Ele chora, “vê” a filha dele, vê a família e até a pessoa que talvez mais tenha colocado a mão no fogo por ele, a Karen Page, aparece ali.

E você percebe que ele quer acreditar que ela ainda tá presente. Que alguém ficou. Mas não. Quando corta… ele tá sozinho de novo. E isso destrói qualquer um que goste do personagem. Porque o especial reforça muito uma coisa: o Frank nunca saiu daquele dia. Ele continua preso naquele trauma.

E sim… o livro que ele lia pra filha voltou. E isso pesa demais pra quem acompanha o personagem há anos. Ainda mais porque o Justiceiro já passou por várias reformulações nos quadrinhos, várias versões diferentes, mas o núcleo do personagem continua o mesmo: dor, perda e um homem incapaz de seguir em frente.

Pensa comigo: ex-militar, sem família, sem rede de apoio. E pelo que sei sobre muitos veteranos nos EUA, existem grupos de apoio… mas reintegração de verdade na sociedade? Quase zero. Então o que sobra? TEPT, trauma e reviver o mesmo inferno todos os dias mesmo continuando vivo. E acho que é exatamente isso que o especial tenta mostrar com o Frank. Porque o Frank não vive. Ele sobrevive. E existe uma diferença enorme nisso.

Acho que visitar o túmulo da esposa e dos filhos também não ajuda ele a seguir em frente. Na verdade, acho que mantém ele preso naquele momento, na memória deles e na dor. Porque esquecer talvez seja o maior medo dele. E isso torna tudo ainda mais triste. Porque no fundo o Frank continua lutando essa guerra justamente pra não deixar a memória da família morrer junto. Então a violência vira quase uma extensão do luto dele, um jeito torto de continuar conectado com quem perdeu.

E acho que é aí que o especial acerta tanto. Isso aqui vai muito além de tiro, sangue e brutalidade. É sobre um homem que não consegue sair do pior dia da vida dele.

Bom… o especial do Punisher, ou Justiceiro, como quiser chamar, tá com uma atmosfera muito digna do personagem. E vale lembrar: o ator que interpreta o Frank escreveu essa apresentação. E sinceramente? Achei digna. Meu único ponto é justamente aquele sentimento de “quero mais”. Porque quando você tá entrando ainda mais na história, curioso, vendo a nova logo no colete… simplesmente sobem os créditos.

E isso me deixou pensando: será que estão preparando a volta da série do Justiceiro? Porque eu gostei. E quero muito ver o Frank colocando a cabeça da família Gnucci num espeto.

No geral, acho que o especial conseguiu captar muito bem o que faz o Justiceiro funcionar. Não é só violência. Não é só matar criminoso. É desconfortável, triste e brutal. E principalmente: é um homem que nunca conseguiu sair da própria guerra. E talvez seja justamente por isso que o personagem continue funcionando tão bem até hoje.

Se você chegou até aqui, agradeço muito. Ainda temos a série Spider-Noir vindo aí e eu tô bastante ansioso. Então até a próxima, caro leitor.

E agora me diz: seu dedo tá coçando pra matar vagabundo?

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