REVIEW | DIA D POR STEVEN SPIELBERG
Steven Spielberg é um diretor que dispensa apresentações, principalmente quando o assunto abordado é ficção científica, e em Dia D ele prova que ainda tem muito a dizer sobre o desconhecido. O longa chega aos cinemas prometendo e entregando uma produção que prende o espectador do início ao fim. Uma obra que aborda temas atuais e até futuros com proeza e mostra ao espectador um pouco de como são as grandes mídias globais.
HISTÓRIA, CONTROLE E REALIDADE
A trama aborda de forma muito interessante como as grandes mídias e os altos escalões do governo conseguem manipular as informações que chegam até a população. Ela mostra uma humanidade que vive completamente leiga, privada de tecnologias avançadas e conhecimentos que mudariam totalmente a nossa percepção do mundo, ainda mais quando uma terceira guerra mundial se aproxima e tudo parece perdido.
Trazendo o contexto de vazamentos para a vida real, entre o fim de 2024 e o decorrer de 2025, o Congresso dos Estados Unidos realizou audiências públicas intensas sobre os UAPs (Unidentified Anomalous Phenomena, em português: Fenômeno Anômalo Não Identificado). Testemunhos de ex-oficiais de inteligência e do Pentágono trouxeram à tona denúncias graves sobre a ocultação de naves acidentadas e tentativas secretas de entender tecnologias de origem desconhecida.
Ao mesmo tempo, as discussões políticas em torno do UAP Disclosure Act, a Lei de Divulgação de Fenômenos Anômalos Não Identificados, pressionam o governo a abrir esses arquivos de uma vez por todas. Essa urgência do mundo real inclusive dá nome ao filme em inglês, Disclosure Day, estabelecendo uma ponte perfeita entre a ficção e a nossa realidade.






Esconder o extraordinário da população para mantê-la leiga serve como tema central em Dia D. Spielberg usa esse paralelo com maestria, transformando o suspense cósmico em um reflexo direto do nosso mundo. O medo ganha força com a suspeita incômoda de que as manchetes dos jornais estão revelando apenas a superfície da verdade.
Dentro desse contexto, os seres extraterrestres são introduzidos de forma perfeita. A escolha visual para a aparência deles ficou excelente, e a forma como eles agem em cena transmite um misto de estranheza e fascínio, afastando-se de clichês genéricos de invasão. Senti também que o diretor se inspirou em outros filmes anteriores como E.T. O Extraterrestre e Contatos Imediatos de Terceiro Grau.
FÉ, DUALIDADE E TÉCNICA
Outro ponto alto é como o roteiro envolve a religiosidade na narrativa. O filme constrói uma dualidade muito inteligente entre o apego ao divino e a aceitação de que a vida fora da Terra é uma realidade palpável. É um retrato sensível de uma humanidade que, ao olhar para o céu, se vê dividida entre o conforto da fé e o abismo do desconhecido.
No aspecto técnico, as cenas de ação são impecáveis e muito bem coreografadas, injetando adrenalina nos momentos certos. A trilha sonora cumpre um papel fundamental, ditando um ritmo tenso que não deixa o espectador relaxar em nenhum momento. Fugindo de trilhas mais comuns em filmes que são parte do gênero ficção científica, Dia D traz uma assinatura do diretor com músicas fantásticas, trazendo um tom de nostalgia de seus filmes clássicos.
Para amarrar tudo isso, a atuação do elenco também se mostra magnífica. Os personagens transmitem a urgência da situação de forma orgânica, fazendo com que a gente compre o espanto de cada um deles diante do impossível.
DIREÇÃO DE MESTRE
A direção de Spielberg está, mais uma vez, fantástica. Ele demonstra um domínio absoluto da câmera e do ritmo narrativo, sabendo exatamente quando focar no espetáculo e quando dar espaço para o drama humano. Dia D deixa claro que estamos diante de uma obra com força suficiente para ficar marcada na história do cinema, ao lado dos maiores clássicos do próprio diretor.
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