Boa Leitura!

REVIEW | AMONG US: Não confie em ninguém

REVIEW | AMONG US: Não confie em ninguém

Tripulantes excêntricos e monocromáticos de uma nave que transporta sucata pela galáxia precisam desmascarar um Impostor em seu meio antes que se tornem vítimas de seus planos malignos.”

Se alguém me falasse a alguns anos atrás que essa seria a sinopse da série de um dos jogos mais inesperados, tanto pela existência quanto pelo sucesso, de uns anos atrás e que aquela premissa tão simples, sustentada quase inteiramente por conversa, paranoia, investigação e acusações, receberia uma adaptação tão boa assim, eu duvidaria e muito dessa pessoa.

Porque estamos falando de um fenômeno bastante específico do seu tempo e situação. Um jogo que foi responsável por unir amizades em tempos difíceis, destruir confianças por alguns minutos e transformar noites em um caos engraçado demais para conseguir descrever pra quem não viveu.

E ainda assim, mesmo falando isso tudo, cá estamos nós. Em 2026, vivendo o impossível: Among Us tem sua primeira adaptação em série lançada, contando com dez episódios e mais surpreendentemente ainda, todos muito bons.

Funciona e funciona melhor do que eu e você podíamos imaginar.

A nave

Com os dez episódios que temos, essa adaptação de Among Us consegue oque eu, honestamente falando, não esperava tão cedo de uma nova adaptação de jogos: sustentar sua própria premissa sem parecer um projeto forçado para se adaptar a um novo meio. É verdade que tem alguns episódios e momentos que podem te passar uma leve sensação de estarem enrolando, principalmente quando desaceleram a trama.

Mas o curioso é que, olhando tudo em retrospectiva, praticamente todas as escolhas, até as que podem te incomodar, encontraram seu próprio espaço e fizeram sentido no fim de tudo.

A estrutura é bastante simples e funciona exatamente por isso. Estamos diante de um incidente dentro de uma nave, onde um grupo de tripulantes precisa descobrir, entre eles e o mais rápido possível: quem é o traidor infiltrado. Enquanto ao mesmo tempo, o impostor também segue em uma corrida contra o tempo, fazendo exatamente oque fizemos jogando o jogo: tentando eliminar todos antes de ser descoberto.

Como a série decide emular de maneira extremamente fiel o estilo artístico do jogo, os personagens aqui tem expressões bastante limitadas. O que acabou deixando de

responsabilidade para os profissionais de voz, transmitirem todos os sentimentos que seus personagens pretendem expressar. E acredite quando eu digo que, ficou simplesmente sensacional.

Você consegue perceber perfeitamente a surpresa, nervosismo, euforia, desconfiança ou o puro desespero apenas pela entonação e pelo timbre de cada profissional. É um daqueles trabalhos em que a estrela que mais brilha, é a deles.

A escrita também toma algumas liberdades criativas para humanizar melhor os tripulantes, adicionando pequenos conflitos, gostos, características e relacionamentos que obviamente não existem no jogo original. Mas, nada disso parece forçado ou deslocado; essas escolhas na verdade ajudam bastante no aproveitamento do tempo e dos personagens.

A trilha sonora, por sua vez, não é algo particularmente memorável dessa série, mas que pelo menos cumpre muito bem o seu papel. Ela entende o tom e sentimento das cenas, acompanhando o peso dramático quando necessário ou só transmitindo uma tranquilidade descontraída nas horas de conversa.

Minha experiência

Preciso admitir: estou realmente surpreso com o quão boa foi essa série.

E digo isso como alguém que deu play no primeiro episódio, completamente descrente do que podia vir pela frente. Talvez em parte pela dificuldade de imaginar que um jogo tão dependente da interação entre jogadores, pudesse trocar tão bem de mídia assim. Ou talvez pelo receio sincero de encontrar algo que fosse excessivamente infantil ou, no extremo oposto, mais uma das dezenas de séries copiadas uma das outras que tentam desesperadamente ganhar espaço sendo o mais “adultas” possíveis.

A diferença, no entanto, é que Among Us não segue nenhum dos dois caminhos.

A série não vai tentar te reinventar a rodar ou recontar tudo a sua própria maneira. Não existe uma tentativa exagerada de transformar sua trama em algo maior, muito profunda ou dramática demais. O objetivo aqui, na real, parece muito mais simples: o de situar o espectador nesse universo, te apresentando personagens carismáticos e quem sabe, conquistando um espaço de carinho pra quem já gostava do jogo ou está conhecendo ele agora pela primeira vez.

A série é muito divertida quando precisa ser, engraçada demais nos momentos certos e manda muito bem quando extrai o melhor dos personagens que apresenta, oque ajuda bastante a nutrir um carinho e simpatia por eles. Existe um genuíno cuidado em torno de tornar o grupo que acompanhamos.

No fim, eu sai dessa temporada até com a vontade inesperada de voltar a reunir alguns amigos para jogar de novo. Ou pelo menos, daqui pra frente estar mais atento nas produções futuras desses diretores ou nos eventuais trabalhos da equipe de voz.

Inclusive, deixo registrado a minha aposta para o futuro: nós definitivamente veremos novas temporadas para Among Us. Obrigado por ter lido e por favor, dê uma chance.

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PATÔMETRO
Conclusão
PRÓS
Divertida, personagens carismáticos, boa ambientação, ritmo de história bacana.
CONTRAS
Enrola em alguns momentos.
8
NOTA FINAL

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