“Um jogo que te cativa, emociona e diverte em diversas intensidades.”
A Space for the Unbound é um jogo Indie de aventura desenvolvido pela Mojiken Studio e publicado pela Toge Productions. Lançado em janeiro de 2023 para PC, mas chegou nas outras plataformas somente em dezembro de 2024. O jogo traz uma narrativa envolvente inspirada em diversos conceitos presentes na Indonésia, por exemplo: a ambientação e estética teve a cidade de Surabaya dos anos 90 como principal inspiração, recriando não só o ambiente, mas trazendo elementos nostálgicos como as músicas, objetos e a atmosfera. Essas características chamam atenção, pois os detalhes da criação estética e narrativa mostram o cuidado e carinho que toda a equipe de desenvolvimento tiveram com a obra, algo valoroso na minha concepção.
É importante destacar que o jogo possui alguns gatilhos, como: Abuso e violência familiar; Depressão; Ansiedade severa; Bullying; Temas relacionados a pensamentos suicidas.
Essa review irá contar com os seguintes tópicos: História; Jogabilidade; Direção técnica e artística; Conclusão.
História
Durante a vida passamos por diversos problemas simbolizados por obstáculos sociais, emocionais e físicos, onde relações geracionais quase sempre entram em conflitos com brigas relacionadas a como fazer, sentir e decidir aspectos importantes da vida.
Em A Space for the Unbound esses obstáculos são apresentados em diversos contextos entre os personagens e cabe a Atma, um garoto sonhador e confiante, a mediar esses conflitos e mostrar para as gerações que elas podem aprender juntas!
O enredo é organizado em um (1) prólogo e sete (7) capítulosextremamente cativantes. O prólogo dá início a contextualização da história de Nirmala, uma criança criativa e sonhadora que usa seu talento para construir contos junto de seu amigo coescritor, um pré-adolescente com objetivo de seguir seu sonho de ser escritor. O jogo começa bem tranquilo, com diálogos relaxantes e cativantes, até que ambos sofrem um acidente e mudam totalmente o percurso da história. Após os acontecimentos impactantes do prólogo, a trama é desenvolvida através de dois personagens chamados Atma e Raya, estudantes que estão prestes a se formar, vivem dias comuns em uma cidade da Indonésia dos anos 90, e precisam enfrentar a pressão social em relação às expectativas de seus respectivos futuros. Nesta narrativa, você controla Atma e explora a cidade de Loca, podendo visitar os locais, conversar com as pessoas e fazer carinho nos animais, principalmente em gatos (pode até nomeá-los). As primeiras horas da narrativa se concentram na exploração da cidade, compreensão daquela realidade e seus diversos personagens.
As dinâmicas variadas da narrativa
A dinâmica inicial da história parece simples e tranquila, onde Atma ajuda Raya com alguns problemas banais e rotineiros, mas as coisas se desdobram em algo maior quando Atma percebe que o mundo está quebrando e sua realidade possui manifestações estranhas envolvendo mudanças de comportamentos em pessoas, distorção e sobreposição das realidades, cenários destruídos, etc.
Desvendando mistérios
Um dos pontos centrais de mistério encontrados no enredo é a conexão entre Nirmala e Raya que introduz tanto habilidades fantasiosas e mágicas, como revela também, a ameaça principal do jogo. Para descobrir o que ocasiona todos acontecimentos, Atma utiliza um livro mágico para “entrar” na mente das pessoas e mediar os conflitos emocionais dos vários personagens do jogo, dentre esses conflitos temos: problemas envolvendo alimentação, crises familiares, inseguranças, culpa, entre outros conflitos mais pesados e complexos. A cada personagem ajudado com essa dinâmica, mais perto o protagonista fica de desvendar os mistérios de Nirmala e Raya, e isso acontece de um jeito muito autêntico, criativo e emocionante. É incrível como os personagens são bem desenvolvidos e essa mecânica narrativa me chamou tanta atenção, me trouxe para diversos temas até pessoais que me fizeram repensar várias coisas da minha vida, como lido com algumas frustrações, trato algumas emoções, etc. A narrativa desse game é incrível e bastante reflexiva!
Um desfecho sincero
O final dessa história começa muito intenso, frenético e com uma carga emocional que impressiona até jogadores/as que têm dificuldades em expressar emoções. Atma entra na mente da personagem Raya em busca de salvá-la e acabar com a destruição da cidade, com esse objetivo, ele enfrenta diversos obstáculos, resolve enigmas para tentar tocar o coração de Raya, e assim, ajudá-la a processar todos os conflitos internos envolvendo raiva, insegurança, medo, culpa, etc. É um desfecho que mexe com o emocional, abala e desarma até às pessoas menos sensíveis. Lembro que no final chorei bastante e assisti aos créditos duas vezes porque a história mexeu com diversas questões pessoais envolvendo minha história de vida, além da empatia que tive com todos os personagens. Essa foi uma narrativa incrível e cativante que me impressionou do começo ao fim.
Jogabilidade
Simples, funcional e divertida
A jogabilidade de A Space for the Unbound não é complexa e nem faria muito sentido se fosse, pois a proposta narrativa chama a simplicidade. Embora simples, as mecânicas são funcionais, e para mim, divertidas demais! O game apresenta uma interface bonita, com colecionáveis bem humorados e minigames divertidos. No jogo você é apresentado a um sistema de lutas simplório com QTE (Quick Time Events), onde é preciso utilizar uma sequência de comandos com o analógico e os botões em um determinado tempo para atacar, além de ter um sistema de parry facílimo para se defender. Esses aspectos de gameplay são básicos e não chamam tanta atenção quando você já jogou vários games, mas algo que o torna um jogo único em relação a jogabilidade é sua mecânica narrativa que comentei no tópico História.
“Space Dive” uma mecânica única e genial!
A mecânica narrativa chamada de “Space Dive”, que consiste em “mergulhar” na mente das pessoas para resolver seus problemas emocionais, foi uma das coisas mais legais e autênticas que pude vivenciar em games nos últimos anos. Essa mecânica foi muito bem dirigida, colocando o/a jogador/a em diversos cenários bonitos e impactantes, abordando vários temas relevantes que possuem uma conexão enorme com cada contexto que a trama apresenta. A forma como me envolvi com os personagens e a carga emocional que senti foi muito por conta dessa mecânica. Temas como alimentação, relacionamentos com familiares, inseguranças pessoais, frustrações internas mal resolvidas, entre várias outras foram tratadas de maneira primorosa por conta desse elemento. Para mim, uma das melhores experiências de gameplay narrativa que tive na vida.
Direção técnica e artística
Uma direção de arte feita com amor!
Eu sou suspeito para falar, pois amo jogos feitos em pixel art, mas a direção técnica e artística desse jogo me chamou atenção de um jeito diferente, toda a arte que presenciei nesse jogo transbordava personalidade e emoção, entregaram uma ambientação que se conecta demais com a história e o ritmo que o jogo pede. Diversas vezes fiquei analisando meus prints, ficava maravilhado com os cenários construídos na cidade, os cenários detalhados das mentes dos personagens e toda a atmosfera apresentada nos capítulos. Durante a gameplay você consegue reparar no carinho e comprometimento que os/as desenvolvedores/as tiveram com o game, só tenho que parabenizar e incentivar o máximo de pessoas a contemplarem a obra de arte que esse game é! Parabéns, Mojiken Studio.





Músicas que conectam
A trilha sonora desse jogo é muito boa e me chamou atenção por se conectar bem com todas as fases da narrativa e ambientação. É uma trilha sonora que agrega bastante para manter a imersão no game. Destaque para a música “Within the Dream” cantada pela maravilhosa Christabel Annora essa música me emocionou, me fez chorar muito! Enfim, foi uma trilha sonora que me marcou.

Davi Lima – Concursado, Técnico em Redes de Computadores, Professor de Educação Física e amante de games e livros.
