O lançamento de Outlive 25 marca o resgate de um projeto muito importante na história dos jogos brasileiros. Desenvolvido originalmente pela Continuum Entertainment em 2000 e agora remasterizado com a publicação da CriticalLeap, o jogo nos leva de volta à era de ouro da estratégia em tempo real (RTS).
Para os veteranos do gênero, é uma excelente oportunidade de aproveitar um jogo maravilhoso que se inspira nos grandes jogos da época como o Starcraft, o qual acredito ser a maior inspiração para o título. Já para os novatos, acredito que Outlive 25 seja uma porta de entrada perfeita, uma vez que o jogo é relativamente mais simples e apresenta uma curva de aprendizado satisfatória, embora ainda demande tempo e vontade para aprender o ritmo e conseguir derrotar os exércitos.

Durante minha infância pude experimentar o Outlive original, que na época não sabia ter sido desenvolvido por um brasileiro, e agora recebo com muita satisfação a chave para falar sobre esse jogo incrível que desde sua origem mostrava o poder do desenvolvimento de jogos no Brasil.
HISTÓRIA/PREMISSA
A narrativa se passa em um futuro no qual a Terra está esgotada de recursos e o foco da humanidade se volta para a exploração de minérios e energia fora do planeta. Esse esgotamento forçou a humanidade a criar um único governo global, chamado de Conselho Mundial. Nesse cenário caótico, duas facções entram em conflito direto: as Forças Militares, que representam a força humana institucionalizada, e os Robôs, seres cibernéticos controlados por uma inteligência artificial rebelde e independente.
A campanha divide o enredo sob a perspectiva das duas facções. O jogador assume o papel de capitão e precisa gerenciar bases, montar exércitos e lidar com as consequências de espionagem corporativa. A trama vai direto ao ponto e cumpre o papel de dar contexto às missões, entregando um cenário de ficção científica militar funcional. Um ponto positivo é a possibilidade de jogar campanhas de forma cooperativa com amigos.
O título também disponibiliza uma pré-campanha, possuindo três missões únicas, que funcionam como uma demonstração do jogo. Nela, controlamos um comandante das FMA (Forças Militares Armadas). Nas missões dessa campanha o foco é introduzir mais da história e dos personagens.
GAMEPLAY E A EVOLUÇÃO DA VERSÃO ORIGINAL
A jogabilidade central permanece fiel ao lançamento de 2000, focada na construção rápida de base, extração de minério e a geração de energia. O sistema utiliza uma árvore de tecnologia contínua, permitindo o desbloqueio de novas unidades e upgrades no meio do combate através do laboratório de pesquisa. O loop gameplay gira em torno de construir extratores de minérios, produzir o máximo de energia possível e pesquisar novas tecnologias, que incluem novas tropas, melhoria nas construções e otimização de recursos.
As duas campanhas possuem uma narrativa simples, mas que consegue entreter muito bem no quesito objetivo. Todas possuem um grau de dificuldade que não chega a ser injusto, mas que desafia o jogador a todo instante. Nelas, as missões têm peculiaridades e objetivos específicos que tornam cada momento único, evitando que a experiência se torne arrastada e cansativa.
A campanha disponibiliza um tutorial excelente que ensina de forma prática e didática os principais elementos do jogos, tais como atalhos úteis e dicas gerais para conseguir extrair o máximo do gameplay. E, embora tenha um tutorial, nas primeiras missões, o jogo faz questão de continuar ensinando certas mecânicas com intuito de masterizar ainda mais o conhecimento do jogador, preparando-o para jogar partidas online.
Ao comparar o Outlive original com o Outlive 25, as melhorias ficam evidentes na parte técnica e na qualidade de vida: a versão de 25 anos traz suporte a resolução em FULL HD e 4K (a qual joguei sem enfrentar nenhum problema na HUD ou no jogo em geral), expandindo o campo de visão no mapa sem distorcer os sprites clássicos; a inteligência artificial foi reescrita para oferecer um desafio mais tático, e o multiplayer foi totalmente modernizado; o jogo original sofria com problemas de conexão, e agora, o remaster resolve isso com servidores dedicados e matchmaking estável; e a interface isométrica e o ritmo agressivo de jogo continuam intactos. Os desenvolvedores colocaram muito esforço e conseguiram fazer uma remasterização impecável, mantendo muito da essência original e trazendo melhorias pontuais que são necessárias nos dias de hoje.
INSPIRAÇÕES E MEMÓRIAS
Na minha infância, passei horas incontáveis jogando franquias como Age of Empires, Command & Conquer e Empire Earth. Outlive 25 resgata a exata sensação que eu tinha no C&C. A ação começa rapidamente e o controle de mapa se faz necessário desde os primeiros minutos de partida, priorizando a tática de combate sobre a gestão de tropas. A direção de arte, principalmente das tropas e das construções também me faz recordar o jogo Command and Conquer: Generals.
DIREÇÃO DE ARTE/SOM
Visualmente, o remaster preserva a estética 2D isométrica que define a transição dos anos 90 para os 2000. Os cenários, unidades e estruturas receberam um tratamento para alta definição, ficando nítidos em monitores atuais, mas mantendo o design pragmático das bases humanas e o tom metálico sombrio dos robôs. Ao observar os cenários destruídos, as construções opressoras e as tropas robustas, me vem à cabeça uma certa semelhança com I HAVE NO MOUTH AND I MUST SCREAM, tendo em conta que ambos possuem uma certa similaridade que é refletida na arte, no enredo e na ambientação. Na verdade, Outlive 25 é uma obra que a todo momento mostra suas raízes na Ficção Científica de Terror e consegue representar muito bem esse subgênero.
No que diz respeito ao áudio, ele mantém a clássica dublagem em português do Brasil, que foi um dos grandes marcos do jogo na sua época de lançamento. Os avisos do sistema, as respostas das unidades ao serem selecionadas e os efeitos de artilharia continuam funcionando perfeitamente para situar o jogador na ação e ainda conseguem trazer um tom cômico que funciona muito bem na gameplay, frases como a da tropa Lança-Chamas “Estou fervendo” ou o Construtor com “Tudo eu, tudo eu”.
A trilha sonora também é satisfatória, e durante toda minha jogatina não senti em nenhum momento que cheguei a enjoar dela, consegue ser variada no loop e traz um sentimento pesado para a gameplay, ela reflete muito bem a ambientação mais rústica do universo do jogo e cumpre seu papel com excelência.
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Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.
