“Você gosta de sofrer?” Essa é a pergunta-chave para definir Return To Dark Castle, um título do gênero platformer e puzzle 2D side-scrolling que requer precisão, coordenação e, acima de tudo, paciência. Já adianto que não é uma experiência para qualquer um, o jogo busca levar o jogador ao limite, fazendo-o morrer incontáveis vezes e de formas variadas.
No tempo que passei jogando, perdi a vida ao cair de uma escada, por um pássaro que me atingiu enquanto eu tentava atravessar uma ponte e até mesmo de fome, por ter demorado muito em uma sala… enfim, já deu para entender o espírito da coisa.

Agradeço ao grupo PatoBah e ao distribuidor Ludit por terem me enviado uma cópia da obra, que está sendo relançada após mais de uma década punindo qualquer um que ouse se aventurar por seus domínios.
Premissa
A história busca trazer o lado fabuloso de um conto sobre o terrível Cavaleiro Negro e seu reinado de terror. A trama narra como o lorde Duncan, o mais valente e pródigo guerreiro, o desafiou e não voltou para contar história. É aí que entra em cena o nosso improvável herói. A fim de derrotar o vilão e restaurar a paz, ele decide invadir o castelo sombrio em busca de seu algoz.
A premissa é bastante simples, mas funciona. A forma como é contada — através de um livro de fábulas — me agradou bastante, já que remete diretamente à infância e aos contos antigos, porém os objetivos in-game são muito simplórios e nada intuitivos.
Gameplay
É aqui que o filho chora e a mãe não vê. Sabe aquele jogo que te entrega tudo no início e quase não oferece desafio, já que seu personagem é o “escolhido”, possui superpoderes ou uma arma mágica? Pois é, não é o caso aqui. Nosso protagonista é um “zero à esquerda” que tropeça em qualquer degrau e fica atordoado por isso, não possui habilidades especiais e muito menos aptidões físicas — visto que, se você demorar alguns minutos para sair de uma área, ele morre de fome.
Mas, caso você persista e siga sem baixar a cabeça, seu sacrifício será recompensado. Em algumas salas, podemos desbloquear novas habilidades, como o disparo de fogo e o escudo de proteção, o que traz um novo fôlego e abre um leque de possibilidades. No geral, achei a jogabilidade um pouco travada e difícil de acostumar, mas, por sorte, existe um campo de treinamento para praticar saltos e o combate com armas brancas (sim, eu morri algumas vezes até no treinamento, hahaha).

O título possui alguns níveis de dificuldade, incluindo o modo Very Easy. Mesmo nele, o player continua sofrendo instakill (morte instantânea) para qualquer inimigo ou queda de escada; a mudança real fica na quantidade de oponentes, na quantidade de vidas (no very easy são cinco, mas diminuem conforme o nível de dificuldade aumenta) e na velocidade com que a barra de fome desce.
Direção de arte

O estilo visual lembra muito a franquia Castlevania, devido à ambientação noturna e aos elementos da arte gótica, como esculturas de gárgulas, esqueletos e armaduras medievais. Tudo isso vem acompanhado de um toque humorístico, com inimigos vestindo roupas inusitadas enquanto chicoteiam homens amarrados. Os gráficos seguem o conceito clássico da pixel art, trazendo tons neutros e frios.
Já a trilha sonora me cativou demais. As músicas são simplesmente amáveis e combinam perfeitamente com a estética e o ambiente, remetendo bastante às composições icônicas dos jogos da década de 90.
Qualidade técnica
“Sinceramente, não sei dizer o que é bug e o que é intencional, já que ele foi projetado para ser uma experiência punitiva; faz sentido haver inconsistências propositais”. Foi o que pensei de início. Porém, em certas circunstâncias, tentei pular em uma corda e o personagem simplesmente a atravessava sem interagir, o que resultava em morte certa por queda (em situações normais, ele deveria agarrar o objeto automaticamente).
Em um jogo deste gênero, as mortes deveriam ser resultado da minha falta de habilidade, não de falhas técnicas. Tirando esses pormenores, não encontrei problemas relacionados à progressão ou fechamentos inesperados (crashes).
Mais reviews? AQUI

Apaixonado por jogos que desafiam, especialmente no cenário indie. Produzo análises com opinião honesta, senso crítico e compromisso com a transparência editorial.
Meu canal no Youtube: @onivelhardt
