Existe uma linha muito tênue entre um rogue-lite repetitivo e um rogue-lite verdadeiramente viciante. Depois de muitas horas em KIBORG, ficou claro para mim que o novo projeto da Sobaka Studio entende exatamente onde precisa acertar para prender o jogador: impacto, ritmo e progressão.

KIBORG não tenta esconder suas inspirações. O jogo mistura combate brutal em terceira pessoa, estrutura procedural de rogue-lite e elementos de beat’em up em uma experiência extremamente agressiva, ambientada dentro de uma prisão futurista transformada em um reality show de sobrevivência.
A proposta é simples. Você controla Morgan Lee, um prisioneiro condenado injustamente que precisa sobreviver a uma sequência de arenas violentas transmitidas como entretenimento para toda a galáxia. Cada morte significa recomeçar praticamente do zero, mas cada nova tentativa também representa acesso a implantes cibernéticos inéditos, melhorias permanentes e builds completamente diferentes.
A grande questão é: KIBORG consegue sustentar sua estrutura por horas sem cair na repetição? É nisso que vamos entrar.
Gameplay
O principal mérito de KIBORG está no combate corpo a corpo. E isso fica evidente logo nos primeiros minutos de jogo.
Os golpes possuem um impacto real. As animações são boas, no design sonoro e principalmente na forma como os inimigos reagem às pancadas. Um soco mais pesado interrompe ataques. Chutes lançam adversários contra estruturas metálicas. Execuções destroem partes mecânicas dos corpos dos inimigos de maneira extremamente violenta.
O combate funciona quase como uma mistura entre arena brawler e action game arcade moderno, o que é extremamente interessante.
Existe esquiva, gerenciamento de posicionamento, controle de grupo e leitura constante do comportamento inimigo. Conforme as runs avançam, o jogo começa a exigir uma postura mais ofensiva do jogador.
KIBORG pune passividade, óbvio.
Ficar recuando constantemente normalmente leva ao cercamento, especialmente nos níveis mais avançados. O jogo funciona melhor quando o jogador entra no fluxo da agressividade e começa a alternar entre ataques rápidos, controle de multidão e habilidades especiais adquiridas durante a run.
Depois de muitas horas jogando, percebi que o combate possui uma fluidez muito maior do que aparenta inicialmente. O começo pode parecer apenas um beat’em up diferente e simples, mas existe profundidade gradual na forma como builds e habilidades alteram completamente o ritmo das lutas.
O sistema de implantes cibernéticos é facilmente o elemento mais importante de KIBORG.
Cada run oferece novas modificações corporais capazes de alterar atributos, movimentos e habilidades do personagem. Algumas melhorias aumentam drasticamente o dano corpo a corpo. Outras adicionam efeitos elétricos, explosões em área, regeneração de vida ou vantagens focadas em mobilidade.
Na prática, isso transforma cada partida em uma construção progressiva de build.
Em uma das minhas runs mais avançadas, consegui montar uma combinação focada em dano elétrico contínuo e ataques de área, permitindo eliminar grupos inteiros sem precisar administrar tanto posicionamento. Em outra, optei por uma build extremamente agressiva baseada em velocidade e crítico, transformando o combate em algo muito mais técnico e arriscado (e que não curti).
Essa variedade ajuda diretamente na longevidade do jogo.
Mesmo quando os cenários começam a se repetir visualmente, a mudança constante de builds mantém o loop relativamente “novo”. É justamente esse sistema que cria a sensação clássica de “só mais uma tentativa”, tão importante para o gênero rogue-lite/like.
Então ele engaja?
KIBORG entende bem a importância da progressão permanente. Mesmo após mortes frustrantes, quase sempre existe alguma recompensa estrutural. O jogador desbloqueia melhorias passivas, novos recursos e opções adicionais para futuras runs.
Isso reduz bastante a sensação de perda total após derrotas.
Ao mesmo tempo, existe uma curva de aprendizado clara. Conforme o jogador entende os padrões de ataque dos inimigos e aprende quais implantes possuem melhor sinergia, o combate começa a ganhar outra dinâmica.
O jogo consegue transmitir uma sensação genuína de evolução. Não apenas do personagem, mas também do próprio jogador.
O vilão do jogo
Se existe um problema mais perceptível após muitas horas, ele está na repetição estrutural.
As arenas possuem boa direção artística e conseguem construir uma atmosfera sci-fi industrial bastante convincente, mas a variedade de situações de combate poderia ser maior. Depois de um tempo, certas runs começam a parecer excessivamente familiares.

Isso acontece principalmente porque alguns tipos de inimigos reaparecem com frequência elevada e possuem pouca variação comportamental. O jogo tenta compensar isso aumentando intensidade e quantidade de adversários, mas nem sempre consegue evitar a sensação de repetição.
Além disso, algumas builds acabam sendo claramente mais eficientes do que outras. Determinadas combinações ofensivas praticamente trivializam partes importantes da dificuldade, enquanto builds mais defensivas parecem menos recompensadoras. Não algo do tipo “fim do mundo” mas pode incomodar bastante quem joga com frequencia.
A DLC Descent
KIBORG: Descent funciona como uma expansão que melhora vários pontos importantes do jogo base sem alterar sua essência. A DLC adiciona novas áreas da prisão, chefes inéditos, armas e mais opções de implantes cibernéticos, aumentando bastante a variedade das runs.
O combate continua sendo o grande destaque. Os golpes seguem impactantes, violentos e extremamente satisfatórios, enquanto as novas builds deixam a progressão ainda mais viciante. Os chefes também ajudam a quebrar a repetição do original, trazendo confrontos mais intensos e estratégicos.
Visualmente, a expansão reforça ainda mais a atmosfera cyberpunk brutal da prisão futurista, explorando ambientes mais sombrios e opressivos, claro.
Apesar disso, alguns problemas permanecem, principalmente a repetição estrutural típica do loop de arenas e a pouca variedade de comportamento dos inimigos em certos momentos.
No geral, Descent é uma expansão que entende exatamente o que precisava melhorar em KIBORG. Não reinventa o jogo, mas adiciona conteúdo suficiente para deixar a experiência mais completa, variada e divertida para quem já gostava do combate frenético do original.
Direção de arte geral
Visualmente, KIBORG consegue construir identidade mesmo sem o orçamento de grandes produções.
A ambientação aposta fortemente em brutalismo futurista, misturando neon, metal, violência exagerada e arquitetura opressiva. Existe uma influência muito clara de ficção científica distópica em toda a estética do jogo.
Tudo parece construído para um entretenimento brutal.
A trilha sonora acompanha bem essa proposta. As músicas intensificam os momentos de combate sem tentar roubar atenção excessiva da ação, funcionando muito mais como reforço de adrenalina do que como elemento memorável individualmente.
Tecnicamente, KIBORG se manteve relativamente estável durante minhas horas de jogo. Encontrei pequenas inconsistências de câmera em ambientes apertados e alguns momentos de leitura visual confusa durante confrontos com muitos inimigos, mas nada que comprometesse seriamente a experiência.
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