Olha, pra começar, eu já tinha visto alguns comentários negativos sobre o filme e alguns positivos, mas o que mais me pegou foi aquele comentário de que “não parecia Resident Evil”. E essa semana eu fui assistir.
Nada melhor do que você criar um personagem próprio como Bryan. Achei inteligente, sem precisar se agarrar a personagens conhecidos da franquia, e isso gerou uma identificação com o protagonista inexperiente, enfrentando uma das piores noites enquanto encara situações que nenhum de nós, espectadores, teríamos preparo para enfrentar… se não tivéssemos visto um único filme de terror na vida.
Bryan nos é apresentado como um entregador para casos como transplante de órgãos. Depois de concluir uma entrega, uma enfermeira oferece mais uma que pagaria o dobro. Soa tentador e ele aceita.
Mas o que me pega é que, pra um fã médio de Resident Evil, se tratando de uma entrega para Raccoon City, você já sabe que vem muita merda por aí.
Enquanto conversa com sua parceira Michele, o assunto principal que já é colocado nos primeiros 5 minutos de filme é justamente a descoberta da gravidez dela, onde o filme vai brincar com certas ironias, além de uma certa comédia e possíveis referências.





E o caminho até essa maldita cidade é marcado por uma série de idiotices que possivelmente cometeríamos.
Antes de chegarmos à cidade, o caminho naquele período de neve certamente já é um inferno, mas temos uma distração típica que só vemos em Resident Evil — assim como queda de helicóptero: Bryan atropela uma mulher.
O sujeito, no meio do nada, resolve ir ver o que acabou de fazer. Detalhe: a entrega era sem paradas.
E o mais engraçado é a naturalidade do mesmo. Sai chamando, toma a decisão idiota de ir ver onde o corpo foi parar e depois resolve botar o corpo dentro do carro pra levar ao hospital.
Ah, o filme tem uma certa tensão depois.
Após ser parado por um policial que sabe-se lá onde Deus tirou esse sujeito, nosso destemido protagonista pergunta para o policial se ele pode levar a mulher na viatura e, magistralmente, vemos o mesmo veículo capotar.
Daí em diante começa a sequência — não a mais engraçada — mas o começo das primeiras situações onde o filme realmente começa a brincar com Resident Evil.
Quem nunca se espantou com um zumbi em Code Veronica e levou uma mordida de zumbi?
Aqui a sequência é o Bryan aprendendo a usar uma pistola depois de não encontrar o corpo da mulher dentro do carro.
Daí temos a referência de um cachorro perseguindo o mesmo até descobrir que era um infectado.
E sim… os sustos em meio a momentos idiotas funcionam.
Aqui preciso falar do que me pegou de fato.
Resident Evil 2 e Resident Evil 3: Nemesis têm perseguidores como Mr. X e Nemesis, e aqui não foi diferente.
A diferença gritante é que tiro na cabeça de infectado não mata.
A cena mais chamativa do trailer foi aquele amontoado de mãos e pernas saindo de uma casa, e aqui vemos a construção da criatura que eu irei apelidar carinhosamente de nosso Nemesis desse filme: “Rei dos Ratos”.
Ele persegue Bryan desde a casa e, depois do mesmo usar uma escopeta, os corpos vão se juntando e vemos a pior situação: o monstro simplesmente não para de perseguir ele até chegar a Raccoon City.
E lembra que falei sobre nos identificarmos?
Entrar em um túnel cheio de carros nunca me pareceu uma boa ideia desde Days Gone, e esse maldito sai fazendo barulho com a sutileza de um elefante até acharmos uma criança de mais ou menos ali seus 9 a 10 anos.
E ali eu sei que seria infectado.
Porque sou pai e, na hora que vi, meu instinto foi de pegar a criança e cuidar.
Depois que ela arrancasse a própria perna fora.
E o diretor não poupou esforço, porque a forma como essa personagem teve um fim foi rápida, e nosso “Rei dos Ratos” ainda estava atrás do Bryan.
Já na cidade, uma das coisas que gostei é que esse perseguidor chega junto.
E sempre tem aquele estereótipo da pessoa armada que aparece, some na esquina seguinte e o personagem precisa ir atrás pra descobrir que… sim. O corajoso foi morto.
Ali no início do filme Bryan consegue uma pistola, na fazenda consegue uma escopeta e, mais à frente, dentro de um carro, uma submetralhadora, assim como progredimos no jogo.
E uma coisa que gostei como referência foi a máquina de escrever, a escopeta pendurada na sala, à la Resident Evil 7, você andar pelo ambiente abrindo gavetas, entre outros móveis, atrás de munição.
Sim, esse filme pode não parecer Resident Evil pra quem é um fã muuuito mais velho ou até fanático, mas pra mim é.
Temos um “Mrs. X”, só que mais gordo, em espaços apertados, o que dá uma certa tensão, já que mesmo ele matando vários ratos desse gordo — diretor assistiu Alien, o Oitavo Passageiro — o maldito continua atrás dele.
E assim como o corajoso armado, onde Bryan acha metade do corpo e ele vai sendo puxado ainda mais pra parte escura de um beco.
E, sem deixar de mencionar: esgotos.
O que mais não poderia faltar?
Uma quantidade razoável de cientistas filhos da puta.
Malditos.
A entrega que Bryan precisava fazer era no hospital.
E, por mais que esse cara encare essas situações com uma calma que eu invejo, o caminho é recheado de surpresas, como chuva de infectados.
E nada me surpreende mais do que os cadeados que usaram nesse filme.
Mega resistentes a tiro.
Quando vamos ver o que ele estava carregando, era o agente neutralizador pra fazer uma cura.
Literalmente, ele só caiu de paraquedas no meio da infecção da cidade.
E sim, você sente uma certa tensão porque qualquer dificuldade pode matar o personagem, né?
Você sabe que ele tá com o tempo contado enquanto tenta fazer de tudo pra sobreviver só pra fazer a merda da entrega.
Pra ele era uma entrega de um transplante de coração, um cérebro… Nada disso.
Era pra fazer uma cura pra merda que esses incompetentes da Umbrella sempre deixam acontecer.
E com Bryan acontece o inevitável.
Em uma situação de puro caos e quase morte, ele está se transformando, e o que começa a correr muito rápido é a própria transformação, enquanto um bando de cientistas que nunca viram o que criaram na frente deles usa os próprios companheiros pra se salvar ou salvar a amostra da cura.
Enquanto isso, Bryan se transforma em algo bem parecido com William Birkin, do Resident Evil 2.
Agora vamos lá: eu gostei do filme.
Senti que o uso de um certo nível de humor, terror e um pouco de jumpscare funciona.
Acho que o diretor desse filme deve ter se inspirado em Dead Space, Days Gone e World War Z.
Já tivemos bastante animações com personagens clássicos da franquia e aqui a escolha por criar um personagem único pro filme, assim como Ethan foi criado pro Resident Evil 7 e 8, é muito bem-vinda.
Se você ignorar certos detalhes e se colocar no lugar do protagonista, vai perceber que estaríamos sujeitos a qualquer um desses erros.
E o fim tem um desfecho triste.
No fim eu torci muito pra que ele ficasse bem.
Mas ele se fudeu do começo ao fim.
O que deixa o filme bem fechadinho na sua conclusão.
Eu veria mais filmes com essa pegada.
A dublagem brasileira feita pelo Yan Gesteira, responsável pelo Mancha em Spider-Man: Across the Spider-Verse e pelo Doutor Shaun em The Good Doctor, ficou maravilhosa.
Ele dá uma pegada meio sem noção e inocente demais pro Bryan, que funciona justamente porque o cara é jogado no meio do caos de uma infestação e de um vazamento de vírus da Umbrella.
E o ator Austin Abrams foi bem carismático.
Gostei porque a ideia não era passar a imagem de um Chris Redfield tomando bomba e deitando infectado no murro.
Então acho que o diretor acertou em cheio ao se desprender dos personagens clássicos, dando chance de explorar outros aspectos da franquia.
E optar pelos infectados como arma biológica e sair um pouco dos zumbis ajudou muito.
Body horror ajudou muito.
Essa variante do T-Virus que vai assimilando quem ela consome e fazendo tudo virar aquela amálgama disforme é bem Resident Evil 2 clássico.
Até os ratos no esgoto passam por isso.
E tenho certeza que o estoura-peito foi algo que ele viu em Alien, junto com um pouco de Dead Space.
Dito isso, eu adorei o filme.
Espero que inventem mais filmes assim pra termos outras perspectivas do universo dos games que tanto amamos.
Fico por aqui e até a próxima.
E lembrem: NÃO ACEITE PEDIDO EXTRA PRA ENTREGA DEPOIS DO SEU HORÁRIO. VAI QUE VOCÊ VAI PARAR NO MEIO DE UM APOCALIPSE ZUMBI.
FICHA TÉCNICA — RESIDENT EVIL (2026)
Título: Resident Evil
Ano: 2026
Direção: Zach Cregger
Roteiro: Zach Cregger e Shay Hatten
Gênero: Terror / Horror / Ficção científica
Elenco
Austin Abrams — Bryan
Zach Cherry — Dave
Kali Reis — Pauline
Paul Walter Hauser — Carl
Johnno Wilson — Max
Sara Paxton — Michelle
Will Merrick — Dave
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Fã número 1 de Demolidor, leitor ávido de quadrinhos e nas horas vagas lutador de Muay Thai