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Disney•Pixar Brave (Valente): The Video Game | PC Review

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Brave: The Video Game é daqueles jogos que carregam uma responsabilidade complicada: transformar um filme da Pixar em um jogo que realmente seja divertido, e não apenas um produto feito para aproveitar o lançamento do cinema. E, para minha surpresa, Brave consegue entregar uma aventura bem gostosa, principalmente porque não tenta simplesmente copiar o filme cena por cena.
Brave

A história funciona como uma espécie de aventura paralela. Merida precisa enfrentar uma maldição que colocou sua mãe na forma de urso e ameaça o reino, enquanto percorre diferentes regiões da Escócia enfrentando criaturas, resolvendo pequenos problemas pelo caminho e tentando chegar até a origem de toda essa confusão.

O jogo expande algumas ideias do filme e coloca Merida em situações que não aparecem na animação.

E acho que essa foi uma decisão acertada. Em vez de jogar novamente o filme com um controle na mão, 8 cria uma aventura própria usando os personagens e o universo que já conhecemos.


Gameplay


O gameplay é simples, direto e extremamente gostoso de jogar. Brave é basicamente um jogo de ação em terceira pessoa com elementos de plataforma, combate e alguns quebra-cabeças. Não espere uma árvore de habilidades com 300 opções ou um mapa gigantesco cheio de ícones. A proposta aqui é muito mais arcade, daquele jeito que você começa a jogar e rapidamente já entendeu tudo.

Merida tem duas armas principais: espada e arco. E, sinceramente, o arco rouba a cena. Você consegue mirar livremente com o analógico direito e disparar em praticamente qualquer direção, criando uma espécie de twin-stick shooter dentro de uma aventura em terceira pessoa. É uma mecânica simples, mas funciona muito bem e deixa os combates surpreendentemente divertidos.

O interessante é que os inimigos possuem fraquezas diferentes e você pode alternar entre tipos elementais de ataque. Fogo, gelo, ar e terra entram na brincadeira, e saber qual elemento utilizar contra cada inimigo deixa o combate um pouco mais estratégico. Não é nada extremamente complexo, mas evita que você fique apertando o mesmo botão durante a aventura inteira.

Brave

E quando algum inimigo resolve chegar perto demais, entra a espada. O combate corpo a corpo é mais simples e funciona quase como um plano B para quando a distância deixa de ser sua melhor amiga. Também existem ataques especiais, esquivas e melhorias que vão sendo desbloqueadas conforme você avança.

O sistema de evolução é outro ponto que achei bem interessante para um jogo desse tipo. Você coleta moedas derrotando inimigos e destruindo objetos espalhados pelo cenário, e esse dinheiro pode ser usado para melhorar armas, habilidades e ataques. Ou seja, até sair quebrando flores, plantas e objetos pelo caminho tem uma pequena recompensa. É praticamente a versão medieval de “não custa nada tentar”.

Além disso, existem baús escondidos pelos cenários com equipamentos e melhorias. Os níveis são lineares, mas possuem pequenos desvios que incentivam o jogador a olhar um pouco além do caminho principal. Não chega a ser uma exploração profunda, porém funciona bem dentro da proposta.

Também gostei dos momentos em que o jogo quebra um pouco sua própria fórmula. Em algumas partes, você controla a mãe de Merida transformada em urso e simplesmente sai distribuindo pancada nos inimigos. É aquela pausa maravilhosa em que o jogo basicamente fala: “chega de arco e flecha, agora vamos resolver isso na base da porrada”.

Brave

Os irmãos de Merida também participam de pequenos trechos de quebra-cabeça. Você controla os três ursinhos para acionar mecanismos, abrir caminhos e resolver obstáculos. São puzzles bem simples, mas ajudam a variar a aventura e combinam perfeitamente com os personagens.

Agora, nem tudo são flores. O jogo é bastante linear e, depois de algumas horas, você começa a perceber que está enfrentando variações dos mesmos tipos de inimigos e repetindo algumas estruturas. O combate continua divertido, mas falta um pouco mais de variedade para manter a surpresa até o final.

O maior problema, para mim, está nas partes de plataforma. A câmera nem sempre ajuda e alguns saltos podem virar uma pequena discussão pessoal entre você, Merida e o controle. Existem momentos em que parece que você sabe exatamente onde precisa pular, mas o jogo decide que aquela distância era um conceito subjetivo.

Outro ponto é a duração. Brave não é um jogo gigantesco e nem tenta ser. Uma campanha relativamente curta combina com sua proposta, mas também significa que, quando você começa a desbloquear boa parte das habilidades e equipamentos, já está chegando perto do fim.

Brave

Mesmo assim, existe algo muito agradável na simplicidade de Brave. Ele não fica tentando colocar sistemas desnecessários para parecer maior do que realmente é. Você anda, luta, melhora Merida, encontra alguns segredos, resolve um puzzle e continua sua aventura. É uma fórmula antiga, mas muito bem adaptada ao público que o jogo queria alcançar na época.


Direção de arte geral


.Aqui existe uma situação curiosa. Brave: The Video Game obviamente não consegue reproduzir a qualidade visual de uma animação da Pixar, mas consegue transmitir bastante da identidade de Brave. Os cenários têm aquela mistura de natureza, fantasia e paisagens escocesas que combina muito bem com a proposta.

Merida também funciona muito bem como protagonista. Ela não foi transformada em uma personagem que simplesmente fica esperando alguém resolver seus problemas.

O jogo aproveita justamente o que torna a personagem interessante: ela corre, luta, usa arco, espada e parte para cima dos problemas.

A trilha e os efeitos sonoros ajudam bastante, principalmente o som do arco. É um detalhe pequeno, mas disparar flechas contra os inimigos tem uma resposta sonora satisfatória e combina muito com a jogabilidade.

Disney•Pixar Brave (Valente): The Video Game | PC Review
PATÔMETRO
Conclusão
Brave: The Video Game foi uma surpresa muito agradável. É simples, direto e não tenta ser mais do que precisa. O arco é divertido, os poderes elementais dão uma boa variedade aos combates, a evolução funciona e os momentos com o urso e os irmãos ajudam a aventura a não ficar presa em uma única fórmula. Ele tem seus problemas, principalmente na câmera, nas plataformas e na pouca variedade depois de algumas horas. Mas existe uma coisa que eu valorizo muito aqui: Brave é genuinamente divertido. É um jogo que você coloca para jogar pensando "vou dar uma olhada" e, quando percebe, já está avançando mais uma fase. Para uma adaptação de filme lançada em 2012, isso é um baita elogio.
Notas do Visitante0 Votes
0
PROS
Combate com arco muito divertido
Sistema de elementos dá variedade às lutas
Boa adaptação do universo do filme
Aventura leve e gostosa de jogar
CONTRAS
Câmera atrapalha em alguns momentos
Inimigos ficam repetitivos
Campanha relativamente curta
8
NOTA FINAL

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