ALERTA: Contém spoilers de Pragmata.
Em abril deste ano, a Capcom lançou uma nova IP e, sem dúvida, um dos melhores jogos do ano.
Desenvolvido e publicado pela própria Capcom, Pragmata está disponível para PS5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.
Esse é um dos títulos que mais chamam a atenção da Capcom em muitos anos, não apenas pela sua gameplay disruptiva e inovadora para um jogo AAA, mas também pela sua história impactante.
A trama de um investigador espacial preso no espaço, buscando um caminho de volta à Terra, é apenas um pretexto para tudo o que o jogo quer mostrar. Pragmata é mais do que uma jornada de volta para casa. Pragmata é sobre Diana e Hugh. O resto é o resto.

Aliás, aqui, casa é sinônimo de lar. Mas, afinal, o que é um lar?
No dicionário, a palavra “lar” tem vários significados. Entre eles, um chama a atenção: lar é o lugar onde vive uma família. Sendo assim, lar não é somente o lugar físico de onde você veio, mas também aquele onde vive com sua família, onde reside o seu afeto.
E o que acontece quando esse afeto não está em um lugar físico, em uma casa, mas em um ser que faz você se sentir bem, se sentir potente? É nesse lugar que Hugh encontra Diana.
Dois desconhecidos que precisam um do outro
Mas, antes, vamos ao início.
A humanidade estabeleceu uma colônia avançada na Lua, mas todo o contato com a Terra foi misteriosamente interrompido após a IA IDUS assumir o controle total das instalações e prender os habitantes em simulações realistas e perigosas. Nesse cenário, a IDUS passa a atacar qualquer ser vivo presente na Lua, principalmente os humanos.
No meio dessa confusão está Hugh, que acabou de perder toda a sua tripulação e busca encontrar um caminho de volta à Terra.

Logo no início de sua jornada, ele encontra uma androide chamada Diana, que tem a fisionomia de uma criança humana. Além disso, Diana possui a habilidade de hackear os sistemas das máquinas, algo fundamental para que Hugh consiga lutar e sobreviver.

Hugh é um investigador espacial perdido na Lua, sozinho, agarrado à esperança de um dia voltar para casa e escapar daquele pesadelo. Diana é uma androide sem memória, até certo ponto inocente, que ainda tenta entender quem é e para onde vai.
Enquanto Hugh desconfia se pode confiar em Diana e ela tenta descobrir quem realmente é, uma coisa fica clara: um precisa do outro para sobreviver. Assim, uma aliança se torna necessária para o bem de ambos.
Quando a amizade se transforma em uma relação de pai e filha
A IDUS é implacável, fria e calculista. Qualquer passo em falso de Hugh e Diana pode ser fatal.
Com o passar da jornada pela Lua, o relacionamento entre os dois se fortalece. Um passa a confiar cada vez mais no outro, a amizade cresce e a relação entre dois desconhecidos se transforma em algo muito mais próximo de uma relação entre pai e filha.
É aí que os dois tomam uma decisão importante: Hugh irá para a Terra com Diana. Mas, antes, eles precisam encontrar uma maneira de chegar ao planeta.
É nesse momento que o jogo realmente começa, e toda a jornada de Pragmata se desenrola.
Afinal, onde está o lar de Hugh?
Hugh era alguém perdido e sozinho no espaço, que acabara de perder seus amigos, aquelas pessoas que representavam sua ligação mais próxima com a Terra, com o seu lar.
Voltar à Terra era a coisa mais importante para Hugh, porque isso significava reencontrar aqueles que mais importavam para ele.
Ao encontrar Diana, porém, ela passa a preencher esse vazio em sua vida. Ela dá a Hugh, que já havia perdido as esperanças, um propósito, um afeto, um lar.
Para Diana, Hugh era tudo. Era a figura paterna, quem compartilhava memórias com ela, quem a ensinava o que era certo e errado, quem a protegia. Hugh era o lar de Diana.
Muitas vezes, o lar não é onde. É quem.

É a partir desse conceito que, no final do jogo, a ficha de Hugh cai. Seu lar já não era mais o planeta Terra, até porque seus entes queridos já haviam partido. Seu lar agora era Diana.
A partir do momento em que ele também se vê infectado pela corrupção da IDUS, sua missão muda. O propósito de Hugh passa a ser proteger seu lar: Diana. Mesmo que, para isso, precise se sacrificar.
Pragmata é sobre encontrar um lar
Pragmata é um jogo que fala sobre solidão, vazio e a busca por encontrar nosso lar.
Muitas vezes, nosso lar não está em um lugar, mas no afeto. O conceito de lar está ligado a uma relação afetiva.
E aí, já encontrou o seu lar?

escrevo sobre games como forma de arte. Artigos especiais sobre narrativa, indústria e tudo aquilo que os videogames dizem — mesmo quando não parecem estar dizendo nada.