Boa Leitura!

Onimusha: Way of the Sword | PS5 Review

Onimusha: Way of the Sword | PS5 Review

Onimusha: Way of the Sword me conquistou rapidamente através de seu combate preciso e cadenciado, personagens carismáticos e expressivos, cutscenes bem coreografadas e uma história razoavelmente competente. A Capcom acertou de novo: o mais novo lançamento da franquia Onimusha é um forte candidato ao prêmio de ‘Jogo do Ano’ de 2026.

Finalizei o jogo com aproximadamente 25h de gameplay, tempo suficiente para concluir a campanha principal, realizar todas as missões secundárias e coletar todos os colecionáveis do mapa.

Todos os pontos positivos e negativos dessa jornada serão detalhados no review abaixo!

Um início de jornada impactante

O jogo se inicia com uma sequência bem extensa que serve para nos apresentar ao protagonista e ao tom geral do jogo.

Acompanhamos a jornada do protagonista, Miyamoto Musashi, enquanto vai ao encontro do líder da escola Yoshioka para enfrentá-lo em um duelo. Após um breve tutorial, Musashi sai vitorioso, mas logo se vê obrigado a escapar de um grupo enorme de espadachins, em uma perseguição bem-humorada que desde cedo revela a qualidade das expressões faciais do personagem, o qual diverte facilmente com suas caras e bocas exageradas.

É nesse caos que conhecemos Sasaki Ganryu, o autoproclamado “rival” de Musashi, do qual temos pouquíssimo tempo para refletir sobre, ante o surgimento de um grupo de criaturas infernais conhecidas como “Genma”. Os inimigos atacam violentamente os samurais, com uma brutalidade que me surpreendeu (e agradou) bastante, deixando bem claro que o humor inicial conviveria com momentos bem mais sombrios.

Evitando dar spoilers da história, o resultado desse conflito nos coloca no caminho de um misterioso “homem de branco”, o qual coloca uma ‘Manopla Oni’ no braço do protagonista, mesmo que isso fosse contra sua vontade e convicções, pois Musashi acreditava somente no caminho da espada.

Irresignado com aquele o poder em sua posse, mas que não considerava seu, seu objetivo passa a ser encontrar uma forma de se livrar daquele “artefato”, o qual só poderia ser removido se coletasse almas de Genma o suficiente, motivando-o a enfrentar as terríveis criaturas espalhadas por Quioto e regiões próximas.

Uma história de altos e baixos… E altos de novo!

Depois dessa abertura arrebatadora, a campanha acaba entrando em um ritmo mais previsível… E muito repetitivo!

Imediatamente após o “prólogo” e por uma boa parte do período intermediário dessa jornada, percorremos uma mesma sequência VÁRIAS vezes: Musashi recebe um destino; atravessa uma área enquanto derrota os Genma; retorna para o local seguro em Quioto; recebe um novo destino… E o ciclo se repete.

É uma estrutura que cumpre o papel de nos levar aos múltiplos cenários disponíveis e faz a história rodar, mas a sensação de repetir um mesmo ciclo enfraqueceu bastante esse miolo da narrativa.

Felizmente, ainda existiram alguns momentos bem interessantes dentro das missões dessa fórmula, como a passagem do protagonista pelo laboratório de Dokyo, onde somos submetidos a uma atmosfera perturbadora que altera o ritmo da aventura e dá uma balançada nessa estrutura cíclica.

Conforme o jogo avança para seu terço final, ele abandona a mesmice e catapulta a qualidade da história para as alturas novamente, com boas reviravoltas envolvendo as convicções de Musashi, seus aliados e também os antagonistas da obra. 

Onimusha: Way of the Sword | PS5 Review
Onimusha: Way of the Sword

As cenas que envolvem os antagonistas do jogo estão entre as melhores que Onimusha tem a nos oferecer, recuperando a brutalidade das cenas iniciais e elevando a tensão a um patamar completamente novo, encaixando bem as revelações de fim de jogo e nos entregando seus melhores combates e cutscenes.

Dessa forma, o encerramento da obra é muito satisfatório, concluindo bem todo o arco de evolução do protagonista e dando conclusões bem marcantes a todos os que circundam a personagem.

No entanto, minhas ressalvas ao caminho repetitivo da história nem são minhas maiores críticas, porque ainda precisamos falar sobre as missões secundárias.

As histórias secundárias são honestamente ruins ou simplesmente irrelevantes: nenhuma delas acrescenta NADA de interessante à trama principal. Isso tudo piora quando percebemos que a proposta delas sempre se limita a vencer um breve combate ou retornar a um cenário já conhecido para realizar uma tarefa pequena e tediosa. 

Ao bem da verdade, essas atividades me soaram como uma desculpa para estender a exploração do jogo, o que me incomodava ainda mais quando elas recorriam aos mesmos chefes repetitivos que enfrentamos tantas vezes na campanha, algo que irei detalhar mais adiante.

Onimusha: Way of the Sword | PS5 Review
Onimusha: Way of the Sword

Personagens extremamente marcantes e expressivos

Apesar da história irregular, Miyamoto Musashi é um dos grandes acertos de Onimusha: Way of the Sword e um dos melhores protagonistas estreantes dos últimos anos.

Considerando que o personagem é baseado em um dos maiores e mais famosos espadachins da história do Japão, não pude optar por outro idioma para a dublagem do jogo que não fosse o japonês… O que foi um grande acerto!

O dublador japonês potencializa o quão expressivo e carismático é o protagonista, cheio de maneirismos e reações físicas que rendem momentos de humor que me lembraram muito a energia do saudoso Jackie Chan em seus filmes mais inspirados.

Da mesma forma que o astro do cinema, a presença de Musashi nos combates deixa claro porque ele deve ser temido. Além de ser terrivelmente habilidoso com a espada, está sempre pronto para se utilizar qualquer artefato disponível para destruir seus adversários.

Mas mais do que um personagem carismático e poderoso, o protagonista claramente evolui durante a história, como pessoa, como amigo e aliado, com suas convicções e também com a forma como encara o mundo que o cerca.

Onimusha: Way of the Sword | PS5 Review
Onimusha: Way of the Sword

Dentre os personagens secundários, aqueles que mais se destacaram e me marcaram nessa jornada foram Shizuka Gozen e Ono no Takamura. Ambos são aliados e guias extremamente importantes para Musashi, mas mais do que apenas conduzi-lo, eles contextualizam o jogador e nos imergem no mundo junto ao protagonista. 

Entretanto, por mais que eu adore os aliados de Musashi, seus adversários são ainda mais cativantes.

Ganryu é meu personagem preferido do jogo inteiro, acima até mesmo do protagonista e do antagonista final. Sua personalidade de espadachim arrogante, seu aspecto visual marcante e uma dublagem japonesa excelente, fizeram com que meu cérebro imediatamente o associasse a deuteragonistas e vilões clássicos de animes (como Sasuke,  Orochimaru e Sanemi).

Transformá-lo em um rival recorrente na história foi uma ótima escolha, porque não envolvia apenas o peso de ser um antigo conhecido, mas alguém que enfrentamos vez após outra, com cada vez mais profundidade nas mecânicas de luta e uma conclusão bem impressionante.

O outro grande destaque aqui é Minamoto no Yoshitsune, que assume o clássico papel do “herói corrompido pelo poder”, com uma crueldade absurda em cada ação, expressões faciais e dublagem tão impressionantes, que fazem com que essa ideia funcione como se não fosse um grande clichê. 

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Onimusha: Way of the Sword

O prazer de um combate cadenciado

Quando o ritmo da história oscilava, o combate era a principal razão para continuarmos a jogar.

Musashi conta com a quantidade “padrão” de variações ofensivas dos jogos de ação atuais: ataque padrão, ataque fortes (ambos podendo ser “carregados” para um ataque mais poderoso quando desbloqueado na árvore de habilidades), disparos com arco e a possibilidade de utilizar os armamentos Oni ao coletar almas azuis o suficiente. Cada uma dessas armas especiais tem propósitos diferentes: seja a quebra de posturas, dar dano massivo ou gerar almas amarelas para recuperar vida do protagonista.

Além disso, existe mais uma “opção ofensiva especial”. Apesar dela aparecer em alguns trailers de divulgação do jogo, não irei entrar em detalhes por ser algo que se adquire quando bem avançados na história. 

Mais do que apenas opções ofensivas, o primor do combate de Onimusha surge justamente quando precisamos nos defender: esquivas, aparos, deflexões e o poderoso (mas difícil de executar) Issen.

Um dos maiores acertos do jogo é estimular o jogador a não apenas se defender no momento certo, mas utilizando o tipo correto de defesa para cada ataque, transformando o combate do jogo no mais satisfatório que joguei este ano.

As animações corporais de Musashi valorizam muito essas lutas: a utilização de seus braços para aparar e atacar a partir de qualquer posição que o personagem se encontre, é algo muito diferenciado.

Somando tudo isso aos efeitos sonoros impactantes (sim, temos um som bem satisfatório ao acertar um aparo perfeito), o impacto das armas e à violência gráfica, o resultado é sublime.

Ah, e quando falo em violência gráfica, a Capcom não se conteve: há muito sangue, golpes violentos com finalizações que arrancam partes de inimigos de diversas formas e posições, exatamente o que esperamos ver de confrontos tão intensos.

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Onimusha: Way of the Sword

Ainda sobre os combates, os chefes do jogo precisam ser apontados como destaque, por quesitos tanto positivos, quanto negativos.

Os chefes relacionados à história principal do jogo são perfeitos: designs marcantes, personagens cativantes e histórias interessantes, que não se limitam apenas à teoria, mas criam confrontos memoráveis que podem exigir uma boa aprendizagem de padrões antes de sair vitorioso.

Mas tudo o que tenho de elogios aos chefes únicos, tenho de críticas aos chefes “secundários” não-únicos… E justamente por conta de sua repetição. 

Em pouco mais de 25h de jogo, me vi obrigado a enfrentar os mesmos bosses secundários mais de CINCO vezes (cada), principalmente quando abordava o conteúdo secundário do jogo (mas não apenas nele!). Como se não fosse suficiente, mesmo alguns chefes da história principal eram repetidos pelo menos uma vez em outros momentos. 

Isso é uma das maiores falhas do jogo, porque mesmo confrontos excelentes, quando são repetidos à exaustão, reduzem em muito o impacto positivo que eles causaram na primeira vez.

Chega a ser um frustrante saber que aqueles que exploram mais e desfrutam mais o conteúdo secundário do jogo, possivelmente tem uma experiência pior do que aqueles que seguiram apenas a história principal e não se depararam com tantas repetições. 

E não é como se fosse um problema exclusivo dos chefes, porque a repetição dos inimigos comuns também é bem evidente, pois enfrentamos os mesmos cinco tipos de adversários durante o jogo inteiro. Felizmente, essa repetição só começou a me incomodar lá pelas 15 horas de gameplay. 

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Onimusha: Way of the Sword

Sobre os sistemas do jogo, aqui também os pontos positivos são superiores aos negativos.

As duas árvores de habilidades são extremamente competentes, com habilidades que realmente dão a sensação de que nos tornamos mais poderosos a cada poder adquirido.

São exigidas almas de Genma para evoluir algumas habilidades (o que nos estimular a não fugir das lutas), enquanto outras requerem recursos mais específicos (que demandam que façamos missões secundárias ou explores o mapa), formando um ciclo de luta-exploração-evolução muito bem montado.

Por outro lado, a evolução das armas e armaduras são mais simplistas, visto que seus aprimoramentos apenas trazem aumentos em porcentagens, o que não é necessariamente um problema. 

Maximizar esses equipamentos foi bem satisfatório, pois eu me sentia constantemente bem recompensado por estar explorando bastante, tendo conseguido colocar quase todos os equipamentos no nível máximo ao final do jogo. 

Quanto aos cosméticos disponíveis, existem em baixa variedade, mudam pouco a aparência de Musashi  e quase não justificam sua presença no jogo, com exceção de servirem de recompensas para a busca de coletáveis.

E nem irei entrar no mérito dos desafios do campo de treinamento serem extremamente fáceis e concederem recompensas pífias, bem como a possibilidade de repetir confrontos contra os chefes da campanha conceder apenas um cosmético genérico, mas apenas ao refazê-las TODAS.

Onimusha: Way of the Sword | PS5 Review
Onimusha: Way of the Sword

Uma Quioto que pede menos idas e voltas

Sobre a exploração “livre”, ela é quase que completamente concentrada na região de Quioto em um estilo “open-bairro”, enquanto as demais áreas jogáveis são bem mais lineares.

Liberar gradualmente as regiões de Quioto através das missões da história torna o começo da exploração bem agradável e cadenciado, o que é potencializado por estarmos diante de uma cidade bonita e repleta de detalhes.

Os pequenos desafios de cenário são bem intuitivos, envolvendo movimentar-se através de escadas, plataformas e paredes. Descobrir um caminho, alcançar um coletável ou descobrir como atravessar um trecho do cenário funcionava sem que o jogo precisasse nos guiar pela mão.

Entretanto, o prazer de explorar a cidade vai caindo conforme as horas do jogo vão se alongando. As novas missões secundárias e os coletáveis surgem sempre nas áreas dos mapas que já percorremos incontáveis vezes, exigindo mais uma viagem por trajetos familiares, que em alguns casos possuíam uma travessia bem irritante.

Apesar do backtracking começar bem, não é exagero afirmar que o jogo me forçou para caminhar pelas mesmas áreas pelo menos quatro ou cinco vezes, apenas com objetivos diferentes.

Ao longo da campanha, ganhamos apenas duas “ferramentas” que auxiliam na exploração: uma forma de abrir determinadas paredes e uma forma de correr pela parede.

Ambas se encaixam bem nos pequenos puzzles de cenário com os quais nos deparamos, mas confesso que senti falta de mais possibilidades para transformar a exploração conforme a aventura avançava, em especial para uma jornada de 25h.

Onimusha: Way of the Sword
Onimusha: Way of the Sword

Uma apresentação à altura dos melhores confrontos

Visualmente, Onimusha: Way of the Sword é belíssimo.

A cidade de Quioto rapidamente nos conquista com sua identidade própria, mas os demais cenários não ficam para trás, sendo ricos em detalhes de sua natureza e iluminação.

A cinematografia das cutscenes também merece muito elogios, com uma visão de câmera que acompanha o movimento acelerado das lutas de espadas, valorizando bem os personagens e sempre acrescentando ao clima de cada uma das cenas.

Inclusive, as expressões faciais dos personagens roubam a cena de qualquer cutscene, principalmente de Musashi, Shizuka e Yoshitsune, almejando algo mais “carismático” do que “realista”, mas sendo tão impressionante quanto.

Os efeitos sonoros são ótimos em todos os âmbitos, seja nos golpes de Musashi, na interface do jogo ou nas cenas de história.

A trilha sonora acompanha bem os acontecimentos, mas não a tenho como o aspecto mais marcante da experiência.

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Onimusha: Way of the Sword

Mas roda bem?

Jogando no PlayStation 5 (base) e levando em conta a minha experiência pessoal, o desempenho do jogo foi perfeito: sem bugs, sem crashes, sem pop-in de textura. 

Eu até poderia ser hiperbólico e dizer que não me lembro da última vez que joguei algo tão bem polido no lançamento, mas a verdade é que a Capcom acerta em todos os seus lançamentos recentes: considerando que joguei Pragmata e Resident Evil: Requiem em seus lançamentos, tenho que admitir que todos eles estavam polidos à perfeição. 

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Onimusha: Way of the Sword

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PATÔMETRO
Conclusão
Onimusha: Way of the Sword entrega um excelente elenco, lutas muito bem coreografadas e uma apresentação visual que faz com que seus melhores confrontos sejam difíceis de esquecer. A história começa com um prólogo intrigante, perde fôlego no meio da campanha e se recupera em uma reta final que compensa os momentos mais fracos. Ainda assim, as constantes voltas aos mesmos mapas, as missões secundárias pouco inspiradas e a repetição excessiva de alguns chefes deixam um gosto amargo no que poderia ter sido um dos melhores jogos de ação que já tive o prazer de experienciar. Mesmo com essas falhas, Onimusha me marcou como poucos jogos em 2026 e segue como um dos meus candidatos a Jogo do Ano!
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