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DYNASTY WARRIORS 3: Complete Edition Remastered | PS5 Review

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Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered é competente como uma remasterização, com gráficos muito superiores ao original e melhorias pontuais no combate. No entanto, a experiência do jogo se mostra pouco envolvente para os tempos atuais, marcada por uma narrativa desinteressante e combates que se tornam repetitivos antes de motivar o jogador a explorar todo o seu conteúdo.

Antes de começarmos, preciso ser transparente com o público e informar que eu não joguei o Dynasty Warriors 3 original! Não só isso, mas eu nunca havia jogado um jogo do gênero “musou” na minha vida, então essa análise traz o olhar de um completo iniciante na franquia.

Todos os pontos positivos e negativos dessa jornada serão detalhados no review abaixo!

Agradeço à Koei Tecmo pela disponibilização de uma cópia de Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered em acesso antecipado.

A guerra não espera pelos novatos

A premissa de Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered é nos colocar no meio de batalhas massivas na China Antiga, controlando um (de muitos) guerreiro lendário capaz de enfrentar exércitos inteiros. Como um bom jogo do gênero “musou”, sua proposta é nos fazer enfrentar milhares de inimigos em imensos campos de batalha.

Nesse império em que múltiplas forças disputam o poder, os oficiais de cada lado entram em combate, de forma que a escolha do personagem altera a perspectiva pela qual acompanhamos esses conflitos.

Como a edição completa une o jogo original ao Dynasty Warriors 3: Xtreme Legends, são mais de 40 oficiais jogáveis, mas é importante destacar que temos apenas 9 opções disponíveis no início da gameplay.

Apesar da possibilidade de acompanhar os conflitos por diferentes perspectivas ser bem interessante, o jogo passa longe de saber conduzir aqueles que nunca tiveram contato com sua história.

Acompanhar o contexto da história foi extremamente difícil, principalmente pela apresentação fragmentada da narrativa que não fazia questão de contextualizar um único acontecimento ou nome citado.

DYNASTY WARRIORS

Muitas perspectivas, pouca continuidade

O “Modo Musou” é o atrativo principal do jogo, trazendo histórias individuais dos oficiais disponíveis arranjadas em campanhas curtinhas que nos colocam em uma sequência de cenários de combate relacionados às suas trajetórias.

Cada campanha possui entre seis e oito fases, enquanto os líderes das facções possuem cenários um pouco mais extensos que podem chegar à dez fases.

Foram nessas pequenas jornadas que os problemas de narrativa se fizeram presentes, potencializados pelas péssimas cutscenes que conduzem o modo. Tanto aquelas que introduzem a jornada, quanto aquelas que conectam os capítulos de cada história, são curtas, parecem “picotadas” e frequentemente terminam de forma abrupta, jogando-nos em um confronto antes que o contexto tenha sido suficientemente explicado.

Isso que sequer estou incluindo as cenas de apresentação e derrota dos oficiais que surgem em combate, com atuações pouco naturais e diálogos rasos que só acentuam o aspecto “entrecortado” das cutscenes.

Do ponto de vista de um novato, a primeira passagem pelas campanhas foi difícil de absorver, porque precisei conhecer o combate, aprender a ler o mapa e tentar acompanhar a história, tudo ao mesmo tempo. Apesar da gameplay ter sido fácil de aprender, a narrativa continuou difícil de acompanhar.

Tendo chegado ao final da primeira jornada com Guan Yu, também fiquei decepcionado com a recompensa narrativa: um desfecho com imagens estáticas e textos explicativos (no melhor estilo das “torres do Mortal Kombat”), somado a uma cutscene final tão descontextualizada quanto todas as outras. 

DYNASTY WARRIORS 3: Complete Edition Remastered | PS5 Review

Personagens belíssimos, mas pouco expressivos

Mesmo não tendo acompanhado o jogo em seu lançamento de 2001, assim que descobri que teria acesso à versão remasterizada, fiz questão de assistir algumas gameplays do original, principalmente para poder discutir acerca da evolução estética.

Dito isso, os personagens deste jogo estão belíssimos! Retrabalhados de forma a trazer mais detalhes e modelagens atualizadas, senti que cada um deles era muito único (ao menos, no quesito visual), mas sem mexer em elementos importantes do design a ponto de desagradar os fãs de longa data.

Entretanto, esses modelos mais bonitos acabaram deixando evidente o quanto as suas expressões faciais são limitadas, através de rostos inexpressivos que entregam a idade real do jogo original.

Entre os personagens que utilizei, Guan Yu foi aquele que mais me chamou a atenção, tanto por possuir uma arma que prezava pelo alcance, quanto por possuir estatísticas mais “neutras”, de forma que não precisei priorizar um atributo enquanto ainda não conhecia o suficiente do jogo para entender minhas preferências.

Mas o encanto que tive com ele foi se perdendo ao testar os demais personagens, o que me levou a perceber a falta de variedade de gameplay, mesmo quando selecionava facções diferentes ou portava armas diversas.

A impressão que fica é a de que o jogo tem personagens em excesso, dos quais nenhum verdadeiramente se destaca.

Como não há suporte oficial ao português brasileiro (nem mesmo legendas), optei pelo idioma inglês, o que se provou uma péssima escolha diante de uma dublagem extremamente fraca, repleta de diálogos tão toscos que eram quase cômicos. 

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Um combate mais ágil que continua repetitivo

O combate parte de uma estrutura bem simples: temos o ataque normal e o ataque forte, os quais podemos (e devemos) alternar para construir sequências diferentes, de forma a manter os inimigos sendo atingidos o máximo de tempo possível para manter um combo.

É claro que não poderia faltar o ataque especial que dá o nome ao gênero: após atingir os inimigos por tempo o suficiente para carregar uma barra de poder, podemos desferir um poderoso “Musou” em nossos adversários. No caso de Guan Yu, seu ataque especial era uma sucessão de poderosos giros com sua lança, atingindo vários inimigos em área enquanto distribuía dano.

Apesar do cerne ser bem fiel ao jogo original, a remasterização traz algumas boas mudanças de qualidade de vida, sendo a principal delas a adição de uma esquiva direcional. Sinceramente, essa esquiva me pareceu tão essencial à gameplay que eu não consigo entender como o jogo funcionava originalmente sem ela, de forma que ela certamente alivia bastante a dificuldade jogo. 

O jogo originalmente possuía como opção defensiva apenas o botão de “defender-se”, mas aqui esse sistema também foi aprimorado, com a possibilidade de realizarmos um aparo (“Perfect Power Guard”) ao erguer a defesa no último instante. Da mesma forma, é possível utilizar a esquiva no momento exato de um ataque para abrir espaço para um contra-ataque especial, mais uma novidade da versão modernizada. 

Mas aos fãs fervorosos, podem ficar tranquilos: todas essas mecânicas novas podem ser facilmente desativadas nas configurações do jogo.

Diante destas poucas adições, o combate ainda se resume a esmagar botões de forma desenfreada, repetindo combinações irregulares de ataques fracos e fortes para derrotar os inimigos comuns e os chefes, os quais só apresentam alguma dificuldade se você não tiver seu exército para apoiá-lo.

E para um jogo que quer amarrá-lo a ponto de jogar uma campanha com pouquíssima variedade com 40 personagens diferentes, é fácil dizer que o combate é raso e extremamente repetitivo.

Para os jogadores novatos, já lhes adianto que as batalhas podem ser inicialmente bem difíceis de entender, especialmente pelos inúmeros tutoriais que pipocam na tela enquanto os inimigos já estão nos cercando, mensagens aparecendo a todo momento para informar alguma atualização do campo de batalha, além das interrupções repentinas que por vezes mostravam pequenas cenas que nem sequer envolviam o oficial que o jogador controla.

Essa sensação melhora um pouco com o passar das batalhas, quando a quantidade de tutoriais diminuiu e comecei a entender melhor o mapa e seus acontecimentos.

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Entre cada cenário, a tela de preparação permite que equipamos itens realmente úteis que impactam na gameplay. Esses itens são tão bons que eu efetivamente tive de refletir algumas escolhas para me preparar melhor para os próximos cenários.

A fusão de armas é uma das mecânicas de que mais gostei, permitindo aproveitar características de um equipamento inferior e transferi-las para o equipamento que efetivamente queremos utilizar.

Além disso, podemos customizar nossas tropas antes dos confrontos, pois contamos com um pequeno séquito de guarda-costas para nos apoiar nas jornadas, com alterações que abrangem desde o visual, até as armas e a forma de lutar da nossa equipe.

O jogo tem inúmeros equipamentos e armas para serem desbloqueados, com o claro intuito de que o jogador abrace o looping de gameplay para repetir a jogatina múltiplas vezes.

Apesar de ter evoluído bastante o meu personagem de preferência (até atingi 99.999 de mérito com ele), não consegui me envolver o suficiente com o combate para querer me aprofundar tanto nesse ciclo.

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Variedade de modos disponíveis

Conforme descrito anteriormente, o “Modo Musou” é a principal forma de acompanhar as campanhas, onde jogamos as trajetórias individuais dos oficiais.

No entanto, ele não é o único modo disponível:

O “Modo Livre” permite escolher o personagem e o mapa em que queremos lutar, oferecendo a possibilidade de retornar a um confronto sem seguir a ordem da campanha, priorizando sessões rápidas.

O “Modo Desafio” serve para que o jogador busque quebrar recordes, oferecendo propostas relacionadas a “derrotar inimigos rapidamente”, “alcançar combos mais altos”, “resistir vivo pelo maior tempo possível” e ainda “chegar ao objetivo o mais rápido possível”.

Por último, há o “Modo Versus”, o qual oferece a possibilidade de jogar localmente em tela dividida. Infelizmente não pude testá-lo, então não tenho uma avaliação própria de suas disputas, mas vale registrar essa presença multijogador. 

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Uma atualização visual acompanhada de ótima música

Visualmente, Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered entrega melhorias bem perceptíveis com a reconstrução do jogo realizada na Unreal Engine 5.

Os campos de batalha e os personagens possuem melhorias gráficas consideráveis, mas o que mais me chamou a atenção (ao menos quanto à diferença em relação ao material original), foi o aumento absurdo da distância de renderização.

A qualidade gráfica das cutscenes também é expressivamente melhor, mesmo que o nível da  dublagem e estrutura de apresentação permaneçam datadas e não acompanhem a evolução.

O menu de escolha de modos é outro lembrete constante da idade do jogo, mas nesse caso acredito fielmente que tenha sido uma escolha de design, pois há certo charme nesse aspecto antigo, mesmo que pareça um pouco ultrapassado.

Já as telas dos itens e dos equipamentos receberam melhorias e combinam melhor com o restante da interface, mesmo que o HUD ainda ofereça um visual que remeta a jogos mais antigos. 

Por outro lado, a trilha sonora é excelente, a qual aparentemente preservou as faixas clássicas, mas que me conquistou já pela música do próprio menu, que é fenomenal.

DYNASTY WARRIORS 3: Complete Edition Remastered | PS5 Review

Mas roda bem?

Mesmo jogando na sua versão antecipada, não tenho nenhuma ressalva quanto ao desempenho em meu PlayStation 5 (base).  

Não tive nenhum bug ou crash a serem reportados, havendo apenas um momento em que meu console voltou subitamente ao próprio menu, como se eu tivesse apertado o “Botão PS”. Como não tenho certeza se isso ocorreu por conta do jogo, não posso atestar que a culpa seja dele.

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A gameplay fluiu muito bem a 60FPS cravados, sem nenhum framedrop perceptível, mesmo diante das centenas de inimigos simultâneos na tela. No entanto, as cutscenes principais são travadas a 30FPS, dando um grande baque na fluidez sempre que uma delas aparece.

DYNASTY WARRIORS 3: Complete Edition Remastered | PS5 Review
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PATÔMETRO
Conclusão
Considerando que esta foi minha primeira experiência com o gênero musou e não tive contato anterior com o jogo original, a minha análise de Dynasty Warriors 3: Complete Edition Remastered não poderia terminar com uma nota diferente. A presente remasterização atualiza de forma “decente” o clássico de 2001, caprichando na melhora gráfica dos cenários e personagens, mantendo sua excelente trilha sonora e adicionando mudanças importantes no gameplay do combate. Entretanto, o jogo preserva uma estrutura datada que me acabam destacando inúmeros problemas: narrativa fraca e fragmentada, inexpressividade dos personagens, dublagem tosca e uma repetição infinita de confrontos desinteressantes. Infelizmente, tenho de cravar: essa foi minha primeira e única experiência com a franquia.
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