Quando recebi o acesso para testar Omega Pilot Evolution, confesso que minha primeira reação foi de empolgação. Sou um entusiasta declarado de jogos de corrida, especialmente aqueles que se afastam da realidade convencional para nos colocar em naves anti-gravidade, rasgando circuitos em velocidades alucinantes. Como alguém que vive imerso nesse universo como criador de conteúdo e gamer, busco sempre aquela sensação única que apenas um bom jogo do gênero consegue proporcionar. A ideia de um título cross-plataforma, que une jogadores de VR e flatscreen em uma experiência coesa é fantástica. Mas, como sempre digo no Pitaco do Paganotti, o papel aceita tudo. A realidade das pistas é outra história.
A primeira impressão no cockpit
Ao iniciar o jogo no PlayStation 5 Pro, a fluidez é sem sombra de dúvidas o ponto mais alto da experiência técnica. O jogo roda muito bem, a performance é estável e a sensação de velocidade é convincente. Os veículos, que guardam uma estética inspirada na Fórmula 1, porém sem rodas e levitando sobre a pista, têm um design interessante. A proposta de customização, onde podemos alterar cockpits adiciona uma camada de personalização que todo entusiasta de jogos de veículos valoriza. Contudo, assim que você começa a navegar pelos menus e inicia a primeira corrida, a magia começa a se dissipar um pouco.

O Modo Carreira e a frustrante sensação de fantasma
Vamos falar sobre o que mais me decepcionou, o Modo Carreira. Para um título que se vende como um simulador de carreira de piloto, a execução aqui é estranhamente vazia. Não existe uma narrativa envolvente, não existe um desenvolvimento de personagem, e a sensação de estar construindo um legado como piloto é praticamente inexistente. O que temos é apenas uma sucessão de eventos baseados em pontuações e posicionamento global. É mecânico, frio e sem alma.


O que torna essa experiência ainda pior é a implementação da física dos carros durante as corridas. Os desenvolvedores optaram por um sistema onde os carros não colidem entre si de forma sólida. Eles agem como fantasmas. Se você estiver disputando uma curva lado a lado com um oponente, você pode simplesmente atravessar o veículo dele. Isso destrói qualquer estratégia de bloqueio, qualquer tensão real de um racha e retira a punição necessária que uma corrida exige. Se não há risco de bater no adversário, a corrida perde metade do seu propósito.

A redenção parcial no Modo Série e a diversão nos Bots
Nem tudo é desanimador. O Modo Série consegue resgatar um pouco da dignidade do gênero. Aqui, as regras mudam e a colisão entre as naves está presente. O jogo ganha uma estrutura de competição muito mais sólida, onde o contato físico com os outros competidores importa e faz parte da estratégia. É nesse modo que Omega Pilot Evolution finalmente se parece com um jogo de corrida real. É uma pena que, apesar dessa mudança estrutural, o sistema de pontos continue com a mesma sensação monótona do Modo Carreira, não oferecendo uma variação que realmente nos motive a continuar avançando.


Já o Modo Bots é onde o jogo ganha uma cara mais descontraída. Ele tem uma pegada que remete diretamente a clássicos como Crash Team Racing. Você coleta caixas espalhadas pela pista que liberam armas, escudos e outros itens para atrapalhar seus rivais. É divertido, é caótico e traz um dinamismo que falta nos outros modos. Porém, há um problema claro aqui, a execução visual desses efeitos especiais. Tudo soa um pouco genérico demais, sem aquele impacto ou polimento que esperamos de jogos de nova geração. As armas funcionam, mas não dão aquela sensação de peso ou poder que tornariam o momento do disparo algo memorável.


Problemas técnicos que atrapalham a experiência
Ao longo das minhas horas jogando, notei pontos que revelam uma falta de polimento que me preocupa. O maior deles é a localização para o português. É um erro bobo, mas que incomoda profundamente quem está lendo os menus ou as legendas. A fonte escolhida para o nosso idioma simplesmente não lida bem com acentos. Sempre que uma palavra possui uma letra acentuada, essa letra fica visivelmente menor que as demais, criando um aspecto de desleixo estético. Além disso, há trechos de texto que simplesmente se encavalam ou ultrapassam as bordas da tela, deixando evidente que a interface do usuário não foi testada adequadamente para a nossa língua.

Outro ponto que afeta a jogabilidade diretamente é a estética dos cenários. Entendo a proposta futurista, mas alguns mapas abusam tanto da transparência e de efeitos de iluminação que fica quase impossível distinguir o traçado da pista em momentos de alta velocidade. É frustrante você estar em uma disputa acirrada e errar o caminho porque o cenário é confuso. E sobre errar o caminho o jogo possui um sistema de dano punitivo. Se a saúde da sua nave chegar a zero, ela explode e você renasce exatamente no ponto do erro. Em uma corrida, isso significa perder segundos preciosos que, na maioria das vezes, custam a vitória. Entendo que o objetivo é incentivar a pilotagem precisa, mas quando o mapa atrapalha a visibilidade, o jogo deixa de ser desafiador e passa a ser injusto.


O cenário online e o futuro do título?
Quanto ao modo online, minha experiência foi solitária. É compreensível, já que o jogo ainda não foi lançado oficialmente para o grande público. A possibilidade de criar salas e convidar amigos para corridas privadas existe e funciona, o que é um ponto positivo para quem planeja reunir a galera. No entanto, o sucesso desse modo dependerá inteiramente da longevidade da comunidade e de como os desenvolvedores vão tratar o suporte pós-lançamento.
Omega Pilot Evolution não é um jogo ruim. Ele tem uma base sólida de jogabilidade, o suporte para VR é um diferencial importante para quem busca imersão e o desempenho técnico no PS5 Pro é digno. Mas ele é um título que chega ao mercado sem reinventar a roda. Ele se posiciona em um nicho muito específico e competitivo, e para se destacar, precisaria de muito mais do que apenas uma base funcional.

Veredito final
Precisamos de mais personalidade, mais carinho com os detalhes, um polimento real na interface e uma revisão urgente na forma como o jogo trata a colisão e a física das corridas nos modos principais. A experiência cross-plataforma é um trunfo, sem dúvidas, e o fato de VR e flatscreen poderem correr juntos é algo que eu gostaria de ver em mais títulos. Mas, no momento atual, Omega Pilot Evolution parece um diamante bruto que ainda está longe de ser lapidado.
Para os entusiastas de corrida que estão famintos por novidades, talvez valha a pena conferir, mas mantenham as expectativas sob controle. O jogo tem momentos de diversão, mas não espere uma revolução. Ele é mais um passo do que um salto. Espero que, após o lançamento oficial, os desenvolvedores escutem o feedback e trabalhem em atualizações que tragam esse polimento que o título tanto precisa. Afinal, todos nós queremos mais jogos bons para curtir, especialmente nesse gênero.
Por fim, vale reforçar que games são feitos de detalhes. Um menu bem traduzido, uma interface que respeita o texto, um mapa que facilita a visibilidade em vez de dificultar, tudo isso compõe a nota final que damos ao título. Omega Pilot Evolution tem potencial para crescer, mas por enquanto, ele fica no pelotão do meio, esperando por uma atualização que o coloque de fato na pole position.
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Review de Jogos / Criador de Conteúdo
Designer, criador de conteúdo no canal Rafael Paganotti com seu quadro de review “Pitaco do Paganotti” e redator especializado em hardware e games, acompanhando a evolução da indústria há mais de 15 anos.

