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OCTOPATH TRAVELER II | PC (GOG) Review

Tem jogos que tentam ser revolucionários a qualquer custo e acabam esquecendo algo essencial: ser divertido. OCTOPATH TRAVELER II segue o caminho contrário. A Square Enix pegou a fórmula do primeiro jogo, lançado em 2018, identificou o que funcionava com os players e tratou de aprimorar a experiência com excelência.

O resultado é um RPG que mantém aquele gostinho dos clássicos, mas com recursos modernos que deixam a aventura muito mais interessante.

OCTOPATH TRAVELER

A história acontece em Solistia, um mundo que mistura diferentes culturas, regiões e níveis de desenvolvimento. Por lá, acompanhamos oito protagonistas, cada um com seus próprios objetivos, problemas e motivações.

Temos desde personagens envolvidos em conflitos políticos até figuras que buscam por vingança, liberdade ou uma maneira de ajudar outras pessoas. São jornadas distintas, com tons que vão do drama ao humor, e cabe ao jogador decidir por onde começar e quais histórias acompanhar primeiro.


GAMEPLAY


É no combate que OCTOPATH TRAVELER II mostra por que a série conquistou tantos fãs. À primeira vista, ele parece aquele RPG tradicional em que você escolhe um ataque, espera sua vez e repete o processo até derrotar o inimigo. Só que basta avançar um pouco para perceber que sair apertando os mesmos comandos não é a melhor estratégia.

O sistema de Break e Boost continua sendo o coração da experiência. Cada inimigo possui fraquezas específicas, que podem envolver determinados tipos de armas ou ataques elementais. Ao explorar essas vulnerabilidades, você reduz os pontos de escudo do adversário até deixá-lo vulnerável. Quando isso acontece, ele perde temporariamente a capacidade de agir e fica muito mais suscetível aos ataques.

OCTOPATH TRAVELER II | PC (GOG) Review

Parece simples, mas é aí que começa a diversão. Você precisa descobrir as fraquezas dos inimigos, administrar os recursos do grupo e decidir quando vale a pena guardar energia para o próximo turno. Às vezes, é melhor usar vários ataques mais fracos para quebrar a defesa de um chefe. Em outras situações, compensa segurar os pontos de impulso e despejar uma sequência de golpes poderosos assim que o adversário estiver vulnerável.

O sistema Boost permite fortalecer ações e, dependendo da habilidade utilizada, realizar vários ataques em um mesmo turno. O segredo está em saber a hora de gastar esses pontos. Usar tudo de uma vez pode resolver um confronto rapidamente, mas também pode deixar o grupo em uma situação complicada se outro inimigo continuar de pé. São combates em que um pequeno erro de planejamento pode transformar uma batalha tranquila em uma baita dor de cabeça.

E não pense que basta descobrir uma fraqueza e repetir o mesmo truque até o fim. Os inimigos mais resistentes e os chefes exigem que você adapte sua estratégia, aproveite as oportunidades e mantenha o grupo preparado para diferentes situações. Quando a estratégia encaixa e você consegue quebrar a defesa de um adversário para finalizar o combate com uma sequência devastadora, a sensação de recompensa é excelente.

Outro ponto importante é a evolução dos personagens. Os oito protagonistas possuem profissões próprias, habilidades exclusivas e estilos de combate diferentes. Hikari, por exemplo, é um guerreiro; Osvald se especializa em magia; Temenos atua como clérigo; e Throné é uma ladina. Cada personagem tem uma função inicial, mas o sistema de profissões secundárias permite experimentar combinações e montar equipes bem diferentes.

OCTOPATH TRAVELER II | PC (GOG) Review

É aqui que o jogo ganha uma profundidade enorme. Você não precisa simplesmente aceitar cada personagem do jeito que ele foi apresentado. Conforme desbloqueia novas possibilidades, pode combinar habilidades e funções para criar integrantes mais versáteis, fortalecer pontos fracos ou preparar estratégias específicas para determinados chefes. A composição da equipe faz diferença, e descobrir uma combinação que funciona muito bem é uma das partes mais legais de um RPG desse tipo.

A sequência também introduz os Poderes Latentes, habilidades especiais que podem ser ativadas durante as batalhas quando a barra correspondente está carregada. Cada protagonista tem seu próprio poder, ampliando ainda mais as possibilidades estratégicas. Dependendo da situação, essas habilidades podem mudar o rumo de um confronto, seja para causar muito dano, seja para aproveitar uma oportunidade que não apareceria com os comandos convencionais.

Mas a gameplay não se resume a ficar brigando com monstros. As ações de caminho permitem que cada protagonista interaja com os habitantes do mundo de uma maneira própria. Você pode conseguir itens, desafiar personagens, recrutar aliados ou obter informações, dependendo de quem está no comando e da situação encontrada. O ciclo entre dia e noite também influencia essas interações, oferecendo possibilidades diferentes conforme o horário.

Isso dá uma graça especial à exploração. Uma cidade não serve apenas como lugar para comprar equipamentos e recuperar a equipe. Vale conversar com os moradores, observar o que cada personagem consegue fazer e investigar os cantos do mapa. Há tesouros, caminhos alternativos, masmorras e atividades opcionais que recompensam quem não fica correndo diretamente para o próximo objetivo.

O mundo ainda permite explorar diferentes regiões em um ritmo relativamente livre. Você pode se concentrar na história de um protagonista, conhecer outro personagem que desperte sua curiosidade ou se desviar da rota para procurar equipamentos melhores. Essa liberdade é ótima para quem gosta de construir a própria aventura, embora também possa deixar jogadores menos acostumados com RPGs grandes sem saber muito bem para onde ir.

E vale destacar uma melhoria importante em relação ao primeiro jogo: as histórias dos protagonistas ganharam mais oportunidades de interação entre si. As jornadas continuam tendo seus próprios focos, mas os capítulos especiais de Caminhos Cruzados ajudam a aproximar determinados personagens. Ainda não é uma narrativa completamente integrada o tempo todo, porém existe um esforço maior para fazer essa turma parecer parte da mesma aventura.

OCTOPATH TRAVELER II | PC (GOG) Review

Nem tudo é perfeito, claro. Como acontece em muitos JRPGs, a progressão pode exigir algum tempo adicional para elevar os níveis da equipe, principalmente quando você chega a capítulos com recomendações de nível mais altas. Algumas batalhas também podem se prolongar, especialmente quando os chefes possuem muita resistência e exigem várias rodadas de preparação. Para quem gosta de combates estratégicos, isso faz parte da graça. Para quem prefere uma aventura mais rápida, pode acabar cansando e talvez até desistindo.

Mesmo assim, o conjunto funciona muito bem. O combate tem profundidade, as profissões incentivam experimentação e a exploração oferece motivos para sair do caminho principal. É uma gameplay que respeita a tradição dos RPGs por turnos, mas não fica presa a uma fórmula sem espaço para evolução. Nesse ritmo, a franquia OCTOPATH TRAVELER tem tudo para ficar e fazer história no mundo dos games, assim como Final Fantasy.


DIREÇÃO DE ARTE


Se existe uma característica que chama a atenção logo você bate os olhos, é o visual.

O estilo HD-2D combina personagens em pixel art com cenários tridimensionais, efeitos de iluminação, profundidade e uma série de detalhes que dão vida aos ambientes. O resultado parece uma lembrança dos RPGs antigos vista com os recursos tecnológicos atuais.

Em OCTOPATH TRAVELER II, essa apresentação está ainda mais refinada que no anterior. As cidades possuem identidades próprias, as paisagens mudam bastante de uma região para outra e os efeitos visuais ajudam a destacar a magia e a intensidade das batalhas. O jogo consegue ser nostálgico sem parecer ultrapassado, algo que nem toda produção com estética retrô consegue alcançar.

A trilha sonora também merece reconhecimento. As músicas acompanham os diferentes momentos das jornadas, ajudam a construir a identidade das regiões e dão mais força às cenas importantes.

É facilmente um jogo em que o áudio e o visual trabalham juntos para criar uma aventura que dá vontade de explorar sem nenhuma pressa.

OCTOPATH TRAVELER II | PC (GOG) Review
Obrigado, GOG!
VEREDITO PATOBAH

PATÔMETRO

OCTOPATH TRAVELER II é uma evolução muito bem executada de uma fórmula que já era boa. O combate por turnos oferece estratégia de verdade, as profissões e habilidades permitem experimentar diferentes composições de equipe, as ações de caminho tornam a exploração mais interessante e somando tudo isso à direção de arte em HD-2D e à trilha sonora, temos um JRPG que sabe muito bem o que quer entregar e entrega!

Ainda existem pequenos problemas de ritmo, algumas batalhas podem se arrastar e as oito histórias nem sempre se conectam tão naturalmente quanto poderiam. Mas são limitações que não apagam as qualidades do conjunto. Para quem gosta de RPGs clássicos, gosta de pensar durante os combates e sente falta de aventuras que recompensam a curiosidade, esse é um jogo que merece sua total atenção. E para quem já jogou o primeiro, a sequência mostra como aprimorar uma fórmula pode ser tão importante quanto criar algo completamente novo.

Avaliado por: Evandro Bueno

Nota Final
Foto de Evandro Bueno
SOBRE QUEM AVALIOU

Evandro Bueno

Co-founder & PR / Press Manager at https://patobah.com.br |
Public Relations | News / Notícias | Articles / Artigos

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