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Como o Nintendo Switch 2 melhorou minha relação com Cyberpunk 2077

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Recentemente, mais precisamente no dia 2 de julho, Cyberpunk 2077 ultrapassou a impressionante marca de 40 milhões de cópias vendidas. Este é um jogo amado e odiado na mesma proporção, moldado por uma dualidade intensa de opiniões que dividiu a comunidade gamer.

O que vou abordar de fato neste texto é como está sendo a minha experiência de (re)jogar esse título no Nintendo Switch 2, aproveitando para analisar os motivos que me fazem amar tanto essa obra.

Revisitar Night City me fez entender perfeitamente por que, mesmo no lançamento em 2020 — jogando em um PS4 Fat que fazia mais barulho do que uma obra em dia útil —, eu me apaixonei pelo jogo. Naquela época, fiz parte de uma minúscula parcela de jogadores que relevou os bugs, a péssima otimização e a falta de polimento técnico. O motivo? Senti exatamente tudo o que o jogo queria que eu sentisse. Sendo bem sincero, em 2020 eu era muito mais imaturo. Hoje, olhando para trás e jogando novamente, vejo a grandiosidade dessa narrativa de forma ainda mais nítida.

Cyberpunk

O universo de Cyberpunk 2077 projeta uma realidade futurista moldada pelo que podemos chamar de “capitalismo final boss“. No entanto, essa distopia conversa intimamente com o nosso presente. Obviamente, tudo ali é potencializado ao extremo, beirando o absurdo, mas a verdade é que a CD Projekt Red retratou com precisão cirúrgica — ainda que caricata — até onde a ganância corporativa e a desumanização podem chegar.

“Não existe final feliz em Night City.”

Essa frase icônica não se aplica apenas ao destino melancólico e doloroso de quase todos os personagens; ela define a engrenagem da própria cidade. Estamos falando de uma metrópole sufocante onde o custo de vida é estratosférico, a saúde pública é mercantilizada e a segurança virou um produto de luxo privatizado. O sistema deixa claro a cada esquina: se você não tiver edinhos ou fama, é apenas um número descartável. A verdadeira tragédia do jogo é a frieza com que a vida humana é tratada; a individualidade é esmagada em prol de uma luta caótica e diária pela sobrevivência.

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É uma ironia fascinante: o jogo em si é um produto do capitalismo de massa que critica abertamente o próprio sistema. Mas a ambição da CD Projekt Red entregou uma obra com coerência brutal em todos os diálogos, além de uma dublagem e localização impecáveis para o nosso mercado. Apesar do nascimento conturbado, hoje ele se consolida, por mérito, como um dos melhores jogos da década.

Para expandir esse universo, a sacada de produzir o anime Cyberpunk: Edgerunners foi certeira. Havia um risco enorme de a animação ser um fiasco completo, mas o resultado foi o oposto. O anime confere ainda mais peso dramático à narrativa do jogo, com uma evolução de personagens impecável, uma trilha sonora memorável e uma estética visual que evoca os clássicos dos anos 90. Cyberpunk se tornou gigantesco, e isso é inegável.

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Agora, vamos ao ponto central: a minha experiência de jogar um título em primeira pessoa, visualmente denso e complexo, em um console portátil. Resumindo em uma palavra: maravilhado. Não há sensação melhor do que chegar em casa depois de um dia bosta de trabalho — após aguentar desaforo de desconhecido, enfrentar um trânsito filho da puta e dar conta dos deveres de casa —, tomar um banho, deitar na cama e jogar Cyberpunk 2077 de forma totalmente descompromissada. Tem sido, com folga, a minha melhor experiência com games em 2026 até aqui.

Eu já tive a oportunidade de experimentar a jornada do(a) V de diversas formas ao longo desses anos. Primeiro, como eu disse, joguei no PS4 Fat, rodando a sofridos 30 FPS em 1080p. Lá atrás, meus problemas foram poucos e os bugs viravam motivo de risada porque não quebraram a minha progressão, embora eu entenda perfeitamente quem ficou chateado em 2020 por ter tido a experiência arruinada. Mais tarde, fiz o upgrade para o PS5, desfrutando da fluidez de 60 FPS em uma TV 4K, e cheguei até a testar os limites técnicos no PC, rodando a impressionantes 120 FPS com os gráficos no talo.

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Surpreendentemente, de todas essas opções, a que mais me trouxe satisfação foram os 45 FPS no Modo Desempenho do Switch 2. Existe um toque muito particular no fator conveniência e no aconchego de jogar deitado. É claro que, se o seu foco principal for gráficos fotorrealistas de última geração acima de 60 quadros, talvez você não sinta esse mesmo impacto. Mas, se o seu negócio for pura imersão e uma boa jogabilidade, o portátil se justifica plenamente.

Acho um absurdo pensar também que Cyberpunk 2077 não foi inicialmente projetado para ser jogado nessas circunstâncias. Afinal, ele era o jogo mais pesado daquela época, e vê-lo hoje, rodando de forma tão sólida em um portátil, traz uma sensação quase inacreditável. A diferença gritante é que os desenvolvedores fizeram um trabalho de otimização tão bem-feito e caprichado que passa a nítida impressão de que o jogo sempre foi moldado para ser aproveitado no conforto de um console de mão.

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Vale o aviso: quem costuma sofrer com cinetose (enjoo) em jogos de primeira pessoa, especialmente em telas menores, deve passar longe dessa versão. No meu caso, o tamanho da tela é mais do que suficiente e a ergonomia responde supertome — embora o Switch 2 não seja um primor de design anatômico. O peso é bem distribuído, os analógicos são precisos, e mirar e atirar flui com naturalidade. O milagre técnico aqui é real: além de estar belíssimo no modo portátil, o jogo roda na TV, conectado ao dock, de forma infinitamente superior ao desempenho do meu antigo PS4. Ver esse mundo denso na palma da mão é uma grata surpresa, e a maior limitação fica mesmo por conta da bateria, que pede tomada após cerca de duas horas e meia de jogatina intensa. Nem tudo é um mar de rosas, afinal.

Para fechar com chave de ouro, o que me deixou completamente sem acreditar foi o valor do jogo na eShop. Consegui adquirir o título por apenas R$ 140,00, já incluindo a aclamada expansão Phantom Liberty. Ainda não finalizei a DLC, mas com esse desempenho e conforto, com certeza vou mergulhar de cabeça nela agora.

Agradeço imensamente a quem acompanhou este longo desabafo até aqui. Espero ter sanado as dúvidas dos amigos que estavam curiosos sobre o desempenho do console. Nos vemos nas ruas de Night City!

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