Mouse: P.I. for Hire é um jogo de tiro em primeira pessoa com estilo inspirado nas animações Rubberhose, típica da década de 1920, desenvolvido pela Fumi Games e publicado pela PlaySide Studios. O jogo foi lançado em 16 de abril de 2026 para Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S e PCs.

HISTÓRIA/PREMISSA
A campanha de Mouse: P.I. for Hire retrata uma investigação de três crimes que ocorreram em Mouseburg em 1934. No universo do jogo, roedores antropomórficos de diferentes espécies habitam a cidade nova iorquina com altas taxas de criminalidade e uso de entorpecentes (licores de queijo, queijos azuis ou queijo ralado).
O personagem principal é Jack Pepper, um detetive particular e herói de guerra do Antigo Mundo. Durante o jogo, Pepper recebe três contratos para investigar:
- Wanda Fuller, uma jornalista do Mouseburg Herald, pede para que Jack investigue o sumiço de Steve Bandel, um mágico que desapareceu em sua última apresentação;
- Cornelius Stilton, candidato a prefeito de Mouseburg, contrata Jack para investigar o desaparecimento de musaranhos, uma espécie minoritária dos roedores da cidade, e o suposto envolvimento de policiais corruptos;
- Vivian McCarthy, socialite e atriz, pede ajuda no caso da morte de sua amiga Betty Lynch, acreditando que o estúdio Tinsel Bros. estaria acobertando algo.
A narrativa gira em torno de buscar evidências para cada caso e seguir os indícios que os criminosos deixaram. Com um humor sensacional e vários trocadilhos com os nomes de personagens, locais e queijos, a campanha é leve e muito divertida. Além disso, os casos se entrelaçam e deixam sempre uma pergunta a ser respondida, incentivando cada vez mais a jogar a próxima fase e tentar descobrir sozinho o que está acontecendo.
Outro fator bem legal são os coletáveis, principalmente os quadrinhos e jornais. Os quadrinhos contam um prólogo do jogo e os jornais expandem a história do mundo, contando a guerra que se passou e diversos outros crimes que aconteceram em Mouseburg.
GAMEPLAY/JOGABILIDADE
A jogabilidade de Mouse: P.I. for Hire é extremamente polida e divertida. O melhor jeito de descrever é o termo boomer shooter, que refere-se aos jogos de tiro em primeira pessoa frenéticos com arsenal variado e alta variedade de movimento. Os combates são intensos e bem variados, com várias armas disponíveis e uma boa variedade de inimigos diferentes.
Desde uma pistola até um rifle de assalto, passando por arma de congelamento e dinamite, Mouse: P.I. for Hire tem de tudo. As armas são bem equilibradas e não parece ter um “meta”, sendo possível usar todas para enfrentar até mesmo os chefes mais avançados. Além disso, o jogo te incentiva a variar as armas pelo limite baixo de munição que é possível carregar (geralmente 3 pentes além do que está na arma), forçando a trocar as armas e dar uma chance àquela que acabou de desbloquear.
O jogo tem elementos de plataforma 3D e isso fica bem claro nas habilidades que Jack Pepper adquire durante as investigações. Desde planar, pulo duplo ou andar em paredes, a movimentação entrega liberdade ao jogador e deixa ainda mais divertido o jogo. Um problema que tive com o jogo nesse quesito foi que, em alguns momentos bem pontuais de poucas fases, o caminho a seguir não era muito claro, então ficava confuso qual era o próximo objetivo e para onde deveria ir. O indicador de missão somente indica a direção geral que deve-se ir e se está em algum andar diferente, mas não como chegar lá efetivamente.
Além disso, preciso destacar o mini jogo de cartas de beisebol que Mouse: P.I. for Hire possui. Eu não esperava que fosse ter um jogo de cartas aqui e como eu me surpreendi com a qualidade disso. Dois jogadores alternam entre arremessadores e rebatedores, usando cartas com habilidades numéricas que são comparadas para definir se foi bola fora, rebatida ou um Home Run.
O objetivo é atravessar o maior número de rebatedores possível, seja com um caminho completo feito em vários turnos ou um Home Run que garante a travessia completa em um único turno. O mini jogo que foi colocado para dar uma função às cartas de beisebol encontradas nas fases foi uma surpresa muito agradável e que me tomou algumas horas.
Por fim, senti falta de poder rejogar as fases após terminá-las. Seja para poder explorar e encontrar pistas e colecionáveis que deixei passar ou para conseguir mais dinheiro para comprar outra carta de beisebol para meu baralho, a real é que eu queria poder jogar para experienciar as fases que me marcaram de novo.
DIREÇÃO DE ARTE/TÉCNICA
Aqui, foi onde os desenvolvedores apostaram suas fichas e, eu te garanto, o investimento compensou. Mouse: P.I. for Hire brilha na sua direção de arte, puxando inspiração nas animações Rubberhose, típicas da era de 20 e 30 em que o jogo se passa. Esse tipo de animação foi o primeiro a ser padronizado na indústria americana e é caracterizada por membros tipicamente simples, com curvas fluidas e sem articulações (o nome Rubberhose vem do inglês, com tradução literal de “mangueira de borracha”, descrevendo como os membros dos personagens eram desenhados e animados).

Os personagens são todos desenhados como roedores antropomórficos, incluindo ratos, camundongos e musaranhos, e a ambientação do jogo explora muito bem as diferenças entre eles. Um detalhe que me chamou a atenção foi a dinâmica entre os camundongos e musaranhos, onde os camundongos sentem-se superiores aos musaranhos por serem maiores e, muitas vezes, praticando preconceito contra os pequenos.
Na história do jogo, os musaranhos viviam em Shrewsbury, até que conflitos levaram à destruição da cidade e à marginalização dos musaranhos. A forma que é retratada essa marginalização, desde o design dos personagens e os diálogos, além da interação com outras espécies, é brilhante.
Outro ponto que o jogo acerta muito é na trilha sonora. Com ambientação na década de 1930, época em que o Swing Jazz dominou os Estados Unidos, Mouse: P.I. for Hire aposta em músicas do gênero com instrumentais rítmicos, dançantes e extremamente marcantes. Destaque para as colaborações que os desenvolvedores conseguiram com bandas impactantes, como Caravan Palace na música Good Mouse. Cada música da trilha sonora é altamente expressiva, ditando muito da ambientação da fase e dos momentos de combate.
No fim, a direção de arte de Mouse: P.I. for Hire supera as expectativas e é um deleite de se experienciar. A sensação que o jogo traz é a de assistir uma animação da década de 1930 de um investigador com trocadilhos ruins, mira não tão boa (acho que isso é mais minha culpa que do jogo) e uma história que te empolga até o fim. Se ativar os filtros de áudio e vídeo, a imersão nesse sentido aumenta ainda mais!
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Mestrando em Química Analítica e gamer desde sempre. Maior defensor da CD Projekt Red
