O Patobah agradece a Future Friends Games pela licença de Laysara: Summit Kingdom

Após serem forçados a abandonar as planícies que antes chamavam de lar devido a uma névoa que trouxe pobreza e escassez, o povo de Laysara encontrou refúgio no único lugar que restou, os picos gélidos e implacáveis de montanhas colossais. Desenvolvido pelo estúdio Quite OK Games, Laysara: Summit Kingdom é um jogo de construção de cidades, desafiando o jogador a dominar a verticalidade e a fúria da natureza para reerguer sua civilização.
HISTÓRIA/PREMISSA
O jogo não perde muito tempo com longas explicações de narrativas e logo de início já coloca o jogador para construir seu povoado. O povo de Laysara foi expulso de suas terras natais e agora precisa construir um novo reino nas alturas. Diferente de outros jogos do gênero, onde a expansão é horizontal e os inimigos geralmente são outras nações ou exércitos, aqui o terreno e o clima são os seus maiores adversários. O objetivo final em cada montanha colonizada é reerguer a civilização ao ponto de ser capaz de construir um imponente Templo no topo, simbolizando o triunfo da vida sobre um ambiente inóspito.
A sociedade é dividida em três castas principais: os Camponeses (trabalhadores básicos que cultivam alimentos nas áreas mais baixas), os Artesãos (responsáveis por manufaturas e ferramentas) e os Monges (que buscam iluminação e exigem recursos raros e complexos). O jogo faz um trabalho excelente em mostrar como essas classes, embora separadas, dependem vitalmente umas das outras. Os monges não sobrevivem sem a comida dos trabalhadores, e a base da pirâmide não prospera sem as ferramentas dos artesãos.
Toda essa interdependência é mostrada de forma brilhante no gameplay. É estabelecido durante toda a jogatina que prosperar nessas condições extremas exige sacrifício e um planejamento impecável de toda a comunidade.
GAMEPLAY
A mecânica principal em Laysara: Summit Kingdom é a logística vertical. Como estamos construindo em encostas de montanhas, o espaço é extremamente escasso, dividido por penhascos intransponíveis e rios congelados. O jogador precisa criar redes de transporte complexas usando carregadores, pontes e elevadores de carga para mover recursos das bases de cultivo até os picos nevados, onde ficam os templos e as classes mais altas.
Tudo no jogo gira em torno das cadeias de produção. Você começa com plantações simples de tsampa (alimento básico tradicional tibetano, feito principalmente de farinha de cevada das terras altas torradas), mas logo se vê micro gerenciando a produção de queijo de iaque, roupas de frio e mandalas de cobre. Cada nova construção exige cálculo, pois o espaço é seu recurso mais valioso. Colocar uma fazenda no lugar errado pode destruir sua eficiência de transporte, a má gestão de recursos básicos pode levar tudo à ruína em poucos minutos.
O que mais impressiona, e aterroriza, no gameplay são as avalanches. A neve se acumula nas encostas superiores e, eventualmente, desce varrendo tudo o que você construiu se não houver preparo. O jogador precisa plantar florestas para absorver o impacto ou construir grandes barreiras para desviar a rota da neve para penhascos vazios. Se o jogador ignorar a natureza, verá horas de planejamento serem soterradas em segundos.
Acredito que o que faltou para que a experiência fosse ainda mais satisfatória foi o jogo ser um pouco menos confuso quanto às rotas de suprimentos no late game. Em montanhas mais avançadas, com dezenas de elevadores e cruzamentos, descobrir o porquê de um recurso específico não estar chegando ao destino pode se tornar uma tarefa frustrante. Uma interface mais clara sobre a logística evitaria dores de cabeça e melhoraria o ritmo das fases finais.
As primeiras fases servem como um tutorial para explicar ao jogador as mecânicas básicas e o funcionamento das castas e da logística de transporte. O tutorial é muito bem explicado e consegue ensinar muito bem ao jogador como funciona cada construção e como gerenciar a cidade de forma que não perca progresso para as avalanches e consiga manter uma cidade próspera e organizada.
O DESAFIO VERTICAL
Uma sacada genial do jogo é dividir a campanha em várias montanhas diferentes, servindo como cenários únicos. Diferente da maioria dos construtores de cidade onde você fica em um único mapa gigante, Laysara te obriga a recomeçar em novos picos, cada um com seus próprios desafios geográficos e peculiaridades climáticas. Algumas montanhas são mais propícias para mineração profunda, enquanto outras focam em agricultura em pequenos terraços. Isso traz uma variedade excelente para a jogatina, exigindo que o jogador adapte sua estratégia constantemente e nunca caia na monotonia de repetir as mesmas construções.
DIREÇÃO DE ARTE/SOM
A arte em Laysara: Summit Kingdom é simplesmente espetacular. A estética adota de forma perfeita a inspiração no Himalaia e na cultura tibetana. As construções são incrivelmente detalhadas, coloridas e repletas de bandeiras de oração que balançam ao vento, criando um contraste maravilhoso com a brancura da neve. A direção de arte também brilha ao mostrar a evolução visual da sua cidade: ver um pequeno acampamento de tendas se transformar em uma grande cidade vertical, esculpida na montanha, é visualmente muito imersivo e recompensador.
A trilha sonora presente no jogo é formidável e explora muito bem o sentimento de isolamento e espiritualidade, trazendo instrumentos de sopro e cordas tradicionais da cultura asiática. Ela transmite uma sensação de paz contemplativa enquanto sua cidade funciona perfeitamente, mas ganha tons dramáticos e acelerados quando o alerta de uma avalanche soa. Os efeitos sonoros do vento incessante e do sino dos iaques de transporte se conectam perfeitamente ao sentimento de persistência que o jogo deseja trazer ao jogador.
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