Hell Let Loose: Vietnam pega a fórmula do jogo original e troca os campos de batalha da Segunda Guerra Mundial pelas selvas do Vietnã. A ideia continua sendo colocar dois exércitos em partidas enormes, com até 100 jogadores divididos em equipes de 50 contra 50, mas agora o cenário muda completamente a forma de jogar.

Em vez de enxergar o inimigo atravessando uma estrada aberta, você passa boa parte do tempo olhando para uma moita e pensando: “Será que tem alguém ali ou eu estou ficando maluco?”. Na maioria das vezes, tem alguém ali. E ele provavelmente já atirou primeiro.
O jogo não tenta contar uma campanha cinematográfica com personagens famosos ou grandes momentos roteirizados. A história está no próprio conflito escolhido, a Guerra do Vietnã, e na maneira como o campo de batalha é apresentado. De um lado estão as forças norte-americanas, com helicópteros, veículos e grande poder de fogo.
Do outro, o Vietnã do Norte e suas tropas, que aproveitam o terreno, os túneis e a vegetação para atacar de posições difíceis de identificar. É uma guerra assimétrica, na qual cada lado possui vantagens diferentes. O resultado é uma experiência mais preocupada em criar situações de combate do que em contar uma história tradicional.
Gameplay
O foco de Hell Let Loose: Vietnam está completamente no multiplayer tático. Se você está acostumado com Call of Duty ou Battlefield, pode esquecer aquela ideia de correr sozinho, eliminar meia equipe inimiga e terminar a partida com uma sequência de 35 mortes. Aqui, correr sozinho normalmente significa morrer sozinho. E, dependendo do lugar onde você começou/ressurgiu, ainda vai precisar esperar um bom tempo para voltar à ação.
As partidas são grandes e funcionam como uma disputa por setores do mapa. As equipes precisam avançar, conquistar posições e manter o controle de áreas importantes até conseguir pressionar o território adversário. Parece simples no papel, mas tudo depende da organização dos jogadores. Cada soldado tem uma função específica, e escolher uma classe não é apenas uma questão de pegar a arma mais bonita. Existem médicos, engenheiros, soldados antitanque, oficiais e outras funções que ajudam o esquadrão a continuar funcionando.

Se todo mundo escolher a mesma classe porque ela parece mais divertida, o time provavelmente vai descobrir da pior maneira possível que guerra não se vence só com vontade de atirar.
A comunicação é praticamente obrigatória para quem quer aproveitar o jogo de verdade. Não é necessário conversar como se você estivesse comandando uma operação militar real, mas avisar onde viu inimigos, pedir ajuda, seguir ordens e respeitar o trabalho do líder da equipe faz uma diferença enorme. Um grupo que anda junto, constrói posições de surgimento e entende o objetivo consegue fazer muito mais do que um bando de jogadores espalhados pelo mapa. É um jogo em que uma pessoa pode passar vários minutos sem disparar um tiro e, mesmo assim, ser uma das mais importantes da partida.
O combate é lento, pesado e extremamente mortal. Na maioria das vezes, poucos tiros são suficientes para derrubar alguém. Isso faz com que a atenção seja mais importante do que reflexos rápidos. Você precisa observar o terreno, escutar os sons, desconfiar de movimentos e pensar antes de atravessar uma área aberta. O problema é que a selva oferece tantas possibilidades de esconderijo que, muitas vezes, você morre sem sequer saber de onde veio o disparo. É frustrante, mas também faz parte da proposta. O jogo quer passar a sensação de estar em um lugar onde o perigo pode aparecer de qualquer direção.

A vegetação muda completamente o ritmo das partidas. As florestas são fechadas, cheias de árvores, folhas, lama e pontos de pouca visibilidade. Também existem vilarejos, áreas urbanas, campos de arroz e regiões mais abertas, mas a selva é quem manda na maior parte do tempo. O Vietnã não funciona como um simples cenário bonito colocado por cima do jogo antigo. Ele interfere diretamente na jogabilidade. A visibilidade fica menor, os combates acontecem em distâncias curtas e a sensação de estar sendo observado o tempo inteiro é constante. Você começa a desconfiar até das plantas. Algumas delas merecem mais respeito do que certos jogadores do seu próprio time.
Outro destaque são os veículos e os helicópteros. Eles ajudam no transporte das tropas, no ataque e na movimentação pelo mapa, mas não transformam o jogo em um Battlefield mais lento. Tudo continua dependendo da coordenação entre os jogadores. Um helicóptero pode ser muito útil para levar soldados até uma região importante, mas também pode virar um alvo enorme para o inimigo. Os veículos precisam ser usados com cuidado, e não como brinquedos para alguém que acabou de entrar na partida e quer fazer manobras.

A presença dos túneis e das posições escondidas também combina muito bem com o conflito. As forças vietnamitas conseguem aproveitar o terreno de uma maneira diferente dos americanos, criando situações em que o inimigo parece estar em todos os lugares. Isso deixa as partidas mais tensas, mas também pode causar momentos bastante irritantes. Ser eliminado por alguém que estava escondido a mais de 100 metros, no meio de uma vegetação quase impossível de enxergar, não é exatamente o tipo de experiência que faz você abraçar o monitor. Por outro lado, quando é você quem consegue preparar uma emboscada perfeita, a sensação é muito boa.
O jogo exige paciência, principalmente para quem está começando. Existe uma curva de aprendizado pesada, e os primeiros momentos podem ser confusos. Você pode passar vários minutos andando, morrer rapidamente e ficar se perguntando se realmente está jogando ou apenas participando de uma excursão militar com problemas de transporte. A situação melhora quando você entende o funcionamento das classes, dos pontos de surgimento, das ordens e dos objetivos. Depois disso, as partidas começam a fazer mais sentido e o jogo entrega momentos de tensão que poucos FPS conseguem oferecer.
O problema é que essa mesma proposta também pode afastar muita gente. Hell Let Loose: Vietnam não é um jogo para quem quer ação constante, recompensas rápidas ou partidas em que tudo acontece na frente do jogador. Há momentos de muita intensidade, mas também existem longos períodos de deslocamento, espera e observação. Além disso, alguns problemas técnicos aparecem durante a experiência, incluindo falhas visuais, problemas de áudio, bugs e questões de desempenho. O jogo tem uma boa base, mas ainda precisa de ajustes para alcançar todo o seu potencial.

Direção de arte geral
Visualmente, Hell Let Loose: Vietnam é um dos pontos mais fortes do jogo. A vegetação densa, os campos de arroz, os vilarejos e as áreas destruídas ajudam a criar uma atmosfera pesada, pensada e convincente. A equipe utilizou a Unreal Engine 5 para construir ambientes grandes e cheios de detalhes, com atenção especial para a densidade da selva e para a variedade dos cenários.
A direção de arte não tenta deixar a guerra bonita ou heroica. O ambiente é sujo, confuso e ameaçador. A fumaça, o som dos tiros, os helicópteros passando e a dificuldade para enxergar o inimigo trabalham juntos para criar uma sensação de perigo constante. Em alguns momentos, o jogo parece mais um terror de sobrevivência do que um FPS tradicional. Você anda pela mata ouvindo passos, galhos quebrando e disparos distantes, sem saber se deve continuar ou voltar correndo para o lugar de onde veio.
Apesar disso, existem problemas de acabamento. Alguns efeitos visuais podem incomodar, a vegetação nem sempre se comporta como deveria e a mistura de sons pode ser inconsistente. São detalhes que não destroem a experiência, mas tiram um pouco do impacto de momentos que poderiam ser ainda mais marcantes. A ambientação é forte, porém o jogo ainda precisa de mais polimento para acompanhar a qualidade de sua proposta visual.

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