Halo: Campaign Evolved é um bom remake com a jogabilidade afiada de sempre, mas é consenso que poderia ter sido mais. A ausência dos modos clássicos multiplayer de tela dividida e problemas de performance vão dividir os jogadores.

Eu nunca tive contato algum com a franquia Halo — e falo isso para começar essa análise de maneira honesta. Fã de PlayStation, apenas agora me dei ao luxo de conhecer a mística dos jogos que fazem parte do Xbox Game Studios. Halo é uma dessas franquias atemporais que marcaram época e, pensando em revitalizá-la com a Unreal Engine 5 para novos públicos, a Microsoft e o Halo Studios criaram Combat Evolved.
Polêmicas!
Halo e Xbox caminham juntos desde sempre. Então imagine a cabeça do fã ao ver sua franquia tão amada na plataforma rival?
Desde o anúncio do jogo, a comunidade em geral tem visto com certo receio as motivações, senão a de trazer o título para um público que nem queria tanto jogar a franquia. Como se não bastasse, é senso comum que o Halo Studios lançou o jogo incompleto, mesmo com tanto suporte de outros estúdios. O ápice da má gestão de Phil Spencer e Sarah Bond seriam decisões equivocadas, como o lançamento de um jogo que já era perfeito e não precisava de um remake completo.
História
No século 26, a humanidade está em guerra com alienígenas fanáticos. A UNSC (Comando Espacial das Nações Unidas) é a linha de frente dos humanos nesta luta. Você é Master Chief, um soldado geneticamente modificado que deve impedir a todo custo que esta facção use o HALO, um mundo anelar que pode guardar os segredos e poderes necessários para atingir esse objetivo.

Sua nave, Pilar do Outono, é atacada e o jogo começa a partir desse evento.
A história é muito boa e dá para entender o porquê de a franquia ser tão amada e aclamada. Cortana e Master Chief são uma dupla e tanto, e a mística do soldado que fala pouco e prefere mostrar sua força com ações e perícia diante de inúmeras adversidades funciona muito bem. É impossível não se afeiçoar ao Chief aqui.
Gráficos
Em nível técnico, os gráficos são muito bonitos. Detalhes do metal, as armas, Chief, os personagens e o mundo… tudo foi refeito com muito cuidado e fidelidade ao material original. E aqui há um problema, embora ele seja, até certo ponto, compreensível: a repetitividade. Corredores idênticos se amontoam, bases são similares, caminhos são repetidos… Entendo que, por ser um remake fiel, ele traz algumas peculiaridades do jogo original que vêm de uma época diferente, mas me pergunto: isso não poderia ter sido melhorado nesta reimaginação?

Os modos Performance e Qualidade entregam as propostas que deveriam. Não tive problemas ou bugs, mas é notável a presença de borrões incômodos em cenas de ação mais épicas.
No consenso geral, sinto que o Halo Studios poderia ter se esforçado um pouco mais neste quesito.
Jogabilidade
Divertida, épica, clássica… só elogios! Botões de mirar, atirar, agachar e pular estão aqui como em todo FPS que se preze, mas algo que continua divertido como sempre é a variedade de armas, situações e inimigos — tudo na medida. A limitação da quantidade de munição poderia até ser problemática, mas aqui ela impulsiona o jogador a se preparar e abordar cada situação de uma maneira diferente. Temos de escopetas a rifles de laser futuristas, então é bom preparar o arsenal.
A única coisa irritante para mim foram os controles de veículos no geral. Tudo muito confuso e chato de controlar; os veículos terrestres, apesar de serem mais tranquilos de se habituar, ainda assim têm uma direção péssima.
Som e Música
Nada a reclamar da parte sonora. Os efeitos sonoros de armas, explosões e gritos funcionam muito bem. A trilha sonora também é épica e condiz com o jogo, com as situações de batalha, exploração e definições de momentos cruciais.
A dublagem é o ponto alto, com ótimas interpretações de todos os personagens, sendo Cortana e Master Chief novamente os destaques.
Parte Técnica
Como citei, existem dois modos: Performance e Qualidade. Na minha visão, ambos poderiam ter se saído melhores. No modo Qualidade, há quedas de FPS em momentos de muita ação. No Performance, os borrões atrapalham bastante. Não tive bugs graves que impedissem meu progresso nem crashes, mas algumas vezes a IA inimiga é errática. Por várias vezes vi aliens parados sem reação ou que, simplesmente como num passe de mágica, viravam de bobos da corte a assassinos letais em segundos.

Ainda assim, apesar de tudo, é um jogo funcional.


Crítico do patobah.com.br e apresentador do Patotícias no Youtube: @PatobahOficial