Sempre gostei quando um estúdio decide resgatar um clássico sem transformá-lo em algo completamente diferente. FZ: Formation Z faz exatamente isso. Em vez de usar apenas o nome de um jogo antigo para chamar atenção, a Granzella pegou o Formation Z de 1984, modernizou praticamente tudo e manteve intacta a ideia que fez o original ser lembrado por tantos anos: você sendo capaz de controlar um robô que pode se transformar instantaneamente em uma nave.

Depois de terminar todas as missões, desbloquear os diferentes modelos de Ixpel, brincar bastante com a personalização e passar horas tentando melhorar minhas pontuações no Score Attack, fiquei com a impressão de que este é é um jogo claramente feito para quem gosta de desafios. Ele não tenta agradar todo mundo e, justamente por isso, acaba conquistando quem aceita aprender suas regras. A proposta permanece fiel ao clássico, enquanto adiciona melhorias visuais, opções de customização e novos sistemas que deixam a experiência mais rica.
GAMEPLAY
A transformação entre robô e nave continua sendo a alma do jogo. Parece uma mecânica simples quando explicada, mas basta alguns minutos para perceber o quanto ela influencia cada decisão dentro das fases.
No modo robô, meu personagem se movimentava pelo solo com mais controle, utilizando disparos precisos e ataques corpo a corpo para eliminar inimigos terrestres. Já ao assumir a forma de nave, tudo mudava. A velocidade aumentava drasticamente, eu podia alcançar áreas elevadas e atravessar o cenário em poucos segundos.

Só que existe um detalhe importante. Voar consome energia, então há um camada de estratégia. Isso significa que não basta permanecer o tempo inteiro como nave. Diversas vezes precisei escolher entre economizar combustível ou arriscar continuar voando para eliminar um grupo maior de inimigos antes de voltar ao chão.
Não é apenas um botão de transformação. É uma decisão que influencia diretamente a sobrevivência durante toda a missão. Esse equilíbrio entre mobilidade e gerenciamento de energia foi apontado como um dos elementos mais inteligentes do remake.
Outro aspecto que gostei bastante é como os cenários foram construídos pensando nessa mecânica. As fases possuem bastante verticalidade.
Enquanto alguns inimigos aparecem protegidos no solo, outros ocupam regiões aéreas praticamente inacessíveis sem utilizar a nave. Em vários momentos encontrei caminhos alternativos simplesmente explorando melhor o ambiente.

Isso incentiva bastante a revisitar as missões.
Na primeira tentativa eu estava apenas tentando sobreviver. Na segunda já conhecia melhor os obstáculos. Na terceira comecei a descobrir atalhos, rotas mais eficientes e oportunidades para aumentar minha pontuação.
FZ: Formation Z definitivamente não é um jogo relaxante, preciso deixar isso claro.
Os inimigos aparecem em grande quantidade, os projéteis ocupam boa parte da tela e praticamente não existe tempo para respirar. Mesmo assim, nunca tive a sensação de estar enfrentando um caos totalmente aleatório.
Cada grupo de inimigos parece ter sido colocado para ensinar algum comportamento específico. Alguns obrigam o jogador a permanecer em forma de robô. Outros praticamente exigem o uso da nave.
Essa alternância constante evita que a jogabilidade fique repetitiva. Os chefes também seguem essa filosofia.
Nenhum deles pode ser derrotado apenas despejando tiros continuamente. Todos possuem padrões próprios e recompensam quem observa seus movimentos antes de atacar. Foi justamente nessas lutas que senti aquela satisfação clássica dos grandes arcades.

Perder significava aprender alguma coisa.
Vencer trazia uma enorme sensação de recompensa.
Uma das novidades do remake é o sistema de evolução do Ixpel. Conforme avancei pelas missões, acumulei pontos que podiam ser investidos em novos módulos e melhorias para o robô. Gostei bastante porque essas modificações realmente alteram o desempenho. Algumas fortalecem os disparos, outras aumentam resistência ou melhoram determinados atributos da máquina.
Também existe uma boa quantidade de opções cosméticas. Trocar peças, modificar cores e aplicar adesivos pode parecer um detalhe pequeno, mas ajuda bastante a criar uma identidade para o próprio robô. É um tipo de recurso que incentiva o jogador a continuar avançando mesmo depois de concluir a campanha principal.
Se existe um aspecto que certamente dividirá opiniões, é a dificuldade. FZ: Formation Z não faz questão de aliviar as coisas.
Os checkpoints são relativamente espaçados e alguns erros podem custar minutos de progresso.
Nas primeiras horas confesso que morri bastante. Mas, curiosamente, nunca fiquei irritado.
Sempre tive a impressão de que a culpa era minha e não do jogo. Conforme fui entendendo o posicionamento dos inimigos e dominando melhor o sistema de transformação, comecei a atravessar fases que antes pareciam impossíveis.
Ainda assim, compreendo perfeitamente por que alguns jogadores podem considerar o desafio exagerado. Diversas análises chegaram à mesma conclusão: o jogo é extremamente fiel ao espírito arcade e pouco faz para suavizar sua curva de aprendizado.
VISUAL E TRILHA SONORA
A modernização visual ficou excelente. Os cenários utilizam gráficos tridimensionais sem abandonar a estrutura clássica do original.
As explosões estão bacanas, os efeitos de iluminação valorizam os confrontos e os modelos dos robôs são muito bem detalhados para seu contexto.
Mesmo quando a tela está completamente tomada por inimigos, dificilmente perdi a noção do que estava acontecendo. Isso demonstra um ótimo trabalho de direção artística.
A trilha sonora segue o mesmo caminho. Ela transmite aquela energia típica dos arcades japoneses, acelerando nos momentos certos e ajudando a manter a adrenalina elevada durante praticamente toda a campanha.
ALGO PODERIA SER MELHOR?
Apesar de ter gostado muito da experiência, senti falta de mais conteúdo. A campanha é relativamente curta para os padrões atuais. É verdade que o Score Attack e a busca por melhores pontuações aumentam bastante a longevidade, mas quem procura muitos modos de jogo talvez termine a campanha querendo um pouco mais.
Também acredito que um sistema de checkpoints ligeiramente mais generoso nas dificuldades iniciais ajudaria novos jogadores sem comprometer a proposta desafiadora do jogo.
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