Eyes of the ElderWood é um título independente, atualmente em acesso antecipado, que nos leva para um universo sombrio inspirado na cultura cassubiana e no folclore da região (Cassúbia).
O jogo tenta mesclar exploração e mistério enquanto o jogador desbrava cenários rurais e florestas cheias de perigos. A premissa central foca em sobreviver a criaturas folclóricas e desvendar os segredos locais, apresentando um grande potencial criativo que ainda esbarra em execuções técnicas e decisões que precisam de um polimento melhor para a versão final.

HISTÓRIA E ENREDO
A narrativa se inicia com a protagonista Laura, que segue as instruções do seu amigo Nikolaj para adentrar uma floresta densa e isolada. Nessa floresta, houve um alagamento repentino que tomou conta do local, bloqueando caminhos e criando um clima de tensão.
Contudo, logo nesse início, a cutscene de abertura peca por não deixar muito claro qual é o real objetivo da personagem ao se arriscar nesse cenário, gerando uma certa confusão sobre as suas motivações. Esse distanciamento narrativo pode ser agravado pela atual ausência de localização para o português brasileiro (PT-BR). Como o título ainda se encontra em acesso antecipado, isso não chega a ser uma crítica definitiva, mas fica como uma forte sugestão para os desenvolvedores: a inclusão de legendas no nosso idioma até o lançamento final certamente facilitaria o entendimento da trama e a imersão nesse rico universo folclórico.
Em meio a esse cenário, Laura encontra um gato falante, que explica brevemente sobre o local: outrora era um lugar pacifico, bonito e que abrigava diversos pescadores. O gato serve como uma espécie de “alívio cômico”, ao mesmo tempo em que serve como um tutorial para explicar as mecânicas e a história do jogo. No fim, ele orienta Laura a buscar por Rusia. Segundo o animal, ela é a mulher capaz de ajudar a protagonista a entender e resolver a situação. Após solucionar uma série de enigmas e sobreviver aos primeiros inimigos no caminho, Laura finalmente chega a uma lagoa onde a mulher, uma rusalka (criatura eslava muito similar a uma sereia) se encontra.
Rusia explica que naquele local uma corrupção se espalhou e destruiu tudo que era bonito, transformando os pescadores em criaturas grotescas enormes, tornando o ar impuro e devastando completamente qualquer resquício de humanidade. Ela pede para a protagonista prosseguir até o vilarejo mais próximo, para ir até a sua casa e lá poderem conversar melhor, e assim a jornada misteriosa toma rumos inimagináveis para a protagonista.
GAMEPLAY
A estrutura de Eye of The ElderWood traz ideias muito criativas no papel, como a mecânica principal que permite que o jogador use a mão da personagem para desenhar feitiços manualmente na tela, como magias de fogo e raio. Essa é uma sacada excelente, porém, mal utilizada na prática, pois acaba perdendo o brilho rapidamente. O jogo também conta com um sistema de insanidade que desce com o passar do tempo, fazendo com que você gerencie esse recurso para sobreviver.
Por outro lado, a experiência como um todo se mostra bastante arrastada. A animação de recarregar é desnecessariamente lenta e prejudica o ritmo de reação do jogador. As mecânicas se provam lentas, chatas e extremamente repetitivas, no geral, fazendo com que o ciclo de jogabilidade perca a graça logo nas primeiras horas. Os puzzles seguem o mesmo caminho frustrante, pois faltam criatividade e desafio. São expositivos demais, entregando a solução de forma óbvia, reforçando a exaustão ao longo da campanha.

Vale dedicar um parágrafo inteiro apenas aos problemas de game design que o jogo apresenta. A progressão sofre drasticamente por conta de escolhas questionáveis que engessam o jogador. Em vez de encorajar a experimentação, a repetição excessiva de objetivos e a falta de evolução inteligente nos desafios criam um ciclo monótono. A sensação que fica é a de um rascunho de boas intenções que não passou pelo polimento necessário para conectar suas partes de forma coesa e recompensadora.
Atualmente o jogo se encontra em acesso antecipado e possui apenas três fases curtas que levam em torno de 2 horas para serem finalizadas. Os planos da Virtual Sanctuary, desenvolvedora do jogo, é de até o fim do acesso antecipado disponibilizar mais fases para o jogador, com mais lutas de chefes, puzzles e história.
Eye of The ElderWood é um título com um potencial absurdo e espero que, no lançamento oficial, o jogo tenha corrigido grande parte dos seus problemas e seja uma experiência melhor, abordando um folclore que é tão pouco explorado, mas que possui um potencial gigantesco.

DIREÇÃO DE ARTE E SOM
Se o gameplay decepciona, a direção de arte de Eye of The ElderWood é o que compensa, fazendo o jogo me impressionar. Os cenários são muito bem feitos e detalhados (apesar de às vezes parecer repetitivo), criando uma ambientação rica que dá muita vontade de pausar o jogo a todo momento apenas para apreciar. O design dos inimigos e criaturas é outro ponto fortíssimo e muito bem trabalhado pela equipe. O destaque absoluto vai para a mulher decapitada, que possui uma animação aterrorizante e muito bem feita, além do monstro do milharal que causa muita tensão logo no primeiro contato.

O som, no entanto, é misto. Como mencionado anteriormente, a ausência de trilha sonora durante as cutscenes é um erro grave, deixando momentos que deveriam ser tensos ou emocionantes, completamente vazios e sem impacto. Mas o som ambiente é muito bem trabalhado e ajuda a causar suspense, e as músicas combinam com a temática do jogo e com o folclore retratado.
CONCLUSÃO
Eye of The ElderWood é um título que transborda potencial artístico, retratando a lenda e a cultura cassubiana de forma visualmente incrível e com inimigos memoráveis. A direção de arte impecável merece todos os elogios. No entanto, o jogo tropeça feio em seu game design e nas mecânicas mal executadas. A lentidão das ações, a repetição constante e os puzzles expositivos demais transformam o que deveria ser uma aventura instigante em uma experiência muito cansativa.
PONTOS FORTES
- Direção de arte belíssima: Cenários muito bem feitos que representam perfeitamente a ambientação e a cultura cassubiana.
- Design de inimigos: Criaturas trabalhadas com excelência
- Conceito de magias criativo: A ideia inicial de desenhar magias manualmente com a mão é excelente.
PONTOS FRACOS
- Game design falho: Mecânicas lentas, chatas e que tornam o ciclo de jogabilidade extremamente repetitivo.
- Cutscenes mal feitas: Textos simples com fotos estáticas e ausência total de música quebram a imersão da história.
- Puzzles sem inspiração: Desafios pouco criativos, expositivos demais e que se repetem constantemente.
- Animações demoradas: O tempo desnecessariamente lento para recarregar prejudica severamente o ritmo da obra.
- Potencial desperdiçado: A mecânica principal de desenhar feitiços é muito mal utilizada na prática.
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Gosto de registrar minhas jogatinas escrevendo reviews e tirando fotos dos jogos. Meus jogos favoritos são Grim Fandango e Dark Souls II.
